Brasil

    Inclusão produtiva é desafio que exige respostas coletivas

    Há desafios grandes demais para uma empresa tentar atuar de forma isolada. A inclusão produtiva é um deles. Apesar dos avanços, 48,9 milhões de brasileiros ainda viviam em situação de pobreza em 2024. Segundo a SIS (Síntese de Indicadores Sociais) 2025, do IBGE , 8,6 milhões de pessoas saíram dessa condição entre 2023 e 2024, mas a pobreza ainda alcançava 23% da população. Por trás desse número está um desafio muito complexo. Em um país de realidades econômicas e sociais tão diferentes, ampliar oportunidades de trabalho e geração de renda exige mais do que recursos: exige criar condições para

    Folha de S.Paulo
    12 de outubro de 2026 às 11:00
    Inclusão produtiva é desafio que exige respostas coletivas
    A imagem mostra um evento em um ambiente moderno, com várias pessoas sentadas em cadeiras coloridas. No centro, uma mulher está em pé, apresentando algo, enquanto um telão ao fundo exibe a palavra 'bo.ai'. Há também um intérprete de libras — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev, durante evento comemorativo do Bora Hub - Marina Sapienza · Marina Sapienza
    Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev, durante evento comemorativo do Bora Hub - Marina Sapienza · Marina Sapienza — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev

    Há desafios grandes demais para uma empresa tentar atuar de forma isolada. A inclusão produtiva é um deles. Apesar dos avanços, 48,9 milhões de brasileiros ainda viviam em situação de pobreza em 2024. Segundo a SIS (Síntese de Indicadores Sociais) 2025, do IBGE , 8,6 milhões de pessoas saíram dessa condição entre 2023 e 2024, mas a pobreza ainda alcançava 23% da população. Por trás desse número está um desafio muito complexo. Em um país de realidades econômicas e sociais tão diferentes, ampliar oportunidades de trabalho e geração de renda exige mais do que recursos: exige criar condições para que essas atividades se desenvolvam de forma sustentável e ampliem a autonomia de quem está na ponta.

    Isso passa pela capacidade de reunir quem conhece os problemas, quem desenvolve soluções e quem pode ajudar a fazê-las chegar mais longe. Talvez o próximo salto da agenda de impacto não esteja em criar mais iniciativas, mas em conectar melhor as que já existem. Foi esse aprendizado que começou a transformar o Bora.

    Instituto Bora nasce para ampliar inclusão produtiva
    Instituto Bora nasce para ampliar inclusão produtiva — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Ambev criou o programa em 2022 para contribuir com a geração de renda e a inclusão produtiva. Dois anos depois, em parceria com a Yunus Negócios Sociais, ele evoluiu para o Bora Hub , aproximando empresas, organizações e projetos que atuavam sobre desafios semelhantes. A experiência nos ensinou algo importante: uma boa solução pode transformar uma realidade, mas uma rede bem articulada pode ajudá-la a chegar muito mais longe.

    Hoje, essa rede reúne 120 membros e 130 projetos cadastrados, que juntos já contribuíram para gerar mais de R$ 810 milhões em renda. Mas talvez o principal resultado dessa trajetória não esteja nos números. Está no que aprendemos sobre escala. Para o Bora ficar ainda maior, ele precisava estar menos vinculado a uma empresa. Isso significa reconhecer algo que nem sempre é simples para grandes empresas: impacto não precisa ter dono.

    Uma empresa pode contribuir com tecnologia , conhecimento, acesso a mercado, capacidade de gestão ou recursos financeiros. Outra pode trazer competências completamente diferentes.

    Fundo Bora Cultura Preta apoia empreendedores negros de todo o país
    Fundo Bora Cultura Preta apoia empreendedores negros de todo o país — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando essas capacidades permanecem isoladas, seu alcance também tende a permanecer limitado. Quando conseguimos conectá-las em torno de um objetivo comum, surge a possibilidade de construir algo que nenhuma organização conseguiria fazer sozinha. É essa lógica que aproxima hoje Ambev , PepsiCo e Yunus Negócios Sociais na transformação do Bora Hub em Instituto Bora. Não se trata apenas de uma mudança jurídica ou de nome. A principal transformação está na governança.

    Uma iniciativa que nasceu numa companhia passa a ser construída de forma compartilhada, abrindo espaço para que outras empresas e organizações participem das decisões, contribuam com recursos e tragam suas próprias competências para a mesa. O novo modelo prevê também um fundo coletivo para apoiar negócios sociais e organizações sem fins lucrativos. Muitas iniciativas precisam também de acesso ao mercado, conhecimento de gestão, tecnologia, mentoria, conexões ou simplesmente da oportunidade de aprender com quem já enfrentou problemas semelhantes. Empresas podem contribuir com vários desses ativos, e não o fazem da mesma maneira. Essa talvez seja uma das grandes oportunidades do impacto colaborativo : substituir a pergunta "Qual projeto a minha empresa pode criar?" por "Qual contribuição única posso trazer para uma solução que podemos construir juntos?"

    O Brasil tem organizações sociais que conhecem profundamente seus territórios, empreendedores desenvolvendo soluções , empresas com recursos e capacidades distintas e comunidades que sabem melhor do que ninguém quais são seus desafios.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O potencial já existe. O que muitas vezes falta é a infraestrutura capaz de conectar essas forças. Nenhuma empresa resolverá sozinha um desafio da dimensão da inclusão produtiva no Brasil.

    E talvez o amadurecimento da agenda de impacto comece justamente quando deixamos de tentar. Se o problema é coletivo, a resposta também precisa ser.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/10/inclusao-produtiva-e-desafio-que-exige-respostas-coletivas.shtml.

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    Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev, durante evento comemorativo do Bora Hub - Marina Sapienza · Marina Sapienza — Foto: Folha de S.Paulo

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