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    Imprensa internacional vê força da direita e cita 'troféu que falta para Trump' após avanço de Flávio sobre Lula

    O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras deste domingo (4) repercutiu na imprensa internacional. Leia mais (10/05/2026 - 10h35)

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 13:35
    Imprensa internacional vê força da direita e cita 'troféu que falta para Trump' após avanço de Flávio sobre Lula
    Dois retratos lado a lado mostram Lula usando chapéu claro com faixa preta e segurando microfone, e Bolsonaro com expressão séria, ambos em ambiente público. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras deste domingo (4) repercutiu na imprensa internacional.

    Jornalistas acompanham resultados da votação do primeiro turno das eleições, no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília - Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters · Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters
    Jornalistas acompanham resultados da votação do primeiro turno das eleições, no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília - Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters · Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Veículos dos Estados Unidos , da Europa e da América Latina destacaram o avanço do senador Flávio Bolsonaro ( PL ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e associaram o resultado ao crescimento de líderes de direita na região .

    Para o jornal francês Le Monde, "Lula paga o preço pelo descontentamento dos eleitores", enquanto publicações como o The New York Times e o El País apontaram fragilidades na coalizão governista e o peso do endividamento das famílias brasileiras na decisão do voto.

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    Lula e Trump na Casa Branca
    Lula e Trump na Casa Branca — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Se Bolsonaro derrubar Lula no segundo turno, será a maior vitória até agora para a direita em ascensão da América Latina", diz o The New York Times. O jornal norte-americano destaca que uma possível vitória do senador do PL também pode levar ao poder um aliado entusiasmado de Donald Trump e ajudar Washington a avançar em seu objetivo de dominar a região.

    O jornal classifica o Brasil como o "troféu que falta" para a Casa Branca e lembra que o filho de Jair Bolsonaro (PL) prometeu fortalecer laços comerciais com os Estados Unidos.

    "Se Lula conseguir se recuperar do revés de domingo, isso pode ser visto como uma resistência à direita latino-americana. Enquanto muitos outros líderes latinos se alinham , Lula desafiou Trump diversas vezes, alertando-o para não se intrometer nos assuntos de seu país."

    O presidente Lula (centro) se pronuncia cercado por apoiadores, em São Paulo, após a divulgação dos resultados do primeiro turno - Jin Haoyuan - 4.out.26/Xinhua · Jin Haoyuan - 4.out.26/Xinhua
    O presidente Lula (centro) se pronuncia cercado por apoiadores, em São Paulo, após a divulgação dos resultados do primeiro turno - Jin Haoyuan - 4.out.26/Xinhua · Jin Haoyuan - 4.out.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o francês Le Monde, "Lula paga o preço pelo descontentamento dos eleitores". O jornal narra que a festa de petistas reunidos no Rio de Janeiro para aguardar os resultados rapidamente se transformou em "um comício melancólico".

    "Vestidos de vermelho, apoiadores do presidente Lula, com rostos fechados e cerveja na mão, seguiram uma grande tela onde os resultados eram exibidos. Alguns analisavam nervosamente seus celulares para checar se os números eram reais. Outros enfrentaram os fatos : choravam ou apoiavam a cabeça nas mãos."

    A publicação ressalta que os resultados deste domingo comprovam que o bolsonarismo segue vivo no Brasil e que virar o resultado no segundo turno será um dos maiores desafios da carreira política de Lula.

    Manchete do jornal espanhol El País fala em 'vitória arrasadora da direita no Brasil' após resultados do primeiro turno - Reprodução · Reprodução
    Manchete do jornal espanhol El País fala em 'vitória arrasadora da direita no Brasil' após resultados do primeiro turno - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Le Figaro diz que a votação de Flávio Bolsonaro surpreendeu porque as pesquisas apontavam uma leve vantagem para Lula até a véspera da eleição. Assim como em 2018, os institutos de pesquisa teriam subestimado a força da direita.

    Segundo o Le Parisien, o herdeiro de Bolsonaro está prestes a vencer o duelo contra Lula. Antes de ser escolhido pelo pai como seu sucessor político, Flávio era relativamente pouco conhecido em âmbito nacional. Por isso, comemorou o resultado do primeiro turno, demonstrando confiança em uma vitória final no segundo turno de 25 de outubro.

    O espanhol El País fala em vitória "esmagadora" da direita e diz que o presidente Lula terá três semanas para tentar reconstruir a coalizão que em 2022 nasceu da rejeição de Jair Bolsonaro (PL) e vaticinou: "O retorno da extrema-direita está chegando".

    Veja fotos da visita de Javier Milei a Tarcísio de Freitas (Republicanos)
    Veja fotos da visita de Javier Milei a Tarcísio de Freitas (Republicanos) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a publicação espanhola, a intenção de concorrer a um quarto mandato , que terminaria aos 85 anos, foi uma aposta profundamente pessoal de Lula, mencionando que o atual presidente perdeu votos em comparação a 2022.

    "Ele mantém uma base eleitoral formidável e um legado de políticas sociais que transformaram a vida de milhões de brasileiros. Mas para parte desses eleitores, a economia diária, o crédito caro e o cansaço pesam mais do que a memória das conquistas."

    Nas palavras do jornal argentino Clarín, o que ocorreu neste domingo foi uma virada "surpreendente e dramática". A publicação destacou a abstenção (21%), e interpretou o resultado como um voto de castigo dos eleitores de baixa renda, tradicionalmente fiéis a Lula, sufocados por dívidas.

    Manchete do italiano La Repubblica após primeiro turno: 'Eleições no Brasil caminham para o segundo turno; Bolsonaro supera Lula no primeiro turno: 'É o fim da esquerda.' - Reprodução · Reprodução
    Manchete do italiano La Repubblica após primeiro turno: 'Eleições no Brasil caminham para o segundo turno; Bolsonaro supera Lula no primeiro turno: 'É o fim da esquerda.' - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O país é um sucesso macro, com números notáveis, mas esses resultados não chegaram aos bolsos daquele grande espaço de eleitores que se endividam para pagar despesas básicas." Já o La Nación escreve que Flávio Bolsonaro se tornou a nova esperança da direita da América Latina, como representante do que o presidente Javier Milei chamou de "onda azul" de governantes de direita e ultradireita que têm sido eleitos no continente.

    "É possível que Lula tenha alcançado seu teto e um limite muito claro, o que entra em conflito com uma sociedade cada vez mais conservadora e, portanto, de direita", diz o diário argentino.

    O resultado do primeiro turno no Brasil foi destaque nos principais jornais italianos nesta segunda (5). Além da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), a imprensa comentou sobre o sucesso da família e o interesse do americano Donald Trump pela disputa.

    Joesley Batista e Milton Maluhy Filho participam de evento do Esfera Brasil em SP
    Joesley Batista e Milton Maluhy Filho participam de evento do Esfera Brasil em SP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não há dúvida de que se trata de uma vitória inesperada [de Flávio], mas também de uma derrota desastrosa para Lula, que aparecia em vantagem em todas as principais pesquisas", escreveu Laura Lucchini, enviada especial ao Brasil do La Repubblica.

    A publicação chamou a atenção para a eleição de Michelle Bolsonaro ao Senado. "A vitória vai além do peso simbólico do sobrenome", diz. "É a primeira vez que o clã deve pensar no próprio futuro sem o patriarca em campo . E Michelle, com seu perfil religioso e uma capacidade de mobilização que vai além da família, aparece como uma das possíveis protagonistas desta sucessão."

    Para o Corriere della Sera, foi uma "megaeleição à sombra dos Estados Unidos" e afirma que o programa de "Bolsonaro Jr." imita "a receita do argentino Javier Milei". "No plano internacional, Flávio se alinha à nova ‘internacional de direita’ guiada por Trump que nos últimos anos conquistou grande parte da América Latina", escreveu o jornal.

    Pessoas observam tela grande exibindo resultados parciais da eleição para senador em ambiente escuro. Câmeras e tripés estão posicionados ao fundo.
    Pessoas observam tela grande exibindo resultados parciais da eleição para senador em ambiente escuro. Câmeras e tripés estão posicionados ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Financial Times ouviu analistas que destacaram que Flávio Bolsonaro é o favorito no segundo turno pois a maior parte dos candidatos à Presidência derrotados neste domingo, como Ronaldo Caiado ( PSD ) e Romeu Zema (Novo), também é de partidos de direita, em uma eleição marcada por forte polarização.

    Segundo o veículo, a campanha do PL prioriza combate ao crime organizado, redução de gastos públicos, maior aproximação com os EUA e a libertação de Jair Bolsonaro.

    "O mercado reage positivamente à vantagem de Bolsonaro, diante da expectativa de maior rigor fiscal e reformas pró-crescimento; contratos ligados ao real e um ETF de ações brasileiras registraram fortes altas."

    Lula, de terno azul, está no centro da imagem com a mão no rosto em gesto pensativo. Ao redor, pessoas observam, algumas com expressões sérias, em frente a fundo colorido com faixas verde, amarela e vermelha.
    Lula, de terno azul, está no centro da imagem com a mão no rosto em gesto pensativo. Ao redor, pessoas observam, algumas com expressões sérias, em frente a fundo colorido com faixas verde, amarela e vermelha. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A BBC destacou que a corrupção tornou-se um tema central na campanha brasileira, após o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A rede lembra que a fraude financeira envolve altos escalões do espectro político brasileiro, ministros do Supremo —com impacto indireto na campanha petista— e o próprio Flávio, que reconheceu que pediu a Vorcaro que financiasse a cinebiografia "Dark Horse".

    "Lula criticou a designação de facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos, mas lançou várias reformas para combater as redes financeiras de crime organizado, melhorar investigações de homicídio e investir em prisões", diz a BBC. "A economia também tem sido central para essa campanha: o país apresenta altos níveis de dívida pessoal e crescimento desacelerado."

    A Xinhua, principal portal de notícias da China , citou o "fator EUA" como uma das questões da eleição brasileira ao mencionar proximidade de Trump com Flávio. O site reproduziu a fala do candidato do PL na qual ele afirma que, se eleito, pressionaria para que o Brasil se tornasse um "aliado próximo" dos americanos.

    Grupo de pessoas em ambiente interno, algumas usando camisetas verdes e amarelas, celebram com sorrisos e gestos de vitória. Microfones e equipamentos de imprensa estão à frente, indicando coletiva ou evento público.
    Grupo de pessoas em ambiente interno, algumas usando camisetas verdes e amarelas, celebram com sorrisos e gestos de vitória. Microfones e equipamentos de imprensa estão à frente, indicando coletiva ou evento público. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O texto cita ainda a pressão tarifária de Washington sobre o Brasil e os desentendimentos entre os dois governos, mencionando, por exemplo, os vistos brasileiros negados a autoridades americanas.

    O site menciona ainda a exigência de Trump pelo fim do processo contra Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, e cita uma queda na confiança do brasileiro em relação aos EUA.

    "Analistas acreditam que a confiança do público brasileiro nos Estados Unidos continua a diminuir, limitando a eficácia do apoio americano a Flávio Bolsonaro. Além disso, a forte interferência dos EUA nos assuntos internos do Brasil pode fortalecer o apoio ao governo Lula entre alguns eleitores", afirma.

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    Na Coreia do Sul, o jornal especializado em economia Herald Economy também cita Trump como um fator de mobilização dos eleitores conservadores. "O candidato Bolsonaro angariou votos capitalizando-se na frustração dos eleitores decepcionados com a má gestão econômica do governo Lula", diz.

    Já o jornal sul-coreano Seoul Shinmun afirma que a "dinastia de extrema direita" assumiu a liderança da corrida presidencial, além de citar a eleição de Michelle e Carlos Bolsonaro para o Senado.

    No Japão, a TV Kyoto também cita o posicionamento "pró-americano" de Flávio, enquanto o Nikkei destaca que as abordagens econômicas e diplomáticas dos candidatos apresentam opções de futuro contrastantes para o Brasil.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/imprensa-internacional-ve-forca-da-direita-e-cita-trofeu-que-falta-para-trump-apos-avanco-de-flavio-sobre-lula.shtml.

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    Jornalistas acompanham resultados da votação do primeiro turno das eleições, no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília - Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters · Mateus Bonomi - 4.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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