Brasil

    Indústria estagnada

    Se há um setor símbolo dos desajustes históricos da economia brasileira, esse certamente é o industrial. Não apenas seu desempenho tem sido fraco neste ano como a história recente da indústria nacional é de evidente estagnação. Leia mais (10/10/2026 - 22h45)

    Folha de S.Paulo
    11 de outubro de 2026 às 01:45
    Indústria estagnada
    A imagem mostra o interior de uma fábrica de automóveis, com um chassi de carro em primeiro plano, apoiado em um suporte laranja. Ao fundo, há vários robôs industriais operando em uma linha de montagem, com estruturas metálicas e equipament — Foto: Folha de S.Paulo

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    Linha de produção de montadora - Eduardo Sodré/Folhapress · Eduardo Sodré/Folhapress
    Linha de produção de montadora - Eduardo Sodré/Folhapress · Eduardo Sodré/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se há um setor símbolo dos desajustes históricos da economia brasileira, esse certamente é o industrial. Não apenas seu desempenho tem sido fraco neste ano como a história recente da indústria nacional é de evidente estagnação.

    Desde janeiro de 2002, a atividade como um todo cresceu apenas 13,8%. A extrativa teve resultado muito melhor, 55,7%, e a de transformação, meros 10%.

    Com a divulgação pelo IBGE dos números de agosto da produção regional, observam-se ainda mais as disparidades do país. O vigor da indústria extrativa fez com que os estados com forte presença de commodities mostrassem as melhores taxas de expansão.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pará e Goiás são exemplos disso. No primeiro, que se destaca em mineração, houve alta de 119,2% no período, e no segundo, com o hub industrial de Anápolis e vigor do agro, de 107%.

    O contraste com os estados de pior desempenho é enorme. Ceará e Bahia, com indústrias mais tradicionais, registraram quedas de, respectivamente, 8,6% e 7,4%.

    Mas a comparação com 2002 é enganosa, pois incorpora o forte ciclo econômico da primeira década do século. Quando comparamos com a média de 2011, o resultado piora. O recuo do setor nesse período é de 13,3%, e mesmo os estados mais prósperos, Pará e Goiás, apresentam números bem mais modestos (18,7% e 27%, respectivamente). As commodities, como se diz, podem muito, mas não podem tudo.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Analisando os dados da Organização para o Desenvolvimento Industrial da ONU, vemos que, de 2011 até julho deste ano, o Brasil teve queda de 14%, enquanto a mediana de 68 países apresentou alta de 27%. Os únicos setores em que conseguimos ir melhor do que o padrão mundial são papel e celulose, coque e refino de petróleo. Em alguns segmentos, a lacuna é estonteante.

    A indústria de eletrônicos e computadores caiu 40% no Brasil, por exemplo, enquanto cresceu 51% na média mundial.

    Gargalos históricos em infraestrutura e tendência protecionista ajudam a explicar parte importante da nossa industrialização. Richard Baldwin, do IMD Business School, tem sido um prolífico estudioso do assunto e mostrado como a aproximação de países mais pobres a países mais ricos ajuda a aumentar a participação da indústria nos primeiros.

    Acordos comerciais , como o que finalizamos com a União Europeia , serão um caminho para aumentar a produtividade, assim como a reforma tributária , que tende a penalizar menos o setor. Por fim, o tão esperado ajuste fiscal ajudaria a reduzir os juros.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/industria-estagnada.shtml.

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    Linha de produção de montadora - Eduardo Sodré/Folhapress · Eduardo Sodré/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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