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    Impasse em Hormuz eleva petróleo e espalha risco inflacionário

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    Folha de S.Paulo
    21 de agosto de 2026 às 18:24
    Impasse em Hormuz eleva petróleo e espalha risco inflacionário
    Navio petroleiro grande navegando em mar aberto sob céu claro. Montanhas desfocadas aparecem ao fundo no horizonte. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Petroleiro Odessa navega no porto de Daesan, Coreia do Sul, após atravessar o Estreito de Hormuz com o transponder desligado - Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters · Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters
    Petroleiro Odessa navega no porto de Daesan, Coreia do Sul, após atravessar o Estreito de Hormuz com o transponder desligado - Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters · Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    O hemisfério norte se aproxima do fim das férias de verão sem saber quanto petróleo atravessa o estreito de Hormuz . Boa parte dos navios que ainda cruzam a passagem —por onde escoava um quinto do petróleo mundial antes da guerra— desliga os transponders, aparelhos que transmitem identificação e posição, para não virar alvo. O rastreamento virou exercício de estimativa sobre imagens de satélite. Há dois meses o quadro parecia resolvido. O memorando assinado por americanos e iranianos em junho previa a retomada gradual da navegação. O mercado tratou o problema como encerrado e o barril chegou a cair abaixo de US$ 70 no início de julho.

    O acordo desmoronou em semanas, depois que o Irã voltou a atacar navios e Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos, e o prazo de 60 dias para negociar um substituto venceu na segunda-feira (17) sem nada no lugar. Na terça, Donald Trump publicou em sua rede social a imagem de um mapa com o estreito circulado e a legenda "novo território dos Estados Unidos" , e horas depois negou que houvesse conversas em curso com Teerã, afirmando que a passagem está aberta e as minas, removidas. O Irã chamou o mapa de delírio, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, listou o preço da reabertura: fim do bloqueio naval, liberação de ativos congelados, suspensão das sanções ao petróleo e fim das operações militares em todas as frentes. Omã tenta mediar sob ameaça de bombardeio do próprio Trump, caso atrapalhe.

    Post do presidente americano Donald Trump indica o estreito de Hormuz como novo território americano - Donald Trump no Social Truth/Reprodução · Donald Trump no Social Truth/Reprodução
    Post do presidente americano Donald Trump indica o estreito de Hormuz como novo território americano - Donald Trump no Social Truth/Reprodução · Donald Trump no Social Truth/Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fontes respeitadas não confirmam a versão americana. A Administração de Informação sobre Energia (EIA), braço estatístico do Departamento de Energia dos Estados Unidos, calcula que o fluxo pelo estreito caiu para menos de um quarto do nível anterior à guerra. Ela trabalha com a hipótese de que os embarques sigam severamente restritos ao longo de agosto e não espera que a produção e as rotas de comércio voltem ao padrão pré-conflito antes do início de 2027. Enquanto isso, os estoques mundiais continuam sendo consumidos. Na segunda-feira, Trump afirmou que os preços do petróleo estavam caindo; na manhã seguinte, o Brent passava de US$ 91, o maior valor desde julho. Petróleo caro é, antes de tudo, um problema inflacionário, e por isso a guerra reaparece na conta de juros de países que nada têm a ver com o Golfo. No Brasil, o Boletim Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com o mercado, projeta a Selic em 13,75% no fim do ano, com a inflação em torno de 5%, acima do teto da meta. Nem tudo é petróleo —o quadro fiscal pesa cada vez mais—, mas a aposta em juros bem menores foi engavetada.

    Na Europa, o problema aparece com mais nitidez no gás do que no petróleo. Os carregamentos do Qatar estão retidos, os estoques do continente são repostos abaixo do ritmo necessário e cada carga disponível é disputada com compradores asiáticos, com o preço de referência perto do dobro do de um ano atrás. A geografia da escalada também muda diariamente. O Financial Times informou nesta quarta-feira que comandantes iranianos avaliaram atacar instalações americanas no sudeste europeu , entre elas a Bulgária, que autorizou no mês passado o uso de uma base aérea por aviões de reabastecimento dos Estados Unidos. Aniseh Bassiri Tabrizi, pesquisadora do Chatham House, argumenta em artigo recente que a guerra falhou nas apostas que a justificaram: o regime não caiu, a capacidade militar iraniana não foi destruída e Teerã não capitulou. O que o Irã faz desde então não é buscar vitória militar, e sim impor desgaste. Atacar os petroleiros que cruzam o estreito, os terminais e portos dos vizinhos do Golfo e as bases americanas na região custa pouco em armamento e cobra caro do adversário em economia e política. Foi por essa lógica que o controle de Hormuz entrou na lista de interesses que o regime considera inegociáveis. Se Washington seguir partindo de premissas já desmentidas, adverte ela, corre o risco de combater "um regime iraniano que existe mais em suas expectativas do que na realidade".

    Gosto da ideia de declarar o estreito um território

    Profissional de saúde próximo a pessoas que aguardam o sepultamento de vítimas com suspeita de ebola em Kigonze - Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.2026/Reuters · Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.2026/Reuters
    Profissional de saúde próximo a pessoas que aguardam o sepultamento de vítimas com suspeita de ebola em Kigonze - Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.2026/Reuters · Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    a repórteres na Casa Branca, na segunda-feira (17), sobre o Estreito de Hormuz

    A epidemia de ebola no leste da República Democrática do Congo tornou-se a mais mortal da história do país . O boletim do Instituto Nacional de Saúde Pública divulgado no início da semana registra 4.945 casos confirmados e 2.325 mortes, acima das 2.299 do registrado em 2018-2020. O surto atual foi declarado em 15 de maio, com semanas de atraso, em regiões onde a presença do Estado é frágil e a rede de saúde, precária. A letalidade chega a 46%, e não há vacina nem tratamento aprovados contra a cepa Bundibugyo.

    Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês que descobriu o vírus em 1976, disse ao Le Monde que a doença avança a "uma velocidade que nunca havíamos observado". Ele atribui parte da falha na resposta ao desmantelamento da Usaid, a agência americana de desenvolvimento, no início de 2025, que enfraqueceu a vigilância epidemiológica no país. Nesta terça (18), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a epidemia está "longe de estar sob controle" e que o risco de disseminação internacional segue alto. O tema deveria gerar mais atenção da comunidade internacional.

    Cena do filme 'Fjord', de Cristian Mungiu - Divulgação · Divulgação
    Cena do filme 'Fjord', de Cristian Mungiu - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que monitorar até a próxima quarta-feira (26)

    "Fjord", de Cristian Mungiu , filme que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano, estreou nesta semana nas salas francesas. Um casal de forte religiosidade deixa Bucareste e se instala na Noruega, no vilarejo natal da mulher, no fundo de um fiorde. Quando uma professora nota hematomas no corpo de uma das filhas, a comunidade começa a discutir a educação que os pais dão às crianças, e o serviço de proteção infantil entra na história. É a segunda Palma de Mungiu, 19 anos depois de "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias". No Brasil, a estreia está marcada para 4 de fevereiro de 2027.

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    Pessoa vestindo traje branco de proteção com faixa laranja e óculos de segurança está em primeiro plano, cercada por grupo de moradores locais, incluindo mulheres e crianças, em área com casas de telhado de barro ao fundo.
    Pessoa vestindo traje branco de proteção com faixa laranja e óculos de segurança está em primeiro plano, cercada por grupo de moradores locais, incluindo mulheres e crianças, em área com casas de telhado de barro ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Seis pessoas, três adultos e três crianças, posam próximas a um corpo d'água em vilarejo com casas coloridas e montanhas nevadas ao fundo. O grupo está agasalhado e sorri para a câmera em ambiente externo nublado.
    Seis pessoas, três adultos e três crianças, posam próximas a um corpo d'água em vilarejo com casas coloridas e montanhas nevadas ao fundo. O grupo está agasalhado e sorri para a câmera em ambiente externo nublado. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/impasse-em-hormuz-eleva-petroleo-e-espalha-risco-inflacionario.shtml.

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    Petroleiro Odessa navega no porto de Daesan, Coreia do Sul, após atravessar o Estreito de Hormuz com o transponder desligado - Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters · Kim Soo-hyeon - 8 de maio de 2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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