Impunidade sobre STF pode alavancar direita no Senado, dizem estrategistas
Integrantes de campanhas à direita e à esquerda analisam impacto de adiamento de decisão sobre Moraes na corrida ao Senado

O adiamento da análise sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pode prolongar, durante a campanha eleitoral, um dos principais temas que candidaturas de direita pretendem levar para a disputa pelo Senado: a responsabilização de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Candidatos da direita Brasil afora têm usado a defesa de impeachment de integrantes da corte como bandeira eleitoral.
O pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise do caso por até 90 dias e deixou em aberto a definição sobre o rito dos processos envolvendo Moraes e André Mendonça. Na prática, a discussão pode atravessar o período eleitoral e se estender até dezembro.

Estratégistas de partidos de direita ouvidos pela CNN Brasil avaliam que a falta de uma conclusão sobre o caso pode alimentar, entre eleitores já críticos ao Supremo, a percepção de que ministros da Corte não são submetidos aos mesmos mecanismos de responsabilização cobrados de outras autoridades.
A avaliação é de que candidaturas ao Senado podem explorar esse sentimento de “impunidade” para defender uma mudança na correlação de forças da Casa e a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
O tema, porém, já estava incorporado à estratégia eleitoral da direita antes da sessão desta semana. Em março, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou à CNN Brasil que o impeachment de ministros havia se transformado em uma pauta eleitoral relevante e que a posição dos candidatos sobre o assunto seria considerada pelos eleitores.

Uma pesquisa Genial/Quaest ajuda a dimensionar o potencial eleitoral da pauta: 66% dos entrevistados disseram considerar importante votar em um candidato ao Senado comprometido com o impeachment de ministros do STF .
Do outro lado, estrategistas de partidos de esquerda ouvidos pela CNN Brasil avaliam que a campanha deve evitar que a eleição para o Senado fique concentrada exclusivamente na crise entre STF e oposição.
A orientação, nessas candidaturas, é manter o discurso associado a problemas apontados como prioritários pelo eleitorado, como endividamento das famílias, segurança pública e questões específicas de cada estado.

A disputa pelo Senado ganha peso adicional neste ano porque cabe à Casa analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Hoje, há 109 pedidos de afastamento de integrantes da Corte protocolados no Senado , sendo 55 contra Moraes , segundo levantamento da CNN Brasil .
Com o adiamento, portanto, a discussão sobre os limites de atuação do STF e sobre a responsabilização de seus ministros permanece aberta justamente durante a campanha.
Para estrategistas da direita, isso vira oportunidade para ampliar o uso da crise institucional como pauta eleitoral. Para a esquerda, o desafio é impedir que o tema substitua questões econômicas, sociais e regionais na escolha dos senadores.

Fachin perde comando de crise no STF; entenda | BASTIDORES CNN




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/impunidade-sobre-stf-pode-alavancar-direita-no-senado-dizem-estrategistas/.

Plenário do Senado Federal durante sessão • Carolna Curi/Agência Senado · • Carolna Curi/Agência Senado — Foto: CNN Brasil
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