Indefinição no STF trava operações do caso Master na Polícia Federal
Crise entre gabinetes do STF paralisa apurações desde julho; segundo apuração de Elijonas Maia, PF aguarda definição para retomar pedidos de medidas judiciais

A indefinição no Supremo Tribunal Federal e a crise entre seus gabinetes estão impactando diretamente o andamento das investigações do caso Master na Polícia Federal. Segundo apurado pelo analista de Segurança Pública Elijonas Maia , as palavras de ordem dentro da PF são cautela e aguardar .
Durante o CNN Novo Dia desta sexta-feira (25), Elijonas revelou que delegados envolvidos no caso e integrantes da cúpula da Polícia Federal estão sem saber a quem devem encaminhar os pedidos de medidas judiciais.
"Eles não sabem se pedem as buscas e apreensões para o gabinete de André Mendonça , relator do caso, ou ao presidente da Corte, Edson Fachin , que avocou todo o processo para si ", explicou Elijonas.

Há ainda a possibilidade de aguardar até a definição sobre a eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes , cujo pedido de abertura de investigação foi suspenso após Flávio Dino pedir vista. "Que fica só para depois da eleição ", acrescentou o analista.
A última operação da Compliance Zero , que investiga o caso Master, foi realizada no início de julho . Desde então, já caminhando para outubro, nenhuma nova representação da Polícia Federal foi encaminhada ao gabinete de André Mendonça.
"A representação é quando a Polícia Federal faz um relatório e pede, ao final, buscas, apreensões ou prisões contra algum investigado", afirmou Elijonas.

A última fase da operação, em julho, teve como alvo o publicitário Thiago Miranda . "Ele fez a relação com Daniel Vorcaro, pedindo dinheiro para o filme Dark Horse , e também fez a contratação de perfis nas redes sociais para atacar o Banco Central", relembrou o analista.
Após essa fase, o último pedido da PF foi para apreender o passaporte de Miranda , diante do entendimento de que havia risco de fuga.
Além da indefinição institucional no STF, o travamento das investigações também é atribuído ao desgaste na relação entre a cúpula da Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça.

Segundo Elijonas, a avaliação da PF é de que André Mendonça estaria agindo como investigador ao solicitar determinadas ações, o que culminou no pedido de um relatório contendo mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Diante desse cenário, a orientação nos bastidores da cúpula da Polícia Federal é aguardar uma definição no Supremo Tribunal Federal para que o inquérito do caso Master possa avançar.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/politica/indefinicao-no-stf-trava-operacoes-do-caso-master-na-policia-federal/.

Operação apreende 400 celulares em penitenciárias do Brasil — Foto: CNN Brasil
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