IBGE anuncia liberação de microdados e encaminha fim de divulgações do Censo 2022 após atrasos
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou nesta segunda-feira (31) a liberação dos microdados da amostra do Censo Demográfico 2022 . Leia mais (08/31/2026 - 17h15)

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou nesta segunda-feira (31) a liberação dos microdados da amostra do Censo Demográfico 2022 .

A publicação encaminha o fim das divulgações da contagem da população de quatro anos atrás . A etapa ocorre após atrasos na coleta das informações e na disseminação dos resultados do recenseamento, iniciado no governo Jair Bolsonaro (PL).
O IBGE planejava liberar a consulta aos microdados em dezembro do ano passado, mas adiou a medida . Com isso, a liberação só ocorreu nesta segunda-feira.
Os microdados são as informações mais detalhadas do Censo . Permitem análises de questões socioeconômicas por acadêmicos e formuladores de políticas públicas, inclusive dentro dos municípios.

Os arquivos reúnem estatísticas coletadas por meio de questionários da amostra aplicados a um conjunto selecionado de domicílios, preservando o anonimato dos informantes.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann , citou nesta segunda-feira o avanço da IA (inteligência artificial) e das ciências de dados como desafio para a divulgação.
Conforme Pochmann, a situação levou o instituto a fazer uma "avaliação criteriosa" para conseguir publicar os microdados com a manutenção do sigilo estatístico. Há três níveis de acesso às informações (veja mais detalhes abaixo).

O temor era de que a IA pudesse permitir a reidentificação de informantes caso não houvesse cuidado adicional nos protocolos. O Censo anterior é relativo a 2010, quando a inteligência artificial não era uma realidade como é atualmente.
"É uma felicidade enorme para o IBGE disponibilizar os microdados do Censo 2022. Alguns cuidados precisaram ser tomados, [a publicação] levou mais tempo, é verdade. Mas é um passo decisivo para um compromisso ainda maior com o sigilo da informação", disse o diretor de pesquisas do instituto, Gustavo Junger.
Segundo ele, a liberação encerra o ciclo regular de divulgações do Censo 2022, restando apenas publicações especiais. "O tempo que levou valeu a pena pela qualidade do trabalho desenvolvido e pelas soluções encontradas", acrescentou.

Estudiosos esperavam a liberação dos microdados para destravar estudos acadêmicos.
O pesquisador André Salata, do laboratório de estudos PUCRS Data Social, diz que os arquivos são fundamentais, assim como outras informações do IBGE.
Conforme Salata, é natural que a publicação dos microdados leve mais tempo, mas o atraso desta vez atrapalhou, gerando um "delay bastante significativo".

"A gente tinha previsão de produzir alguns relatórios e teve que refazer todo o planejamento. Isso envolve mão de obra e orçamento", afirma.
No Censo 2010, a publicação dos microdados foi prevista para dois anos depois, em 2012. O prazo consta no calendário disponível no site da contagem populacional .
A coleta dos dados do Censo mais recente estava prevista para ocorrer em 2020, mas foi adiada para 2021 em razão das restrições da pandemia . Em 2021, houve novo adiamento , motivado pelo corte de verba no governo Bolsonaro.
Assim, a contagem da população ficou para 2022. O orçamento para a pesquisa só foi liberado após o STF (Supremo Tribunal Federal) ser acionado.
Nesta segunda-feira, o coordenador de operações censitárias do IBGE, Fernando Damasco, celebrou a apresentação dos microdados, mas reconheceu que o Censo enfrentou "muitas dificuldades na sua execução".
Ele citou questões como a pandemia, o crescimento das taxas de não resposta no Brasil e no exterior e os desafios para a contratação de trabalhadores temporários pelo instituto .
A Folha perguntou ao IBGE por email se o órgão teria algum comentário adicional sobre os atrasos na liberação dos microdados e as dificuldades registradas durante a coleta do Censo. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.
O IBGE é presidido por Pochmann desde agosto de 2023 . À época, o instituto já havia iniciado as divulgações do Censo. Pochmann foi indicado ao cargo pelo presidente Lula (PT).
O IBGE realizou uma transmissão em vídeo para anunciar a liberação dos microdados. Segundo o órgão, a divulgação ocorre em um novo modelo com três níveis de acesso.
O instituto disse que esse novo sistema busca equilibrar a ampliação do acesso às informações com a proteção da privacidade.
No primeiro nível, de consulta pública, os arquivos podem ser obtidos diretamente no portal do IBGE, sem necessidade de autenticação ou solicitação prévia, afirmou o órgão. A modalidade possui desagregação geográfica apenas até as unidades da Federação.
O segundo nível corresponde ao acesso controlado, voltado para pesquisadores e gestores públicos que necessitam de informações geográficas mais detalhadas.
Nesse caso, a consulta exige autenticação pela plataforma gov.br, preenchimento de formulário, assinatura de termo de compromisso e aceite dos termos de uso. Há desagregação até o nível das áreas de ponderação da pesquisa.
Já o terceiro nível, de acesso restrito, é realizado por meio da Sala de Acesso a Dados Restritos, localizada na sede do IBGE, no Rio de Janeiro.
Essa consulta é destinada a estudos que demandam o maior detalhamento possível das informações. Exige apresentação de projeto de pesquisa, análise da solicitação e assinatura de termo de confidencialidade. Os pesquisadores têm acesso à base completa da amostra, sem subamostragem.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/ibge-anuncia-liberacao-de-microdados-e-encaminha-fim-de-divulgacoes-do-censo-2022-apos-atrasos.shtml.

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, fala em vídeo durante apresentação dos microdados do Censo 2022; ao fundo, há um mapa-múndi invertido - IBGE no YouTube · IBGE no YouTube — Foto: Folha de S.Paulo
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