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    Igreja Presbiteriana segue conservadora, mas se distancia do bolsonarismo

    Temos indícios de que evangélicos estão se distanciando do bolsonarismo ou, mais especificamente, deixando de usar suas igrejas para atuar politicamente na sociedade, ao mesmo tempo, em que reforçam seu posicionamento conservador. Leia mais (08/19/2026 - 07h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 10:00
    Igreja Presbiteriana segue conservadora, mas se distancia do bolsonarismo
    Homem calvo com óculos, terno cinza e gravata vermelha com pontos brancos, gesticula com as mãos abertas em ambiente interno com fundo neutro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Teólogo e pastor Juarez Marcondes Filho, novo presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) - Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress · Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress
    Teólogo e pastor Juarez Marcondes Filho, novo presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) - Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress · Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    doutorando em ciência política pela UFSCar e pesquisador do INCT Representação e Legitimidade Democrática

    Temos indícios de que evangélicos estão se distanciando do bolsonarismo ou, mais especificamente, deixando de usar suas igrejas para atuar politicamente na sociedade, ao mesmo tempo, em que reforçam seu posicionamento conservador.

    É o que podemos concluir das várias decisões tomadas pelo Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), órgão máximo de deliberação da denominação. Com cerca de 700 mil membros, a IPB é pequena diante do pentecostalismo, mas ocupa posição desproporcional à sua estatística: forma quadros de classe média e alta, controla centros educacionais como a Universidade Presbiteriana Mackenzie e uma rede de seminários que influenciam o debate público.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As decisões do Supremo Concílio devem ter um impacto modesto sobre as eleições deste ano, comparado a como a denominação pode influenciar o campo evangélico brasileiro em sua relação com a política.

    Nesse sentido, o principal sinal dado pela IPB ao evangelicalismo brasileiro foi o de que é possível manter posições conservadoras sem, contudo, ceder sua estrutura institucional ou o púlpito de suas igrejas a partidos e candidatos.

    Havia, por exemplo, uma proposta para que fosse elaborada uma lista de partidos de esquerda aos quais membros da igreja seriam impedidos de se filiar. Diante dessa iniciativa, o Supremo Concílio reafirmou sua rejeição ao que denomina "cosmovisão marxista", mas recusou a ideia de estabelecer uma relação de partidos proibidos.

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    Outras decisões seguiram a mesma lógica. Houve uma proposta para proibir a participação de membros da igreja no movimento Legendários . Embora aprovada, ela foi transformada em recomendação, sem a previsão de mecanismos disciplinares.

    Esse segundo caso é revelador, porque os Legendários não são um partido e estão alinhados à direita. Se o critério do Concílio fosse apenas ideológico, teria bloqueado a esquerda e liberado a direita. Ao aplicar o mesmo tratamento aos dois casos, a IPB indicou que o que estava em julgamento não era a direção política do vínculo, mas o alcance da autoridade eclesiástica sobre escolhas que ela não considera suas.

    Em outras palavras, a IPB traçou uma distinção entre a doutrina da igreja e a liberdade de consciência de seus membros, retomando uma tradição cara ao protestantismo histórico. A "Confissão de Fé de Westminster", texto que resume as crenças da denominação, tem um capítulo dedicado à liberdade de consciência.

    Essa distinção aparece particularmente na declaração do novo presidente do Supremo Concílio da IPB, o reverendo Juarez Marcondes, em entrevista à Folha : "Você pode ter uma congregação em que 95% sejam de uma linha. Em respeito aos outros 5%, você não pode se partidarizar."

    Convém ser preciso sobre o que isso significa em termos democráticos. Não há problema em haver uma igreja conservadora, um pastor com posição pública, um fiel candidato ou um presbiteriano ministro de Estado —o que ocorreu mais de uma vez durante o governo Bolsonaro .

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    A democracia não pede que a religião se retire da esfera pública, mas que a filiação religiosa não se converta em obrigação eleitoral, ou seja, que o critério de pertencimento a uma comunidade religiosa não seja votar num determinado candidato ou partido.

    A linha traçada pela IPB não separa religião e política, mas defende uma posição de não excluir quem discorda dela. Uma lista de partidos proibidos, acompanhada de disciplina eclesiástica, faria do voto uma condição de pertencimento e elevaria o custo da divergência para quem organiza sua vida social e afetiva em torno da comunidade.

    Num contexto em que, segundo dados do INCT ReDem , três em cada quatro evangélicos rejeitam campanha política nos cultos, o caminho adotado pela IPB pode servir de referência para outras denominações igualmente conservadoras, cujos membros também demonstram desconforto ao verem seus púlpitos transformados em palanques eleitorais. Indiretamente, é mais uma má notícia para o bolsonarismo, de quem a denominação já esteve mais próxima.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/igreja-presbiteriana-segue-conservadora-mas-se-distancia-do-bolsonarismo.shtml.

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    Teólogo e pastor Juarez Marcondes Filho, novo presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) - Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress · Eduardo Knapp - 6.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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