Idaho deve permitir abortos para preservar a saúde das mulheres, decide juiz dos EUA
Um juiz dos Estados Unidos decidiu que a proibição quase total do aborto em Idaho é inconstitucional porque prevê exceções quando o procedimento é necessário para salvar vidas, mas não em casos de riscos mais amplos à saúde das gestantes. Leia mais (08/15/2026 - 08h00)

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Um juiz dos Estados Unidos decidiu que a proibição quase total do aborto em Idaho é inconstitucional porque prevê exceções quando o procedimento é necessário para salvar vidas, mas não em casos de riscos mais amplos à saúde das gestantes.

O juiz distrital dos EUA Lynn Winmill, de Boise, afirmou, em uma decisão de 81 páginas publicada na noite de quinta-feira, que o direito ao aborto para preservar a saúde é protegido pela 14ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que garante o devido processo legal e a igualdade de proteção perante a lei.
A decisão é a primeira de um juiz federal a reconhecer o direito constitucional ao aborto em determinadas circunstâncias desde que a Suprema Corte dos EUA, em 2022, revogou Roe v. Wade , a decisão de 1973 que havia legalizado o aborto em todo o país, segundo os advogados do médico de Idaho que contestou as leis estaduais na Justiça.
Idaho e outros 12 estados proibiram praticamente todos os abortos desde a decisão da Suprema Corte, e vários outros estados impõem fortes restrições ao procedimento, o que provocou uma série de contestações judiciais ainda pendentes.

Em 2024, a Suprema Corte restabeleceu uma decisão que obrigava Idaho a permitir abortos quando mulheres enfrentassem emergências médicas, mas não se pronunciou sobre o mérito do caso.
Winmill suspendeu a aplicação de duas leis de Idaho na medida em que elas proíbem médicos de prestar atendimento para aborto a pacientes com problemas graves de saúde, incluindo transtornos mentais que possam aumentar o risco de automutilação e suicídio.
"A saúde de uma mulher grávida não é um recurso do Estado a ser alocado ao bel-prazer do Legislativo", escreveu Winmill, nomeado pelo ex-presidente democrata Bill Clinton.

O procurador-geral de Idaho, Raul Labrador, republicano, afirmou que seu gabinete recorreria e disse estar confiante de que a decisão seria revertida.
"O juiz Winmill (...) legislou a partir do tribunal e inventou um novo direito constitucional ao aborto", disse Labrador em comunicado.
O autor da ação, Stacy Seyb, especialista em medicina materno-fetal, é representado pelos grupos de defesa do direito ao aborto Legal Voice e Lawyering Project, que comemoraram a decisão em comunicado.
"Esta decisão reduz o risco de que gestantes em Idaho morram ou sofram lesões graves por causas evitáveis", afirmou Stephanie Toti, diretora-executiva do Lawyering Project.
O Idaho Family Policy Center, grupo cristão conservador contrário ao aborto e que não participa do processo, afirmou que a proibição do aborto em Idaho continua amplamente em vigor, incluindo uma disposição que permite que parentes de um feto abortado processem os profissionais que realizaram o procedimento.
"Qualquer médico que realize um aborto proibido pela lei de Idaho ainda poderá ser responsabilizado por violar a lei", disse Blaine Conzatti, presidente do grupo, em comunicado.
Winmill se recusou a suspender a proibição do aborto quando o feto apresenta uma condição que limita sua expectativa de vida, a menos que essa condição represente uma ameaça grave à saúde da mãe. Ele afirmou que, embora "alguns possam considerar a lei cruel", a Constituição conferiu aos legisladores estaduais a prerrogativa de adotá-la.
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Mas o juiz disse que, há séculos, os estados reconhecem que abortos podem ser necessários para evitar danos graves e duradouros.
"Ao proibir mulheres de obter atendimento médico essencial quando a gravidez representa um grave perigo, Idaho contraria essa longa tradição e o direito subjacente de se defender de danos", escreveu.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/idaho-deve-permitir-abortos-para-preservar-a-saude-das-mulheres-decide-juiz-dos-eua.shtml.

Jillaine St.Michel abraça Rebecca Vincen-Brown, também autora da ação Adkins v. Estado de Idaho, movida pelo Centro de Direitos Reprodutivos em nome de mulheres de Idaho às quais foram negados abortos apesar de enfrentarem graves complicaçõ — Foto: Folha de S.Paulo
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