Brasil

    Indústria marítima recorre ao vento para reduzir consumo de combustível

    A Maersk, empresa dinamarquesa de logística e transporte marítimo, assinou um acordo para instalar a primeira vela eólica em um navio porta-contêineres, enquanto a indústria marítima retoma uma tecnologia antiga para reduzir o consumo de combustível e atender a regulamentações ambientais mais rigorosas.

    UOL
    2 de setembro de 2026 às 16:00
    Indústria marítima recorre ao vento para reduzir consumo de combustível
    Navio de carga ancorado em águas calmas com montanhas ao fundo sob céu nublado. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Maersk , empresa dinamarquesa de logística e transporte marítimo, assinou um acordo para instalar a primeira vela eólica em um navio porta-contêineres, enquanto a indústria marítima retoma uma tecnologia antiga para reduzir o consumo de combustível e atender a regulamentações ambientais mais rigorosas.

    Navio é visto no Estreito de Hormuz - Reuters · Reuters
    Navio é visto no Estreito de Hormuz - Reuters · Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A vela, um rotor eólico de 35 metros de altura desenvolvido pela empresa britânica Anemoi, será instalada em um navio porta-contêineres de médio porte como parte de um projeto-piloto. A iniciativa pretende avaliar se a tecnologia pode reduzir significativamente os custos com combustível e licenças de emissão.

    Nick Contopoulos, diretor comercial da Anemoi, afirmou que os navios porta-contêineres representam um desafio específico para a instalação de sistemas de propulsão eólica, já que quase todo o espaço do convés é utilizado para armazenar cargas.

    "Os navios porta-contêineres não têm sido uma opção óbvia para essas instalações por causa da questão do espaço no convés", disse. Ele acrescentou, porém, que o uso de velas modernas nesses navios apresenta algumas vantagens.

    A entrada e o canal do porto de Santos
    A entrada e o canal do porto de Santos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Eles seguem rotas muito específicas. Portanto, conhecendo a previsibilidade do vento e a velocidade operacional da embarcação, é possível direcionar as rotas para áreas com ventos mais fortes, o que melhora o modelo de negócios e o retorno sobre o investimento", afirmou.

    Há pouca semelhança entre os rotores eólicos instalados pela Anemoi e as tradicionais velas brancas presas aos mastros, cuja utilização remonta ao antigo Egito.

    A tecnologia do rotor gira com o vento e utiliza um fenômeno físico pelo qual objetos em rotação geram propulsão, conhecido como efeito Magnus, para impulsionar a embarcação para a frente. Segundo a Anemoi, os rotores podem operar em mares agitados e com velocidades de vento de até 35 metros por segundo.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O rotor que será instalado no navio da Maersk ficará na proa, em posição vertical. Outros sistemas desenvolvidos pela Anemoi podem ser recolhidos quando o navio chega ao porto.

    Ole Graa Jakobsen, chefe de tecnologia da frota da Maersk, afirmou que a segunda maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo considera o projeto "uma oportunidade valiosa para adquirir experiência prática e avaliar sua relevância para nossa frota e para o transporte marítimo de contêineres em geral".

    Gavin Allwright, secretário-geral da International Windship Association, afirmou que o interesse por tecnologias de propulsão eólica tem crescido de forma constante à medida que as regras ambientais para o transporte marítimo ficam mais rígidas.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Diversas outras tecnologias de propulsão eólica estão em desenvolvimento, incluindo velas retráteis e dobráveis e asas de sucção.

    A UE ( União Europeia ) incluiu o setor marítimo em seu sistema de comércio de emissões em 2024 e introduziu novas regras que exigem que os armadores reduzam a intensidade das emissões dos combustíveis utilizados. Enquanto isso, a OMI (Organização Marítima Internacional) negocia novas regras de emissões para o setor, apesar das profundas divergências sobre o nível de ambição das medidas e da forte resistência dos Estados Unidos aos esforços de descarbonização.

    O transporte marítimo responde atualmente por cerca de 3% das emissões globais anuais de carbono.

    Existem cerca de 110 instalações comerciais desse tipo em embarcações com arqueação bruta superior a 400 toneladas. Outras 80 a 90 foram encomendadas e cerca de 50 estão em fase de planejamento, segundo Allwright.

    "Nos últimos anos, vimos uma duplicação [das instalações] a cada ano", disse ele, acrescentando que o aumento dos custos de combustível provocado pela guerra no Oriente Médio também impulsionou o interesse pela tecnologia.

    Devido à grande quantidade de espaço disponível no convés, as velas foram instaladas principalmente em navios-tanque, mas também passaram a ser utilizadas em navios graneleiros e porta-automóveis.

    Peter Jameson, diretor-geral do Boston Consulting Group, afirmou que a economia de combustível proporcionada pela tecnologia eólica pode variar de 5% a 25%, "dependendo da embarcação e da rota, e potencialmente ser maior em condições favoráveis".

    "A maior barreira agora é comercial, e não técnica. Esses sistemas podem custar vários milhões de dólares para instalar, e o período de retorno do investimento pode se estender muito além da duração de um contrato típico de afretamento. Muitas vezes, o armador arca com o custo inicial, enquanto o afretador se beneficia da redução da conta de combustível. Assim, os incentivos não estão naturalmente alinhados", acrescentou.

    A Anemoi estima que cada um de seus rotores eólicos, normalmente instalados em grupos de três a cinco unidades, economize aproximadamente uma tonelada de combustível por dia e cerca de três toneladas de emissões de CO₂ por vela.

    Segundo Contopoulos, cada vela custa entre US$ 600 mil (R$ 3,1 milhões) e US$ 1,2 milhão (R$ 6,2 milhões), sem incluir os custos de instalação.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/industria-maritima-recorre-ao-vento-para-reduzir-consumo-de-combustivel.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Navio é visto no Estreito de Hormuz - Reuters · Reuters — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)