IA, soja e terras raras; o que Xi e Trump devem negociar nos EUA
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A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump está prevista para a próxima quinta-feira (24). É o compromisso mais esperado da viagem de três dias do líder chinês aos EUA e marca sua primeira visita de Estado ao país desde setembro de 2015, quando foi recebido por Barack Obama.
As expectativas para o terceiro encontro presencial dos dois em menos de um ano, porém, são modestas. Fontes da Casa Branca têm vazado para a imprensa que o lado americano está trabalhando para assinar um acordo com metas de compra pela China, bem distante de um tratado comercial.

Três temas estão na pauta das duas potências:
A trégua de Busan, que suspendeu por um ano os controles chineses sobre terras raras e as tarifas retaliatórias, vence no início de novembro. O Atlantic Council prevê extensão de seis meses e o chamado "30 por 30", em que cada lado retira tarifas sobre US$ 30 bilhões em importações do outro.
O tema das terras raras voltou a ser o ponto mais sensível da relação desde quando Pequim retaliou empresas americanas. Isso ocorreu após o veto da agência reguladora das comunicações nos EUA a robôs e inversores de energia estrangeiros. Exportadores chineses passaram a cancelar embarques, e cada governo acusa o outro de violar a trégua.

Pequim pode ainda reativar o compromisso de compras de soja , uma promessa feita em maio a Trump e ainda não cumprida integralmente. O comércio do grão é o item com efeito mais direto sobre o Brasil.
As estatais chinesas reservaram cerca de 260 mil toneladas da soja dos EUA no fim da semana passada. Isso ao mesmo tempo em que os embarques brasileiros para a China seguem crescendo.
O tema ganhou peso nos últimos dias, com Washington acusando seis empresas chinesas de treinarem seus modelos com sistemas americanos, prática chamada de destilação.

A proposta mais concreta na mesa é modesta e foi adiantada à imprensa pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Segundo ele, Washington e Pequim esperam lançar um canal para notificar incidentes graves com IA .
Xi quer sair com o calendário amarrado: com Trump na Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), na China, em novembro, e o líder chinês confirmado no G20 de Miami, em dezembro. O país asiático aposta que cúpulas marcadas inibem gestos hostis de Washington.
Por que importa: a pausa é tática para os dois lados. Pequim busca previsibilidade e mantém as terras raras como trava, enquanto o governo Trump diz a todos, menos à China, que usa o intervalo para desmontar essa dependência antes de endurecer de novo.

Para a América Latina, o risco vem em duas frentes. O comércio administrado por cotas fixadas em cúpula tira da soja brasileira a disputa por preço, e a busca por minerais fora da China tende a fazer da região o terreno da briga quando a trégua acabar.
Um Enterro em Xangai, painel pintado pelo chinês Yan Pei-Ming retratando o enterro da mãe do artista. Yan costuma trabalhar misturando memórias familiares, tradição, luto e a condição humana em uma marcante paleta monocromática. Saiba mais sobre ele aqui .
★ O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim . Segundo a chancelaria chinesa, Wang pediu que os dois países reforcem a comunicação estratégica e disse que China e Brasil devem conduzir o Sul Global à unidade e à autossuficiência. Amorim respondeu que, num cenário internacional volátil, a relação bilateral ganhou importância além do âmbito dos dois países. A viagem ocorre enquanto Brasília prepara uma rodada de negociações tarifárias com os EUA no fim de setembro.

★ A União Europeia pediu à China que limite as vendas de carros híbridos chineses a cerca de 15% do mercado do bloco. Um oficial europeu disse ao Financial Times na semana passada que, "se Pequim não restringir as exportações, Bruxelas o fará", e descreveu a proposta como "comércio administrado". O pedido inclui limites para químicos e mais compras chinesas de produtos europeus. Na véspera, Ursula von der Leyen disse que o déficit comercial do bloco com a China chegou a € 360,6 bilhões (aproximadamente R$ 2,10 trilhões) em 2025, alta de 9% no primeiro semestre.
★ Pequim "acompanha a reivindicação argentina de soberania sobre as Malvinas". A declaração foi do embaixador chinês em Buenos Aires, Wang Wei, na recepção pelos 77 anos da República Popular, com a presença do chanceler Pablo Quirno e do presidente do Banco Central, Santiago Bausili. Horas antes, Quirno disse que o governo Mile i está acertando os últimos detalhes de uma visita oficial à China. O gesto veio depois de Trump dizer que a posição americana sobre as ilhas está em revisão e chamar um conflito no arquipélago de "desastre potencial".
A China inaugurou na quarta o canal Pinglu, uma via de 134 quilômetros no sul do país que liga o interior ao mar.

É o primeiro canal do tipo planejado pelo governo central desde a fundação da República Popular, em 1949 e visa encurtar em mais de 560 quilômetros o escoamento de produtos vindos das províncias de Yunnan e Guizhou, no sudoeste do país. O governo estima que o frete dessas regiões será barateado em até 30%.
O primeiro navio a cruzar a estrutura completou a viagem na sexta, chegando a um porto na ilha de Hainan. A inauguração coincidiu com a feira anual entre China e Sudeste Asiático em Nanning, capital da província de Guangxi.
Por que importa: o canal aponta para o Sudeste Asiático, que já é o maior parceiro comercial da China, num momento em que EUA e Europa fecham portas aos produtos chineses. Pequim quer que as províncias do interior, mais pobres e longe do litoral, vendam direto para vizinhos como Vietnã e Malásia. A aposta precisa se provar, porque navios desse porte não atravessam oceanos e a carga depende de transbordo no porto de Qinzhou para seguir viagem.

A Ópera Nacional da China vai se apresentar no domingo (27) no Sesc Pinheiros de São Paulo. Parte do projeto "Ano da Cultura Brasil-China 2026: Uma História de Amizade", o espetáculo começa às 12h e contará com nomes como o famoso pianista Qiu Lanxi. A entrada é gratuita. O Consulado da China e a Secretaria da Cultura e Indústria Criativa do Estado de São Paulo vão realizar na quarta (30) uma apresentação dos famosos shows de drone. O espetáculo vai celebrar elementos culturais do Brasil e da China e acontecerá a partir das 20:00 no Monumento às Bandeiras (próximo ao Parque Ibirapuera). A entrada é gratuita. O Instituto CPFL recebe até o dia 20 de outubro a exposição imersiva "A Grande Muralha da China". A experiência combina cenografia, projeções, instalações artísticas e recursos interativos para contar a trajetória do monumento desde suas origens até os dias atuais. Interessados podem visitar a sede do instituto em Campinas de segunda a sexta, das 8h às 17h; sábados, das 10h às 16h.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/ia-soja-e-terras-raras-o-que-xi-e-trump-devem-negociar-nos-eua.shtml.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, em 14 de maio de 2026 - Kenny Holston/Reuters · Kenny Holston/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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