Inepar contesta assembleia de acionistas e destituição de empresa que pertence a ex-diretor
A diretoria da Inepar , conglomerado de engenharia pesada e infraestrutura , hoje em recuperação judicial , trava disputa com a administradora de fundos Oliveira Trust quanto à realização de assembleia de cotistas marcada para esta quarta-feira (12) e o possível afastamento de agente de cobrança. Leia mais (08/11/2026 - 09h14)

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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A diretoria da Inepar , conglomerado de engenharia pesada e infraestrutura , hoje em recuperação judicial , trava disputa com a administradora de fundos Oliveira Trust quanto à realização de assembleia de cotistas marcada para esta quarta-feira (12) e o possível afastamento de agente de cobrança.
Oliveira Trust é a gestora do FIDC Taranis ( fundo de investimento em direitos creditórios), que reúne créditos de ações judiciais movidas pela Inepar, com valor de face em torno de R$ 1,7 bilhão e projeção de recebimento estimada em cerca de R$ 920 milhões nos próximos anos.

Um dos assuntos em pauta na assembleia é a destituição da MDC Assessoria Empresarial como agente de cobrança do fundo. A acusação é de conflito de interesses. A MDC tem participação de 3,3% no capital social da Inepar e é parte relacionada do FIDC. Seu dono, Natal Bressan, é ex-diretor do conglomerado.
A queixa de outros cotistas e considerada pela Oliveira Trust é que, na função desempenhada, a MDC ficaria com taxa de até 10% dos valores de cada causa, o que significaria que apenas um acionista receberia cerca de R$ 92 milhões.
Procurado, Natal Bressan disse que não poderia comentar o mérito da disputa. Este papel, segundo ele, seria da área jurídica da Inepar. O empresário afirma que a MDC é prestadora de serviços e que o contrato entre as partes prevê cláusulas de confidencialidade. Bressan foi diretor administrativo, financeiro e de relações com investidores do conglomerado até maio de 2007. Um endereço registrado para o CNPJ da MDC, no centro de Curitiba, fica no mesmo prédio do grupo de infraestrutura.

Consultada pela coluna, a empresa afirma que a situação da MDC Assessoria Empresarial está amparada na regulamentação e nas normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Estas "estabelecem que partes relacionadas podem atuar como agente de cobrança devido ao seu pleno conhecimento do acervo histórico, de alta relevância desde a origem dos contratos, e de memória técnica/pericial", diz Manacesar Lopes, diretor de relações com investidores da Inepar.
Além da destituição da empresa de Bressan, está em pauta na assembleia a alteração na remuneração da gestora, inclusão de cláusula que limita sua responsabilidade a casos de culpa ou dolo comprovados por decisão transitada em julgado, contratação de novo escritório para as ações judiciais e emissão de cotas subordinadas.
A diretoria da Inepar contestou, por meio de notificação enviada à administradora, a validade da convocação. Em resposta, a Oliveira Trust manteve a data e disse que a pauta atende a pedidos do gestor do fundo e de um membro do próprio conselho de administração da companhia.
A Inepar está em recuperação judicial desde 2014. No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo consolidado somou R$ 67,4 milhões. No mesmo período de 2025, havia sido de R$ 51,2 milhões. O passivo circulante ultrapassa R$ 926 milhões e o patrimônio líquido segue negativo, em R$ 1,77 bilhão.
A avaliação é que a monetização de créditos judiciais, incluindo os do FIDC Taranis, é central para o encerramento da recuperação judicial e faz parte do plano aprovado pela Justiça.
A Inepar argumenta que a Oliveira Trust teria assumido, em videoconferência, o compromisso de apresentar estudos técnicos ou econômicos sobre a viabilidade das propostas a serem discutidas em assembleia. A administradora nega que isso tenha acontecido e diz que os representantes da empresa sequer se manifestaram durante a reunião citada.
A Oliveira Trust ratificou a manutenção da data da assembleia, informando à Inepar que a decisão final seria dos cotistas, em votação. A companhia questiona o rito da convocação e a legitimidade das matérias a serem deliberadas.
"A companhia reitera seu compromisso com as melhores práticas de governança corporativa e com o cumprimento integral da legislação e regulamentação vigentes", completa Manacesar Lopes.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/08/inepar-contesta-assembleia-de-acionistas-e-destituicao-de-empresa-que-pertence-a-ex-diretor.shtml.

Imagem de unidade da Inepar, em recuperação judicial desde 2014 — Foto: Folha de S.Paulo
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