Indígenas que protegem amazônia e levam energia solar a comunidades vencem prêmio ambiental
A organização Alianza Ceibo, formada por indígenas de Equador , Peru e Colômbia , venceu a edição deste ano do prêmio Gulbenkian para a Humanidade. A entidade tem histórico de atuação pela defesa da amazônia e desenvolve projetos que levam energia solar e água potável a comunidades isoladas na floresta. Leia mais (09/23/2026 - 15h00)

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São Paulo A organização Alianza Ceibo, formada por indígenas de Equador , Peru e Colômbia , venceu a edição deste ano do prêmio Gulbenkian para a Humanidade. A entidade tem histórico de atuação pela defesa da amazônia e desenvolve projetos que levam energia solar e água potável a comunidades isoladas na floresta.

A Fundação Calouste Gulbenkian, uma instituição filantrópica, entregou a láurea nesta quarta-feira (23), em cerimônia em Lisboa . A premiação é de € 1 milhão (R$ 5,8 milhões), uma das maiores da causa ambiental.
"Este prêmio reconhece a luta que travamos desde o tempo de nossos antepassados e mostra seu verdadeiro impacto no mundo: os povos indígenas são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as mudanças climáticas", afirmou Nemonte Nenquimo, cofundador da Alianza Ceibo.
Criada em 2014, a organização é composta por representantes dos povos A’i Kofan, Siekopai, Siona e Waorani, com liderança igualitária de homens e mulheres.

A Alianza Ceibo já instalou mais de 200 sistemas de geração solar em locais remotos da amazônia, com o apoio de entidades internacionais. Os equipamentos abastecem 208 casas, sete escolas, três associações de mulheres e 14 postos terrestres de patrulha.
Hernán Payaguaje, cofundador da Alianza Ceibo e membro do povo Siekopai, disse à Folha que a iniciativa estimula a autonomia das comunidades.
"Uma família que quer acessar a energia usando combustíveis fósseis precisa derrubar árvores, vender a madeira e comprar um gerador. O projeto solar corta essa cadeia e promove a conservação da fauna e da flora", afirmou.

"Acreditamos que é possível pensar em uma amazônia muito diferente, com iniciativas sustentáveis que não danifiquem a natureza ou a cultura dos povos indígenas e que sejam parte da resiliência."
Alicia Salazar, membro do povo Siona e integrante da Alianza Ceibo, disse que a entidade busca preencher uma lacuna nos serviços básicos que os governos nacionais deveriam fornecer. "Estamos contando sobre o trabalho de uma organização pequena, mas pensamos em nossas comunidades e no bem-estar do mundo."
A organização também distribuiu 1.164 sistemas de filtragem da água da chuva, que abastecem mais de 6.500 pessoas afetadas por contaminação de petróleo na amazônia equatoriana e colombiana.

A Alianza Ceibo soma vitórias judiciais na anulação de 52 concessões consideradas ilegais de mineração no território A’i Kofan, além de decisões que fortaleceram os direitos sobre as terras indígenas e a preservação da floresta. A organização também atua para garantir a consulta livre, prévia e informada dos povos a respeito da exploração de petróleo e minerais.
O júri da premiação, comandado pela ex-chanceler alemã Angela Merkel , selecionou a Alianza Ceibo entre 304 indicações de 73 países. A escolha foi motivada pela capacidade de resiliência da entidade.
"A Alianza recorreu ao sistema judicial e à mobilização das comunidades locais para travar o desmatamento na região, reivindicar direitos sobre os seus territórios e introduzir fontes de energia limpa e de água potável", afirmou a organização da láurea, em comunicado.

O cientista sueco Johan Rockström , um dos jurados, disse que a premiação lembra a todos de que as soluções para a crise climática já existem. "Em uma época de riscos ambientais sem precedentes, é mais importante do que nunca celebrar a esperança sustentada em provas concretas", disse.
Além de agradecer o reconhecimento, os cofundadores da Alianza Ceibo afirmam que o prêmio será usado para fortalecer as atividades da organização ao longo dos próximos dez anos.
"Acredito que a natureza já deu o suficiente para que o proveito do ser humano. Agora é o momento de nós, como humanidade, fazermos algo pela natureza", diz Payaguaje. "Sonhamos que o modelo da Alianza Ceibo possa ser replicado em diferentes territórios, comunidades e países."
Os vencedores de edições anteriores do prêmio Gulbenkian para a Humanidade incluem Lélia Salgado, reconhecida em 2023 pelo reflorestamento da mata atlântica , e a ativista sueca Greta Thunberg, ganhadora em 2020.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/economia-sustentavel/2026/09/indigenas-que-protegem-amazonia-e-levam-energia-solar-a-comunidades-vencem-premio-ambiental.shtml.

Membros da Alianza Ceibo instalam painel solar em comunidade do povo Siona - 14.nov.24 - Divulgação Alianza Ceibo e Amazon Frontlines · 14.nov.24 - Divulgação Alianza Ceibo e Amazon Frontlines — Foto: Folha de S.Paulo
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