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    Indígenas recebem áudios com ameaça de invasão a território se Flávio Bolsonaro ganhar eleições

    Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro ( PL ) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela Folha . Leia mais (10/12/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de outubro de 2026 às 07:00
    Indígenas recebem áudios com ameaça de invasão a território se Flávio Bolsonaro ganhar eleições
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro ( PL ) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela Folha .

    Aldeia indígena no território Apyterewa, no Pará - Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress · Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress
    Aldeia indígena no território Apyterewa, no Pará - Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress · Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.

    O caso mais emblemático, até agora, aconteceu no Pará, na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer .

    Oito áudios obtidos pela Folha revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs —povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulneráveis— previstas para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições, e citam Flávio.

    Equipes da Funai e PRF são alvos de emboscada no Pará
    Equipes da Funai e PRF são alvos de emboscada no Pará — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.

    As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.

    A Folha cruzou os metadados de origem dos áudios com banco de dados e conversou com investigadores que atuam nesse caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores do território Apyterewa.

    Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu (PA)
    Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu (PA) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A campanha de Flávio é procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira (8), mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

    O mesmo foi feito com a gestão estadual do Pará, que não se posicionou. Dr. Daniel, governador eleito no Pará, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar.

    Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) da última quinta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Polícia Federal (PF), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente ), Funai (Fundação dos Povos Indígenas) e Ministério dos Povos Indígenas disseram que monitoram a situação.

    O Ministério dos Povos Indígenas disse que monitora o "aumento da pressão para a ocupação ilegal do território". "Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais", afirmou em nota.

    "Em relação aos áudios que associam as eleições de 2026 à invasão do território indígena, o Ministério esclarece que a apuração dos fatos compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação", completou.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Ibama disse que acompanha a situação. "Também há evidências de mobilização em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas, quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal", completou o órgão.

    Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob anonimato, que as informações de inteligência quanto às ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.

    Dados de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que a área desmatada na Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102, 2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².

    A Apyterewa também é um dos territórios que foi objeto da ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) 709. Em 2020, o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ordenou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas —determinação não cumprida por Bolsonaro.

    A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros , que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal .

    Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

    Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu, passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.

    Homologada em 2007, a terra indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato.

    A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.

    Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha , moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno.

    As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/indigenas-recebem-audios-com-ameaca-de-invasao-a-territorio-se-flavio-bolsonaro-ganhar-eleicoes.shtml.

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    Aldeia indígena no território Apyterewa, no Pará - Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress · Bruno Santos - 28.jan.2022/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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