Ibram propõe a conselho de minerais critérios usados em outros países
Instituto Brasileiro de Mineração pede que órgão criado pelo governo se baseie em leis estrangeiras para definir requisitos de veto

Instituto Brasileiro de Mineração pede que órgão criado pelo governo se baseie em leis estrangeiras para definir requisitos de veto
O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) atua junto ao governo federal com propostas sobre os critérios de análise que serão usados pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos . O projeto de lei que determina a criação do órgão será sancionado nesta 4ª feira (16.set.2026), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em cerimônia no Planalto.
Responsável por representar o setor de mineração, o instituto participa das conversas do governo para definir o escopo da atuação do colegiado, que terá o poder de avaliar e homologar operações de relevância estratégica no setor, como transferências de controle societário, compartilhamento de informações geológicas ou contratos internacionais envolvendo minerais críticos e estratégicos.

Segundo o presidente do Ibram, Pablo Cesário , uma das prioridades na interlocução junto ao Planalto é que o conselho não interfira nas operações rotineiras do setor.
“Há transações todos os dias, com fusões, aquisições, mudanças de direito minerário, como é de qualquer setor da economia. A gente quer deixar completamente de fora o que são transações rotineiras, com homologação automática” , disse Cesário em entrevista ao Poder360 .
Para propor o que de fato será avaliado pelo conselho, o Ibram tem feito levantamentos com base nas legislações de países já consolidados no setor de mineração, como Reino Unido, Austrália, EUA e Canadá, que vêm criando novas regras para fiscalizar operações societárias entre mineradoras.

Cesário avalia que o conselho brasileiro deve se basear em critérios utilizados ao redor do mundo, como valor e escala da transação, a etapa do projeto dentro do ciclo da mineração, impacto na segurança de abastecimento de determinado mineral para o país, perfil do comprador e destinação final do recurso.
“Todo mundo está fazendo leis novas sobre esse assunto e acho que o Brasil construiu um modelo equilibrado” , declarou. Segundo o presidente do Ibram, o Brasil é um dos países que menos restringe investimentos estrangeiros e o PL dos Minerais Críticos não altera a estrutura do processo de atração de aportes internacionais.
“Acho que isso não vai alterar, a gente vai continuar sendo um mercado aberto, especialmente para investimento produtivo. Aliás, a gente depende desse investimento: 95% das empresas [associadas] do Ibram têm capital estrangeiro” , declarou.
Em paralelo à discussão sobre o PL dos Minerais Críticos, o Ibram atua no Congresso pelo avanço de um projeto que cria mecanismos específicos de financiamento para a mineração.
O modelo, conhecido como flow-through shares , reconhece que os gastos das empresas na etapa de pesquisa são necessários para a viabilização de uma mina, permitindo que os valores investidos nessa fase sejam convertidos em créditos tributários.
O modelo já é amplamente utilizado no Canadá e na Austrália, as duas maiores praças financeiras do setor de mineração. No Congresso brasileiro, a proposta tramita em 2 projetos de lei, dos deputados Zé Silva (União Brasil-MG) e Laura Carneiro (PSD-RJ).
Segundo o presidente do Ibram, um projeto de mineração no Brasil leva em média 17,2 anos para sair do papel. Uma mina pequena não sai por menos de R$ 50 milhões, enquanto a implementação de uma grande operação custa pelo R$ 35 bilhões a 40 bilhões.
“É muito tempo. O maior risco desse negócio não é quando você está em produção. A área mais arriscada é a pesquisa mineral. E é a mais fraca também. Então qual é o lance que Austrália e Canadá fizeram? O que você gasta fazendo pesquisa mineral, eu considero que esse é um gasto necessário para fazer a mina. Tudo que eu gastei aqui, eu vou usar como crédito tributário. Até o ponto que eu gastar em pesquisa, eles não me cobram esse imposto” , defendeu Cesário.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-infra/ibram-propoe-a-conselho-de-minerais-criterios-usados-em-outros-paises/.

O presidente do Ibram, Pablo Cesário, falou ao Poder360 sobre a atuação do instituto no debate sobre o novo conselho de minerais críticos — Foto: Poder360
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