Imobilidade paulistana
Como um ecossistema, a mobilidade urbana depende de uma articulação entre modais de transporte, restrições e incentivos que favoreça a locomoção. A maior metrópole brasileira, contudo, enfrenta graves desequilíbrios, como indica levantamento da Folha . Leia mais (09/23/2026 - 22h00)

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Como um ecossistema, a mobilidade urbana depende de uma articulação entre modais de transporte, restrições e incentivos que favoreça a locomoção. A maior metrópole brasileira, contudo, enfrenta graves desequilíbrios, como indica levantamento da Folha .
A frota de São Paulo —carros, motos, ônibus , entre outros— subiu de 4,3 milhões em julho de 2006 para 10,1 milhões em julho deste ano , de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito .
Um dos fatores que contribui para essa expansão é a precariedade do transporte público , e uma de suas consequências é a lentidão nos deslocamentos.

Uma comparação com Nova York ajuda a visualizar a dimensão do problema. São Paulo tem 11,9 milhões de habitantes e mais de 10 milhões de veículos, ante 8,5 milhões e 2,2 milhões, respectivamente, na cidade americana.
A rede metroviária de Nova York tem 399 km de extensão e 472 estações, o que representa 46,5 km e 55 estações por milhão de habitantes. Já a paulistana tem apenas 111 km de extensão e 98 estações (9,3 km e 8,2 estações por milhão de habitantes).
Com muitos veículos e transporte público insuficiente, vem a morosidade. A média de congestionamento registrada em agosto pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi de 460 km, a maior desde os 475 km no mesmo mês de 2019 —um ano antes de a pandemia esvaziar as ruas.

Na série da CET realizada em parceria com o aplicativo Waze, iniciada em 2023, o início da noite de 24 de junho deste ano teve a maior lentidão, com 1.690 km.
No horário de pico da tarde (às 17h), a velocidade média dos ônibus varia entre 12,7 km/h e 13 km/h, e a reclamação de passageiros sobre atrasos e longos períodos de espera é constante.
Além de medidas de longo prazo como expandir e melhorar o transporte público e aumentar a densidade urbana, há evidências de que o pedágio urbano incentiva o uso do transporte coletivo e reduz congestionamentos.
Nova York implantou a política numa zona de Manhattan em janeiro do ano passado.
Segundo a Controladoria da cidade, entre 2024 e 2025, o número de veículos na região tarifada caiu 11%, os ônibus ficaram 2,3% mais rápidos, e tanto o metrô quanto os ônibus registraram alta de 7% no número de passageiros. Fora da zona, as velocidades se mantiveram estáveis e, em alguns casos, até diminuíram.
Os governos estadual e municipal precisam unir esforços para conter desequilíbrios. O tráfego dos paulistanos não pode mais ser uma odisseia diária.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/imobilidade-paulistana.shtml.

Congestionamento na Marginal Pinheiros, em São Paulo (SP) - Danilo Verpa - 12.mar.26/Folhapress · Danilo Verpa - 12.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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