Brasil

    Incêndios florestais sufocam Indonésia e provocam nuvem de fumaça na região

    El Niño agrava a seca, mas ação humana impulsiona focos em turfeiras

    UOL
    28 de setembro de 2026 às 14:00
    Incêndios florestais sufocam Indonésia e provocam nuvem de fumaça na região
    Dois bombeiros com capacetes e roupas laranja caminham entre árvores em área tomada por fumaça densa. O chão está queimado e coberto por cinzas, indicando incêndio recente ou em curso. — Foto: UOL

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    A Indonésia combate, há semanas, incêndios florestais que devastaram vastas áreas de florestas e turfeiras, e que geraram uma densa nuvem de fumaça tóxica que também afeta Malásia e Singapura .

    Bombeiros combatem incêndios florestais e em áreas de vegetação em Banjar, Kalimantan do Sul (Indonésia); névoa tóxica encobre há semanas partes da Indonésia, da Malásia e de Singapura - Muda Sagala - 21.set.26/AFP · Muda Sagala - 21.set.26
    Bombeiros combatem incêndios florestais e em áreas de vegetação em Banjar, Kalimantan do Sul (Indonésia); névoa tóxica encobre há semanas partes da Indonésia, da Malásia e de Singapura - Muda Sagala - 21.set.26/AFP · Muda Sagala - 21.set.26 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O fogo afeta tanto a população quanto a vida selvagem e levou o governo indonésio a tomar ações judiciais, suspender licenças e criar uma agência especializada na prevenção desse tipo de desastre.

    Somente entre janeiro e julho, mais de 202 mil hectares foram devastados pelo fogo, segundo dados oficiais.

    Trata-se de uma área equivalente a quase três vezes o tamanho da capital Jacarta e representa um aumento de 69% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Indonésia enfrenta fumaça tóxica após incêndios
    Indonésia enfrenta fumaça tóxica após incêndios — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As autoridades não atualizaram esses números desde então, e a situação só piorou.

    Segundo o projeto Nusantara Atlas, que utiliza monitoramento por satélite, quase 896 mil hectares haviam queimado até o final de agosto.

    O fenômeno climático El Niño costuma trazer secas à Indonésia, e o episódio atual pode ser um dos mais intensos das últimas décadas, segundo especialistas.

    Orangotango sofre com fumaça de incêndios e é resgatado em Bornéu
    Orangotango sofre com fumaça de incêndios e é resgatado em Bornéu — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No entanto, fatores humanos também desempenham um papel, como as queimadas para exploração de terras e décadas de degradação florestal que tornaram a paisagem mais vulnerável ao fogo.

    "O El Niño não é a causa, mas sim um fator que agrava o problema. Sempre precisa haver algo que provoque o incêndio", explicou à AFP Ati Dwi Nurhayati, professora de silvicultura da Universidade IPB.

    "Sabemos que, nas áreas de turfa, quase 100% dos incêndios são provocados pela atividade humana", afirmou.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    As turfeiras são ecossistemas formados por camadas densas de matéria orgânica. Muitas foram drenadas para fins agrícolas, criando áreas altamente inflamáveis.

    Uma vez que a turfa pega fogo, o incêndio pode permanecer latente e reacender-se durante dias, o que dificulta os trabalhos de extinção.

    Segundo a ONG Pantau Gambut, nos primeiros oito meses do ano foram detectados mais de 212 mil focos de incêndio em turfeiras da Indonésia, mais que o dobro do registrado durante o intenso episódio do El Niño de 2015.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Indonésia mobilizou bombeiros e voluntários para as áreas afetadas, embora com resultados limitados. Malásia e Japão também ofereceram ajuda.

    As autoridades revogaram as licenças de cinco empresas acusadas de contribuir para os incêndios e suspenderam as de dezenas de outras.

    Na semana passada, o presidente, Prabowo Subianto, ordenou a criação de uma agência encarregada de proteger as turfeiras e os manguezais, assim como de reforçar a prevenção de incêndios.

    A Indonésia havia criado uma agência semelhante após os incêndios de 2015, que devastaram mais de dois milhões de hectares e causaram prejuízos estimados em US$ 16,1 bilhões ( R$ 83,6 bi na cotação atual), segundo o Banco Mundial. No entanto, seu mandato expirou em 2024 e não foi renovado.

    A criação da nova agência gerou ceticismo.

    "O importante é garantir que seu mandato responda ao problema da gestão das turfeiras e não se limite a criar uma nova estrutura", afirmou Putra Saptian, da ONG Pantau Gambut.

    O Ministério da Saúde da Indonésia informou, na semana passada, mais de 170 mil casos de doenças respiratórias nas províncias de Sumatra e Bornéu, afetadas pela densa fumaça.

    Os incêndios também atingiram duramente a fauna silvestre. Segundo um representante do Ministério das Florestas, as autoridades resgataram cerca de cem animais ameaçados pelas chamas , incluindo 53 orangotangos .

    A nuvem de fumaça cruzou as fronteiras da Indonésia e afeta especialmente o estado malaio de Sarawak, na ilha de Bornéu, onde escolas tiveram que fechar temporariamente devido à má qualidade do ar.

    A fumaça também alcançou Singapura e chegou a provocar uma piora na qualidade do ar em regiões das Filipinas e do sul da Tailândia.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/incendios-florestais-sufocam-indonesia-e-provocam-nuvem-de-fumaca-na-regiao.shtml.

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    Bombeiros combatem incêndios florestais e em áreas de vegetação em Banjar, Kalimantan do Sul (Indonésia); névoa tóxica encobre há semanas partes da Indonésia, da Malásia e de Singapura - Muda Sagala - 21.set.26/AFP · Muda Sagala - 21.set.26 — Foto: UOL

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