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    Indígena de recente contato que desapareceu após soltura de presídio é reencontrado em Manaus

    Nube Kulina foi transferido de Envira (AM) à capital, a 1.200 km de distância, e acabou solto sem aviso à família ou à Funai

    UOL
    9 de setembro de 2026 às 14:00
    Indígena de recente contato que desapareceu após soltura de presídio é reencontrado em Manaus
    Jovem de pele morena e cabelo curto e bagunçado olha diretamente para a câmera com expressão neutra. Ele veste camiseta preta com detalhes amarelos e está posicionado contra fundo claro e uniforme. — Foto: UOL

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    O indígena de recente contato que desapareceu após ser solto de um presídio em Manaus, sem que a família ou a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) tivessem sido comunicadas sobre a efetivação da soltura, foi encontrado na cidade, após ter vivido uma parte dos últimos três meses de liberdade como morador de rua.

    Nube Kulina, indígena de recente contato do médio rio Juruá, no Amazonas, desapareceu após ser solto de presídio. Justiça havia determinado transferência a Manaus (Foto: Divulgação)
    Nube Kulina, indígena de recente contato do médio rio Juruá, no Amazonas, desapareceu após ser solto de presídio. Justiça havia determinado transferência a Manaus (Foto: Divulgação) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A informação foi confirmada pela Defensoria Pública do Amazonas, que atuou no caso, e pela Opiju (Organização dos Povos Indígenas da Calha do Juruá) , que buscou uma solução para o desaparecimento a partir da detecção do que havia ocorrido na capital do Amazonas.

    Nube Oma Kulina, 24, foi encontrado no último dia 1º e levado de avião, pela Funai, à região do médio rio Juruá, a 1.200 km em linha reta de Manaus, na última segunda-feira (7).

    O caso foi mostrado pela Folha em reportagem publicada em 28 de agosto.

    Corpo de Tadeo Kulina é transportado de volta a aldeia na Terra Indígena Kulina do Médio Juruá, no oeste do Amazonas, em fevereiro de 2024 - Divulgação/Entidades indígenas · Divulgação/Entidades indígenas
    Corpo de Tadeo Kulina é transportado de volta a aldeia na Terra Indígena Kulina do Médio Juruá, no oeste do Amazonas, em fevereiro de 2024 - Divulgação/Entidades indígenas · Divulgação/Entidades indígenas — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nube, que estava preso preventivamente por suspeita de tentativa de feminicídio, é da etnia madiha kulina, classificada como de recente contato pela Funai.

    Essa classificação se dá porque os madihas não dominam a língua portuguesa , preservam um sistema cultural próprio nas aldeias e têm dificuldade em lidar com a vida urbana, o que inclui as cidades próximas, como Envira e Eirunepé (AM).

    A prisão se deu em julho de 2025. Em outubro, a Justiça do Amazonas determinou a transferência de todos os presos que estavam na delegacia de Envira para presídios em Manaus.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público, que enxergou riscos em ameaças de caos perpetradas pela facção criminosa Comando Vermelho na cidade, como retaliação a uma ação policial.

    Nube e os demais presos foram transferidos, então, a Manaus. Em 28 de maio deste ano, ele foi colocado em liberdade, por decisão da Justiça.

    O sistema prisional do Amazonas, porém, não comunicou a família e a Funai, o que é recomendado especialmente em casos envolvendo indígenas de recente contato, sem domínio da língua, sem rede de apoio numa grande cidade e avessos aos códigos urbanos.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O desaparecimento durou mais de três meses. Pessoas da região central de Manaus, que haviam conhecido Nube, relataram que ele estava numa casa nessa região da cidade, o que foi confirmado por Defensoria Pública e Funai.

    Foi necessária a ajuda de um tradutor da língua madiha, por meio de chamadas de vídeo pelo celular, para compreensão sobre o que ocorreu após a soltura do presídio.

    Segundo os relatos colhidos pela Defensoria, assim que foi solto, Nube deixou a unidade prisional caminhando, até ser auxiliado por um homem a entrar num ônibus.

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    Ele desembarcou no centro de Manaus, na área portuária, e viveu na rua por dias, auxiliado por pessoas que vivem na região, até ser abrigado numa casa próxima.

    Ainda de acordo com relatos, só houve o entendimento de que ele estava desaparecido –e de que era procurado pela família e por organizações indígenas– após a leitura da reportagem e visualização da foto de Nube replicadas num jornal local.

    O Governo do Amazonas afirmou que a soltura de Nube se deu em "estrito cumprimento" da decisão da Justiça e que a Funai foi comunicada sobre a presença de indígenas nos presídios.

    Uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de 2019 prevê encaminhamento dos autos à Funai, não a obrigação de comunicar quando um indígena é colocado em liberdade, segundo a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária.

    O Tribunal de Justiça do Amazonas disse que a Comarca de Envira comunicou a Funai e a aldeia Vida Nova sobre a decisão de soltura de Nube. As transferências de presos se deram em razão da situação precária e irregular da custódia na delegacia, conforme o tribunal.

    O desaparecimento de Nube teve semelhanças com o caso de Tadeo Kulina , da mesma etnia e da mesma região, mas com desfechos distintos.

    Em fevereiro de 2024, Tadeo desapareceu de uma maternidade pública em Manaus, onde a mulher dele, Ccorima Kulina, havia dado à luz a quarta filha do casal. Os dois foram levados de Envira à capital em razão dos riscos de saúde à indígena na fase final da gestação.

    O corpo de Tadeo foi encontrado no IML (Instituto Médico Legal) mais de uma semana depois, com marcas de agressões na cabeça, no tórax, no abdome e nos membros.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/indigena-de-recente-contato-que-desapareceu-apos-soltura-de-presidio-e-reencontrado-em-manaus.shtml.

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    Nube Kulina, indígena de recente contato do médio rio Juruá, no Amazonas, desapareceu após ser solto de presídio. Justiça havia determinado transferência a Manaus (Foto: Divulgação) — Foto: UOL

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