Brasil

    Indústria de transformadores ignora tarifaço de Trump e amplia vendas aos EUA

    A indústria brasileira de equipamentos de transmissão de energia ampliou a exportação para os EUA apesar das tarifas de 25% impostas ao setor pelo governo Donald Trump. Leia mais (08/12/2026 - 13h37)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 16:37
    Indústria de transformadores ignora tarifaço de Trump e amplia vendas aos EUA
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    A indústria brasileira de equipamentos de transmissão de energia ampliou a exportação para os EUA apesar das tarifas de 25% impostas ao setor pelo governo Donald Trump.

    Mulher corre perto de linhas de transmissão na Califórnia, na Costa Oeste dos EUA - Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters · Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters
    Mulher corre perto de linhas de transmissão na Califórnia, na Costa Oeste dos EUA - Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters · Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A taxação, neste caso, ocorreu por meio da Seção 232, cujo pretexto é a segurança nacional.

    Em 2025, ano de início da aplicação das novas taxas, o Brasil exportou US$ 607 milhões (R$ 3,3 bi) em transformadores de todos os tipos para os EUA, um incremento de 25% com relação ao ano anterior. Até julho deste ano, exportadores nacionais já haviam despachado para os EUA cerca de 81% do valor de vendas do ano anterior.

    Empresas instaladas no Brasil, sejam de origem brasileira ou estrangeiras, aproveitaram o fechamento dos EUA aos chineses e expandiram gradualmente sua presença no país, segundo especialistas consultados pela Folha.

    Manifestantes protestam contra tarifas de Trump em capitais do Brasil
    Manifestantes protestam contra tarifas de Trump em capitais do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A demanda por transformadores brasileiros cresceu conforme se expandia a rede elétrica americana, patrocinada pela eletrificação da frota de automóveis, da inteligência artificial e dos data centers.

    Hoje o Brasil ocupa a 11ª colocação no rol de países que exportam equipamentos elétricos para os americanos. O número representa uma queda de posição relativa ante 2024, quando o país era o sétimo maior exportador. Mas em valores absolutos as vendas aumentaram.

    Especialistas dizem que, mesmo sob alta tarifação, os equipamentos brasileiros seguem entrando nos EUA porque de um lado as encomendas são de longo prazo (dois a quatro anos), e de outro porque o apetite pela expansão da rede elétrica segue alto, aumentando a tolerância dos importadores a preços maiores.

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    "O comprador americano não consegue substituir o vendedor brasileiro com tanta facilidade. Isso vai levar algum tempo", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

    Segundo o dirigente empresarial, as taxas podem impactar negativamente as empresas brasileiras daqui a cerca de seis meses, quando os compradores americanos começarem a fazer a reposição de encomendas.

    A tendência é que grandes multinacionais como Weg, Hitachi e Siemens consigam contornar os efeitos das tarifas, seja aproveitando a capacidade fabril nos EUA, como algumas já fazem, seja usando plantas em outros países que escaparam da sobretaxa, como o México.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A multinacional catarinense Weg, por exemplo, tem unidade no México e fabrica equipamentos elétricos nos EUA. A Hitachi, que é japonesa, mas tem presença no Brasil, está construindo uma fábrica de transformadores na Virgínia , e a Siemens anunciou ter investido US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bi) na expansão das fábricas em solo americano.

    "Como uma empresa global que opera em mais de cem mercados, fabricamos produtos em diversas regiões e construímos uma cadeia de suprimentos diversificada, o que nos permite adaptar de forma eficiente à evolução das políticas comerciais", afirmou a Hitachi em nota enviada à reportagem. A empresa diz que investirá R$ 1,4 bilhão para ampliar a produção de equipamentos críticos à infraestrutura elétrica no Brasil.

    A história é diferente para empresas pequenas e médias com grande dependência do mercado americano. A Romagnole, uma indústria nacional com 14 fábricas em solo nacional, 2.800 funcionários e cerca de R$ 2 bilhões em receita líquida, viu despencar suas vendas aos EUA após a aplicação das tarifas no ano passado.

    Entre 2023 e o primeiro semestre de 2025, a empresa vendeu cerca de 50 mil transformadores pequenos aos EUA –aqueles usados em postes, hospitais e shoppings–, mas viu as vendas despencarem a partir de agosto do ano passado. Agora busca encontrar nichos de produtos que, mesmo tarifados, permitam competir nos EUA.

    "São algumas classes e tensões de transformadores que estamos estudando como forma de voltar a fornecer para os Estados Unidos, mesmo com a taxação, mas está sendo bastante desafiador", diz Idimilso Dalbem, diretor administrativo e financeiro da Romagnole. A empresa não descarta internacionalizar suas operações.

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que, embora ainda tenham mercado, os transformadores menores (até 650 quilovolt-ampère) perderam presença nos EUA. As vendas caíram 46% entre 2024 e 2025, de US$ 167 milhões em 2024 para US$ 78 milhões em 2025.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/industria-de-transformadores-ignora-tarifaco-de-trump-e-amplia-vendas-aos-eua.shtml.

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    Mulher corre perto de linhas de transmissão na Califórnia, na Costa Oeste dos EUA - Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters · Carlos Barria - 10.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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