Economia

    Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual

    Imóvel para locação (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/05/img_4219.webp?fit=1024%2C768&quality=70&strip=all" />Taxa recua de 3,20% para 3,05% em julho, mas imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil pioram The post Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual appeared first on InfoMoney .

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    26 de agosto de 2026 às 08:05
    Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual
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    Imóvel para locação (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

    A inadimplência dos aluguéis voltou a cair em julho e atingiu o menor nível em três anos, mas o alívio ainda ocorre de forma desigual. A taxa nacional passou de 3,20% em junho para 3,05% em julho, com todas as regiões do país apresentando redução. A melhora, porém, não eliminou as principais dificuldades, que são os imóveis comerciais em contratos de menor valor, que continuam registrando índices bem superiores à média, conforme dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica.

    Entre os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, por exemplo, a inadimplência recuou de 7,40% em junho para 7,27% em julho. Nos residenciais da mesma faixa, caiu de 6,27% para 5,99%. Ou seja, os segmentos mais vulneráveis também apresentaram melhora, mas continuam muito distantes do comportamento médio do mercado.

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    A pesquisa da Superlógica é elaborada a partir de informações anônimas de mais de 800 mil locatários. O levantamento considera inadimplentes boletos que permanecem sem pagamento por mais de 60 dias ou que foram quitados com atraso superior a esse período.

    A redução de 0,15 ponto percentual entre junho e julho ganha relevância quando observada em uma perspectiva mais longa. Os 3,05% registrados em julho representam o menor índice desde junho de 2023, quando a taxa havia sido de 3,03%. Há um ano, em julho de 2025, a inadimplência estava em 3,76%, o que significa uma queda de 0,71 ponto percentual em 12 meses.

    O comportamento do primeiro semestre já indicava algum alívio. A inadimplência média ficou em 3,24% nos seis primeiros meses de 2026, abaixo dos 3,71% registrados na segunda metade de 2025 e também dos 3,30% observados no primeiro semestre do ano passado.

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    Os resultados permitem falar em um movimento recente de melhora, mas ainda não em uma tendência consolidada. Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o recuo representa um alívio para as famílias, embora seja necessário observar o comportamento dos próximos meses.

    “Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”, disse.

    A análise por faixa de preço revela que a melhora da média nacional não significa que todos os locatários estejam atravessando a mesma situação financeira. Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a inadimplência de 7,27% em julho continua sendo a maior entre as faixas pesquisadas e equivale a mais que o dobro dos 3,05% registrados pelo mercado como um todo.

    A queda diante dos 7,40% de junho mostra que a situação não está se agravando, mas revela uma resistência maior da inadimplência nesse segmento, mesmo em um momento de melhora geral. O comportamento pode ser particularmente relevante para pequenos negócios. Diferentemente de despesas que podem ser reduzidas quando o faturamento cai, o aluguel é um custo fixo que precisa continuar sendo pago independentemente do desempenho das vendas.

    No mercado residencial, a base também permanece mais pressionada. Entre os imóveis com aluguel de até R$ 1 mil, a taxa caiu de 6,27% em junho para 5,99% em julho. A redução de 0,28 ponto percentual foi superior à observada na média nacional, mas o índice ainda é quase duas vezes maior.

    O contraste fica evidente nas faixas intermediárias. Nos imóveis residenciais com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, a inadimplência ficou em apenas 1,74%, a menor registrada nesse segmento. A leitura, portanto, poderia sugerir que quem paga os aluguéis mais baratos está melhorando, mas parte de uma situação financeira muito mais desfavorável.

    A evolução entre junho e julho também foi diferente conforme o tipo de imóvel. Nas casas, a inadimplência caiu de 3,45% para 3,29%, redução de 0,16 ponto percentual, praticamente acompanhando a melhora da média nacional. Já entre os apartamentos, a mudança foi pequena, de 2,16% para 2,14%. O mesmo ocorreu nos imóveis comerciais, onde a taxa passou de 4,19% para 4,17%.

    Assim, apesar do recuo nacional, o segmento comercial permanece como o de maior inadimplência entre os três tipos de imóveis analisados. Sua taxa de 4,17% é quase o dobro dos 2,14% registrados nos apartamentos.

    Os números também mostram que o problema não está exclusivamente na base do mercado. Nos contratos acima de R$ 13 mil, a inadimplência chegou a 4,84% nas casas, 4,55% nos imóveis comerciais e 3,58% nos apartamentos, segundo o recorte por faixa de preço apresentado pelo levantamento. Isso indica que as maiores dificuldades aparecem principalmente nos contratos de baixo valor, mas voltam a crescer em algumas faixas mais altas.

    Outro sinal positivo de julho é que a queda não ficou concentrada em uma única parte do país. As cinco regiões registraram redução da inadimplência entre junho e julho. As maiores quedas ocorreram justamente onde os índices eram mais elevados.

    No Nordeste, a taxa passou de 5,15% para 4,88%, recuo de 0,27 ponto percentual. No Norte, caiu de 4,30% para 4,04%. O Centro-Oeste apresentou redução de 3% para 2,80%, enquanto o Sudeste passou de 2,96% para 2,78%. No Sul, onde a inadimplência já era a menor do país, houve uma queda mais discreta, de 2,71% para 2,67%.

    A melhora generalizada, entretanto, não alterou a geografia da inadimplência. Nordeste e Norte continuam apresentando as maiores taxas, enquanto Sul e Sudeste permanecem na outra ponta, como mostra o levantamento.

    A diferença não surgiu agora. No primeiro semestre, o Nordeste apresentou inadimplência média de 4,83%, seguido pelo Norte, com 4,33%. Centro-Oeste registrou 3,16%, Sudeste, 3,10%, e Sul, 2,69%.

    Os números de julho produzem, portanto, duas fotografias do mercado de locação. Na primeira, mais ampla, o cenário é favorável, indicando uma inadimplência em queda pelo segundo mês observado, alcançando o menor patamar em três anos e recuando nas cinco regiões.

    Na segunda, aparecem as diferenças. Pequenos negócios e locatários dos imóveis mais baratos continuam apresentando dificuldade muito maior para manter os pagamentos em dia, enquanto os imóveis comerciais registram inadimplência superior à dos residenciais.

    A avaliação do movimento para os próximos meses será importante para mostrar se julho representa a continuidade de uma melhora mais duradoura ou apenas uma fase favorável do indicador. Com juros e inflação ainda pressionando o orçamento, a queda da média é uma boa notícia, mas a distância entre os 3,05% do mercado como um todo e os 7,27% dos imóveis comerciais mais baratos mostra que o alívio ainda não chegou com a mesma intensidade a todos os locatários.

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