Brasil

    Impasse sobre dez áreas de urânio trava 1.168 processos minerários no país

    A indefinição sobre o destino de dez grandes áreas com presença de urânio trava hoje 1.168 processos minerários de outras substâncias no país. São projetos de minerais críticos como terras raras e níquel, além de ouro, ferro, cobre, manganês e bauxita que se misturam a áreas com urânio. Leia mais (08/26/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 16:00
    Impasse sobre dez áreas de urânio trava 1.168 processos minerários no país
    A imagem mostra um canteiro de obras em uma área de mineração. Há uma escavadeira amarela em operação, removendo rochas em um terreno acidentado. Um caminhão basculante está carregando material, enquanto um veículo menor está estacionado em — Foto: Folha de S.Paulo

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    A indefinição sobre o destino de dez grandes áreas com presença de urânio trava hoje 1.168 processos minerários de outras substâncias no país. São projetos de minerais críticos como terras raras e níquel, além de ouro, ferro, cobre, manganês e bauxita que se misturam a áreas com urânio.

    Lavra a céu aberto de exploração de urânio pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil) - Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress · Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress
    Lavra a céu aberto de exploração de urânio pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil) - Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress · Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como as jazidas do minério nuclear são o monopólio da União, cabendo apenas à estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) fazer a sua exploração, essas regiões ficam reservadas para o governo federal, para que um dia sejam acessadas.

    Essa situação criou uma espécie de trava sobre outros minérios existentes nos mesmos locais. Um levantamento da ANM (Agência Nacional de Mineração) ao qual a Folha teve acesso quantificou o resultado dessa sobreposição.

    As dez jazidas de urânio estão concentradas em Caldas (MG), Lagoa Real (BA), Santa Quitéria (CE), Rio Cristalino (PA), Gandarela (MG), Amorinópolis (GO), Rio Preto (GO), Figueira (PR) e Espinharas (PB). Há ainda a área conhecida como Cajá, que abrange um território que pega parte do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba.

    Disputa por níquel brasileiro expõe embate global bilionário por mineral crítico
    Disputa por níquel brasileiro expõe embate global bilionário por mineral crítico — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há pressa, dentro do MME (Ministério de Minas e Energia), para quebrar o monopólio da INB no setor e permitir que sejam feitas parcerias entre a estatal e a iniciativa privada. A pasta encaminhou a minuta de um decreto para regulamentar uma lei de 2022 que abre caminho para essa atuação casada.

    Questionado pela reportagem, o MME declarou que, "atualmente, a otimização do tratamento dessas áreas é objeto de agenda em curso no governo federal" e que "concluiu e encaminhou à Casa Civil da Presidência da República uma minuta de decreto" sobre o assunto.

    A Casa Civil confirmou que analisa o texto, mas não deu uma previsão sobre quando deve ser publicado. "A proposta está em discussão entre as áreas técnicas do governo, em articulação com o Ministério de Minas e Energia. O texto segue em análise e será publicado após a conclusão das avaliações e dos trâmites necessários", disse a pasta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Parte das áreas mapeadas está reservada há décadas, sem que o potencial de urânio tenha se transformado em exploração comercial, enquanto pedidos para pesquisar e explorar outros minerais se acumularam sobre os mesmos territórios.

    A maior parte desse passivo está concentrada em apenas duas das dez regiões. Segundo a ANM, o bloqueio de Cajá, na região Nordeste, interfere em 943 processos minerários, enquanto o de Amorinópolis, em Goiás, alcança outros 166. Juntas, as duas áreas respondem por 1.109 dos 1.168 processos atingidos pelas restrições.

    Dos 1.168 processos identificados pela ANM, 1.135 estão em áreas classificadas como de restrição total. Nesses locais, a regra adotada pela agência é mais rígida, na qual pedidos totalmente sobrepostos à área reservada ao urânio são negados, enquanto aquele que atinge apenas parte dela tem só a parcela sobreposta retirada.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outros 33 processos têm restrição parcial. Nesses casos, a exploração de outro minério pode ser admitida após uma análise de compatibilidade pela agência.

    Para destravar essas áreas, a INB declarou que trabalha na modelagem do Prourânio (Programa de Parcerias em Pesquisa e Lavra de Urânio e Recursos Minerais Associados).

    "Os trabalhos concentram-se na avaliação da viabilidade técnica, econômica e socioambiental dos projetos, bem como na estruturação de modelos de parceria e mecanismos de financiamento", disse.

    A iniciativa conta com o apoio do BNDES, que participa como agente estruturador e financeiro. Questionada sobre parcerias em andamento, a INB disse que já recebeu manifestações de interesse de empresas nacionais e estrangeiras, sem citar nomes.

    "Há interesse de grupos e investidores de diferentes países com atuação ou interesse no setor de mineração e no mercado de urânio, incluindo Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido e Rússia, entre outros", declarou.

    A ANM (Agência Nacional de Mineração) afirmou que "reconhece a relevância do tema e acompanha as discussões relacionadas às áreas com potencial ocorrência de elementos nucleares e seus reflexos sobre os processos minerários de outras substâncias".

    No Brasil, o urânio é usado principalmente como combustível para a geração de energia nas usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro, que respondem por cerca de 2% da eletricidade produzida no país. A usina de Angra 3 permanece em construção.

    O mineral também tem aplicações ligadas à pesquisa e à produção para medicina, indústria e outras atividades nucleares.

    O Brasil tem uma das maiores reservas conhecidas de urânio do mundo, em torno da oitava maior, segundo dados oficiais, mas hoje explora comercialmente apenas uma mina, em Caetité (BA), e produz bem menos do que seu potencial.

    As reservas brasileiras conhecidas somam cerca de 280 mil toneladas de urânio, e o próprio governo reconhece que grande parte do território nacional ainda não foi prospectada, o que significa que esse volume pode ser maior.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/impasse-sobre-dez-areas-de-uranio-trava-1168-processos-minerarios-no-pais.shtml.

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    Lavra a céu aberto de exploração de urânio pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil) - Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress · Sérgio Lima - 03.dez.10/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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