Inflação nos EUA acelera em setembro e chega a 3,7% nos últimos 12 meses
A inflação nos EUA acelerou em setembro, com a disparada do custo da gasolina , impondo mais um revés ao presidente do país, Donald Trump , e ao Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, e recolocando no radar uma alta dos juros ainda neste mês. Leia mais (10/14/2026 - 13h17)

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A inflação nos EUA acelerou em setembro, com a disparada do custo da gasolina , impondo mais um revés ao presidente do país, Donald Trump , e ao Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, e recolocando no radar uma alta dos juros ainda neste mês.

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,6% no mês passado, após avançar 0,4% em agosto, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho nesta quarta-feira (14). A alta do IPC ficou em linha com as expectativas dos economistas. Nos últimos 12 meses até setembro, o IPC avançou 3,7%, após alta de 3,4% em agosto.
O relatório mostrou uma ampliação das pressões sobre os preços para além do setor de energia, aumentando entre economistas a preocupação de que a inflação subjacente possa estar se tornando persistente. Agora, os mercados financeiros consideram a decisão do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) sobre os juros neste mês mais incerta do que antes da divulgação dos dados.
O relatório somou-se a pesquisas divulgadas neste mês que mostraram uma nova deterioração da confiança do consumidor e uma queda acentuada no índice de aprovação de Trump, impulsionadas pela apreensão com o aumento do custo de vida. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que cerca de 78% dos norte-americanos culpavam as políticas de Trump —entre elas, as tarifas sobre importações e o conflito no Oriente Médio— pela alta dos preços, que está superando o crescimento dos salários.

"A última etapa da trajetória de volta à meta pode continuar turbulenta e manter os juros elevados", afirmou Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial. "O relatório complica a decisão do Fed neste mês, uma vez que o caminho de volta à estabilidade de preços parece cada vez mais difícil de percorrer", complementou.
Uma disparada de 9,1% nos preços da gasolina respondeu por mais da metade da alta mensal do IPC. A guerra entre EUA e Israel contra o Irã está elevando os preços da energia. Os preços do diesel atingiram máximas recordes , e há temores de que esses custos em breve se traduzam em preços mais altos nos supermercados.
Os preços dos alimentos ficaram estáveis, após altas de 0,1% tanto em julho quanto em agosto. Os preços nos supermercados recuaram 0,1% no mês, mas subiram 1,8% na comparação anual. Os preços da carne bovina caíram 1,0% em setembro, e o custo dos laticínios e produtos relacionados recuou 0,9%. No entanto, os preços das bebidas não alcoólicas dispararam 0,9%, enquanto frutas e verduras ficaram 0,5% mais caras.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o IPC avançou 0,3% em setembro, repetindo a alta de agosto. Economistas consultados pela Reuters previam que o chamado núcleo do IPC subiria 0,2%. O núcleo do IPC foi impulsionado por um aumento de 0,4% nos custos de moradia, incluindo quartos de hotéis e motéis. O aluguel equivalente dos proprietários subiu 0,3%.
Também houve aumentos nos custos de lazer e educação. Os preços de carros e caminhões usados avançaram 0,7%, enquanto as passagens aéreas subiram 1,2% em meio à alta dos preços do combustível de aviação. Os preços do vestuário aumentaram 0,3%.
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Nos 12 meses até setembro, a inflação do núcleo do IPC subiu 2,6%, após avanço de 2,4% em agosto. O banco central dos Estados Unidos acompanha o IPC para sua meta de inflação de 2%.
A medida do núcleo do IPC está abaixo da inflação do núcleo do PCE, que subiu 3,0% em agosto, devido aos diferentes pesos atribuídos aos componentes das respectivas cestas.
Os mercados financeiros elevaram a probabilidade de uma alta dos juros na reunião de política monetária do Fed de 27 e 28 de outubro para cerca de 52%, ante aproximadamente 22% antes da divulgação do IPC, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. A probabilidade de uma elevação dos juros neste mês havia diminuído após a criação de vagas em setembro ficar aquém das expectativas, assim como as leituras da inflação do PCE de julho e agosto, que vieram abaixo do previsto.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos operavam majoritariamente em alta, enquanto o dólar avançava ante uma cesta de moedas. As ações norte-americanas abriram em queda.
Em setembro, o Fed elevou sua taxa básica de juros de curto prazo em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4%, no primeiro aumento em três anos, e sinalizou novas elevações nos custos dos empréstimos nos meses seguintes. Economistas esperavam que o Fed aumentasse os juros em dezembro.
O relatório de inflação do IPC de setembro era aguardado com grande expectativa por milhões de aposentados e outros beneficiários da Previdência Social que tentavam calcular quanto seus benefícios aumentariam no próximo ano.
A Administração da Previdência Social anunciou um reajuste de 3,6% pelo custo de vida nos benefícios da Previdência Social e da Renda Suplementar de Seguridade para 2027. Os programas beneficiam norte-americanos idosos aposentados, além de pessoas com deficiência e determinados viúvos, viúvas e crianças.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/inflacao-nos-eua-acelera-em-setembro-e-chega-a-37-nos-ultimos-12-meses.shtml.

Placa com preços de combustíveis em posto nos EUA - Patrick T. Fallon - 23.set.26/AFP · Patrick T. Fallon - 23.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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