Importações chinesas ameaçam empregos brasileiros, diz ex-embaixador
Mexicano Jorge Guajardo defende adoção de barreiras contra política industrial da China e possibilidade de “desindustrialização”

Mexicano Jorge Guajardo defende adoção de barreiras contra política industrial da China e possibilidade de “desindustrialização”
O ex-embaixador do México na China Jorge Guajardo disse nesta 3ª feira (29.set.2026) que importações chinesas podem ameaçar empregos na indústria brasileira. O diplomata defende que governos adotem barreiras comerciais contra a entrada de produtos da China, incluindo o Brasil.
Guajardo, que representou seu país na China de 2007 e 2013, avalia que a atual política industrial chinesa é uma ameaça a diversos países ao redor do mundo. Segundo o diplomata, a estratégia do governo de Xi Jinping consiste em estimular a manufatura no país mesmo diante de um cenário em que não há mercado interno para absorver essa produção.

“Eles estão praticamente produzindo para exportar para o resto do mundo. E estão exportando em quantidades tais que isso pode ser uma ameaça para as nossas indústrias se simplesmente deixarmos as nossas portas abertas” , disse o ex-embaixador em entrevista ao Poder360 , após participação no Congresso Aço Brasil 2026 , em São Paulo.
Durante sua palestra no evento, Guajardo apresentou a representantes da cadeia brasileira do aço o diagnóstico de que a China será capaz de “desindustrializar” o mundo inteiro com suas exportações caso os países não fechem suas fronteiras comerciais.
O diplomata usou como exemplo o setor automotivo, em que a China produziu 1 milhão de carros em 2020 e deve atingir 12 milhões em 2026, quase o equivalente a todo o mercado europeu, que é de 11 milhões, segundo o ex-embaixador.

“E eu uso esses 2 números porque essa margem de erro é praticamente o tamanho do mercado automotivo do Brasil. É esse o volume que a China está fabricando e exportando. As importações chinesas ameaçam os empregos brasileiros, sem dúvida. Se deixarmos as portas abertas, esses carros produzidos na China que estão sendo exportados vão gerar desemprego no Brasil” , afirma Guajardo.
Para combater a “ ameaça” chinesa, o ex-embaixador diz ser necessário impor o quanto antes barreiras às importações do país asiático, como tarifas e regulações.
“Precisamos parar isso na fronteira porque, caso contrário, eles vão desindustrializar os nossos países. É muito difícil competir com a China. Não há uma única indústria em que eu consiga pensar que competiria com sucesso com a China” , afirma.
Segundo Guajardo, como a indústria chinesa recebe mais subsídios e apoio governamental do que qualquer outra, o país tem a capacidade de investir em manufatura em setores nos quais sequer tem vantagens comparativas em relação a outros países.
“Isso é problemático porque, se estivéssemos apenas importando aquelas coisas que não produzimos, eu diria: ‘Ótimo, tragam mais disso.’ Mas a China agora está entrando com exportações de coisas que nós produzimos, como aço, petroquímicos, carros. E eu diria: ‘Vamos garantir que protegeremos nossos trabalhadores’” .
Para o ex-embaixador, o Brasil ainda não está atrasado na aplicação de tarifas aos chineses, mas pode ficar em “1 ou 2 anos”. “Esse processo de desindustrialização acontece tão rápido que, quando vocês perceberem, será tarde demais. Mas ainda não é tarde” , declarou.
O Congresso Aço Brasil 2026 é o principal evento do setor do país. O encontro é realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Em sua 36ª edição, o evento reúne, nos 2 dias de programação, os principais representantes da indústria do aço, além de especialistas e lideranças do cenário econômico e empresarial. O objetivo é debater as perspectivas do setor e sua importância para o desenvolvimento do Brasil.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-china/importacoes-chinesas-ameacam-empregos-brasileiros-diz-ex-embaixador/.

O ex-embaixador do México na China Jorge Guajardo deu entrevista no estúdio do Poder360 durante participação no Congresso Aço Brasil, em São Paulo — Foto: Poder360
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