Política

    Impasse entre Mendonça e PGR trava investigações contra Lulinha

    Relator atrasa decisão sobre pedido para levar o caso para a 1ª instância; novas diligências da PF correm risco de não terem parecer do Ministério Público

    Poder360
    9 de setembro de 2026 às 09:00
    Impasse entre Mendonça e PGR trava investigações contra Lulinha
    Foto: Poder360

    Relator atrasa decisão sobre pedido para levar o caso para a 1ª instância; novas diligências da PF correm risco de não terem parecer do Ministério Público

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sinalizou que não vai julgar ainda o pedido da Procuradoria Geral da República para levar os 2 inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , para a 1ª instância. Segundo a PGR, os casos envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não têm relação com as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e também não investigam autoridades com foro privilegiado.

    O Poder360 apurou que, sem um posicionamento de Mendonça sobre o juiz competente para o caso, novas diligências dos investigadores ficam sem um parecer do Ministério Público. Ou seja, se a Polícia Federal pedir quebras de sigilos, busca e apreensão ou até medidas cautelares, a PGR voltará a requisitar que seja decidido se o caso fica no Supremo ou não.

    Na imagem, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha
    Na imagem, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Esse impasse entre o relator e o Ministério Público deve trazer graves riscos para o andamento dos inquéritos que buscam possível crime de tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo Lulinha; a lobista Roberta Luchsinger ; o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro (o Marcola); e o ex-secretário do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa. Também são alvos o ex-assessor parlamentar Gustavo Marques Gaspar e o empresário Cleber Ribas.

    O Ministério Público é a única instituição que tem a atribuição de denunciar criminalmente, além de fiscalizar as investigações policiais. Sem o esclarecimento do relator sobre o juiz competente, é possível que sejam alegadas possíveis nulidades na investigação.

    Este jornal digital apurou que Mendonça entende que os inquéritos devem continuar sob sua relatoria. Caso o ministro negue o pedido para declinar a competência, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, responsável pelo caso na PGR, deve apresentar um recurso e levar a questão para a 2ª Turma do STF.

    Conforme noticiou o Poder360 , a PGR não encontrou um elo entre os negócios de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” , e a atuação de Lulinha. Segundo os inquéritos, a lobista Roberta Luchsinger buscava junto a integrantes do governo Lula liberar contratações para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis.

    Em um 2º inquérito, o grupo é investigado por buscar contratos de tecnologia com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), empresa estatal responsável pela gestão dos dados e informações tecnológicas da Previdência Social.

    Somente com uma decisão da 2ª Turma o caso poderá seguir até eventual arquivamento ou indiciamento dos investigados. Contudo, ainda caberia à PGR decidir se apresenta ou não a denúncia.

    A defesa de Lulinha afirma que os elementos apresentados nos autos justificam o arquivamento do inquérito. Para o advogado Marco Aurélio Carvalho, o filho do presidente carrega “o peso do nome” em um período eleitoral. A defesa também critica o vazamento seletivo de informações e diz que há uma apuração paralela para investigar possível motivação política na atuação dos investigadores.

    A defesa de Marcola também criticou o vazamento de informações e disse que “Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária” .

    A equipe de defesa de Roberta Luchsinger disse que não vai se manifestar publicamente sobre o inquérito que tramita em sigilo. A defesa de Gustavo Gaspar também declarou que não pretende apresentar um posicionamento público.

    A advogada Danyelle Galvão, que representa o Careca do INSS, não quis se manifestar. A defesa de Cleber Ribas diz que não houve contratação com a Dataprev.

    O Poder360 busca contato com a defesa de Swedenberger do Nascimento Barbosa.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/impasse-entre-mendonca-e-pgr-trava-investigacoes-contra-lulinha/.

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    Na imagem, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: Poder360

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