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    Inflação alivia pressão, mas BC não dá certeza sobre queda de juros

    Inflação desacelerou em julho, mas riscos fiscais e expectativas desancoradas mantêm BC cauteloso sobre próximos cortes da Selic

    Metrópoles
    12 de agosto de 2026 às 07:30
    Inflação alivia pressão, mas BC não dá certeza sobre queda de juros
    Foto: Metrópoles

    A desaceleração da inflação em julho trouxe um alívio parcial para o cenário econômico e reforçou a percepção de que há espaço para novos cortes na taxa básica de juros.

    Ainda assim, o Banco Central (BC) evitou dar qualquer indicação mais clara sobre os próximos passos da política monetária, mantendo a incerteza sobre a trajetória da Selic nos próximos meses.

    Dados divulgados nesta terça-feira (11/8) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho , após alta de 0,16% em junho, indicando perda de fôlego da inflação no curto prazo.

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,44% , retornando ao intervalo de tolerância da meta perseguida pelo BC, após dois meses acima do teto.

    O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços de alimentos, que ajudaram a conter o avanço do índice, mesmo diante da pressão em itens como habitação, especialmente energia elétrica.

    Apesar do alívio no indicador, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem adotado um discurso cauteloso. Na ata da última reunião, divulgada nessa terça, o colegiado voltou a destacar fatores de risco relevantes para o cenário inflacionário, como a desancoragem das expectativas e as incertezas no ambiente fiscal , indicando que a condução da política monetária seguirá dependente da evolução dos dados.

    Inflação alivia pressão, mas BC não dá certeza sobre queda dos juros
    Inflação alivia pressão, mas BC não dá certeza sobre queda dos juros — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A autoridade monetária sinalizou que novos cortes de juros não estão descartados, mas evita qualquer compromisso antecipado.

    A estratégia é manter flexibilidade diante de um ambiente ainda considerado desafiador, em que a melhora recente da inflação convive com riscos que podem comprometer a convergência para a meta no horizonte relevante.

    De acordo com o conselheiro da Ancord, Pablo Spyer , a principal surpresa do comunicado foi o tom mais contundente em relação às expectativas de inflação.

    “O trecho mais importante é quando o Copom afirma que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessária uma política monetária restritiva maior e por mais tempo. Isso reforça que o Banco Central está disposto a manter os juros elevados pelo tempo necessário para recuperar a credibilidade da meta”, avaliou.

    Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles , a ata do Copom reforça cautela, mas mantém porta aberta para cortes.

    Ele explica que diferentemente da ata anterior, o texto retirou a referência explícita a “pausas e retomadas do ciclo de calibração” e afirmou que “a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário”.

    “Na nossa visão, a ata segue compatível com o nosso cenário de Selic estável em 14% até o fim do ano. A desancoragem das expectativas, a assimetria altista do balanço de riscos e a inflação ainda pressionada recomendam cautela. Ainda assim, não descartamos novos cortes de juros, já que a comunicação deixou em aberto os passos futuros de política monetária”, disse.

    Diante desse quadro, o mercado financeiro está dividido entre a leitura de que há espaço para ao menos mais um corte na Selic, e a percepção de que o BC pode adotar um ritmo mais lento ou até interromper o ciclo caso os riscos se intensifiquem.

    Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 13,75% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa, mas o mercado acredita em novos cortes, na proporção de 0,25 pontos percentuais.

    As estimativas para os próximos anos são as seguintes, confira abaixo:

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/inflacao-alivia-bc-certeza-queda-juros.

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