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    Idosas resgatadas em casa de Belo Horizonte trabalharam sem salário por décadas, diz promotoria

    Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em condições análogas à de trabalho escravo doméstico em uma casa em Belo Horizonte , segundo o MPT-MG ( Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais ). Leia mais (09/07/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 07:00
    Idosas resgatadas em casa de Belo Horizonte trabalharam sem salário por décadas, diz promotoria
    Espaço estreito e comprido com paredes desgastadas e teto de madeira. Prateleiras à esquerda carregadas de potes plásticos coloridos e utensílios. À direita, geladeira branca e outros objetos empilhados. Luz natural entra por porta gradeada — Foto: Folha de S.Paulo

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    Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em condições análogas à de trabalho escravo doméstico em uma casa em Belo Horizonte , segundo o MPT-MG ( Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais ).

    Dependência onde idosas viviam em Belo Horizonte tinha mofo e quartos sem janelas - Reprodução/TV Globo - 3.set.26 · Reprodução/TV Globo - 3.set.26
    Dependência onde idosas viviam em Belo Horizonte tinha mofo e quartos sem janelas - Reprodução/TV Globo - 3.set.26 · Reprodução/TV Globo - 3.set.26 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com o órgão, as mulheres trabalhavam para a mesma família havia gerações, vivendo em más condições e sem acesso a salário e direitos trabalhistas .

    O resgate ocorreu no fim de agosto, em ação conjunta entre o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal e fiscais da Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, vinculada ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), e veio a público na quinta-feira (3).

    Segundo a promotoria, os donos da casa foram ouvidos pelos agentes durante o resgate e afirmaram que elas eram tratadas como familiares. O órgão contesta a versão e diz que as idosas não têm acesso a direitos patrimoniais ou às mesmas condições de educação e saúde da família proprietária.

    'Fiquei 50 anos na casa e apanhava da patroa', diz vítima de trabalho análogo à escravidão
    'Fiquei 50 anos na casa e apanhava da patroa', diz vítima de trabalho análogo à escravidão — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Folha ainda não identificou representantes legais da família. Procurado por email na tarde desta sexta-feira (4), o Ministério do Trabalho e Emprego, responsável por fiscalizações trabalhistas, não havia respondido até a publicação da matéria.

    A idosa de 90 anos trabalhava para a mesma família desde a adolescência, passando 75 anos sem registro formal ou direitos como férias . No local também vivia uma mulher de 65 anos, que morava com a família desde os cinco anos.

    As idosas seriam responsáveis pelos cuidados da casa, incluindo limpeza, alimentação dos moradores e compras no mercado.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Elas moravam em uma dependência da casa onde trabalhavam, com problemas de mofo e sem estruturas adequadas, e dormiam em quartos sem janelas.

    As duas mulheres foram encaminhadas para avaliação médica após o resgate e depois levadas à rede de acolhimento municipal.

    O caso é investigado desde março deste ano, após o recebimento de uma denúncia anônima.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A promotoria afirmou em nota que, segundo a denúncia, as duas idosas recebiam benefícios sociais do governo, mas os valores eram gerenciados pelo filho da dona da casa. O mesmo homem também gerenciava os benefícios recebidos pela própria mãe, que mora no local.

    "Por isso, nenhuma das beneficiárias tinha contato direto com os valores recebidos", diz o texto.

    A promotoria disse que também ocorriam "dificuldades de comunicação das trabalhadoras com os profissionais de saúde pública que acompanhavam a residência".

    A Defensoria Pública Estadual informou que solicitou à prefeitura de Belo Horizonte uma vaga imediata em uma Instituição de Longa Permanência para Idosas e que uma unidade já foi localizada.

    "A resposta ainda não foi formalizada, mas está sendo articulada a inclusão das idosas na proteção especial da [Secretaria Municipal de] Assistência Social e a perspectiva é de que elas recebam acompanhamento pela rede em saúde e assistência social", disse a Defensoria.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/idosas-resgatadas-em-casa-de-belo-horizonte-trabalharam-sem-salario-por-decadas-diz-promotoria.shtml.

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    Dependência onde idosas viviam em Belo Horizonte tinha mofo e quartos sem janelas - Reprodução/TV Globo - 3.set.26 · Reprodução/TV Globo - 3.set.26 — Foto: Folha de S.Paulo

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