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    IA, soja e terras raras; o que Xi e Trump devem negociar nos EUA

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    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 15:59
    IA, soja e terras raras; o que Xi e Trump devem negociar nos EUA
    Dois líderes caminham lado a lado em frente a uma fileira de soldados em uniforme cerimonial azul e branco, segurando rifles com baionetas. Os soldados estão alinhados em formação rígida ao ar livre, com árvores desfocadas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, em 14 de maio de 2026 - Kenny Holston/Reuters · Kenny Holston/Reuters
    O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, em 14 de maio de 2026 - Kenny Holston/Reuters · Kenny Holston/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump está prevista para a próxima quinta-feira (24). É o compromisso mais esperado da viagem de três dias do líder chinês aos EUA e marca sua primeira visita de Estado ao país desde setembro de 2015, quando foi recebido por Barack Obama.

    As expectativas para o terceiro encontro presencial dos dois em menos de um ano, porém, são modestas. Fontes da Casa Branca têm vazado para a imprensa que o lado americano está trabalhando para assinar um acordo com metas de compra pela China, bem distante de um tratado comercial.

    Reprodução · Reprodução
    Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Três temas estão na pauta das duas potências:

    A trégua de Busan, que suspendeu por um ano os controles chineses sobre terras raras e as tarifas retaliatórias, vence no início de novembro. O Atlantic Council prevê extensão de seis meses e o chamado "30 por 30", em que cada lado retira tarifas sobre US$ 30 bilhões em importações do outro.

    O tema das terras raras voltou a ser o ponto mais sensível da relação desde quando Pequim retaliou empresas americanas. Isso ocorreu após o veto da agência reguladora das comunicações nos EUA a robôs e inversores de energia estrangeiros. Exportadores chineses passaram a cancelar embarques, e cada governo acusa o outro de violar a trégua.

    Wang Yi se reúne com o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, em Pequim - Zhai Jianlan - 16.set.26/Xinhua · Zhai Jianlan - 16.set.26/Xinhua
    Wang Yi se reúne com o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, em Pequim - Zhai Jianlan - 16.set.26/Xinhua · Zhai Jianlan - 16.set.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pequim pode ainda reativar o compromisso de compras de soja , uma promessa feita em maio a Trump e ainda não cumprida integralmente. O comércio do grão é o item com efeito mais direto sobre o Brasil.

    As estatais chinesas reservaram cerca de 260 mil toneladas da soja dos EUA no fim da semana passada. Isso ao mesmo tempo em que os embarques brasileiros para a China seguem crescendo.

    O tema ganhou peso nos últimos dias, com Washington acusando seis empresas chinesas de treinarem seus modelos com sistemas americanos, prática chamada de destilação.

    Ponte verde para a travessia de animais sobre o Canal de Pinglu, na cidade de Qinzhou, no sul da China - Zhou Hua/Xinhua · Zhou Hua/Xinhua
    Ponte verde para a travessia de animais sobre o Canal de Pinglu, na cidade de Qinzhou, no sul da China - Zhou Hua/Xinhua · Zhou Hua/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proposta mais concreta na mesa é modesta e foi adiantada à imprensa pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Segundo ele, Washington e Pequim esperam lançar um canal para notificar incidentes graves com IA .

    Xi quer sair com o calendário amarrado: com Trump na Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), na China, em novembro, e o líder chinês confirmado no G20 de Miami, em dezembro. O país asiático aposta que cúpulas marcadas inibem gestos hostis de Washington.

    Por que importa: a pausa é tática para os dois lados. Pequim busca previsibilidade e mantém as terras raras como trava, enquanto o governo Trump diz a todos, menos à China, que usa o intervalo para desmontar essa dependência antes de endurecer de novo.

    Grupo numeroso de pessoas vestidas em roupas claras e escuras reunidas em cerimônia ao ar livre, com algumas pessoas ajoelhadas junto a um túmulo. Ao fundo, silhueta de edifícios de uma cidade sob céu nublado.
    Grupo numeroso de pessoas vestidas em roupas claras e escuras reunidas em cerimônia ao ar livre, com algumas pessoas ajoelhadas junto a um túmulo. Ao fundo, silhueta de edifícios de uma cidade sob céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para a América Latina, o risco vem em duas frentes. O comércio administrado por cotas fixadas em cúpula tira da soja brasileira a disputa por preço, e a busca por minerais fora da China tende a fazer da região o terreno da briga quando a trégua acabar.

    Um Enterro em Xangai, painel pintado pelo chinês Yan Pei-Ming retratando o enterro da mãe do artista. Yan costuma trabalhar misturando memórias familiares, tradição, luto e a condição humana em uma marcante paleta monocromática. Saiba mais sobre ele aqui .

    ★ O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi, em Pequim . Segundo a chancelaria chinesa, Wang pediu que os dois países reforcem a comunicação estratégica e disse que China e Brasil devem conduzir o Sul Global à unidade e à autossuficiência. Amorim respondeu que, num cenário internacional volátil, a relação bilateral ganhou importância além do âmbito dos dois países. A viagem ocorre enquanto Brasília prepara uma rodada de negociações tarifárias com os EUA no fim de setembro.

    Dois homens de terno cinza apertam as mãos em sala decorada com móveis de madeira escura e almofadas amarelas. Ao fundo, quadro grande com pintura de paisagem montanhosa em tons de cinza, e vasos com flores roxas em ambos os lados.
    Dois homens de terno cinza apertam as mãos em sala decorada com móveis de madeira escura e almofadas amarelas. Ao fundo, quadro grande com pintura de paisagem montanhosa em tons de cinza, e vasos com flores roxas em ambos os lados. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    ★ A União Europeia pediu à China que limite as vendas de carros híbridos chineses a cerca de 15% do mercado do bloco. Um oficial europeu disse ao Financial Times na semana passada que, "se Pequim não restringir as exportações, Bruxelas o fará", e descreveu a proposta como "comércio administrado". O pedido inclui limites para químicos e mais compras chinesas de produtos europeus. Na véspera, Ursula von der Leyen disse que o déficit comercial do bloco com a China chegou a € 360,6 bilhões (aproximadamente R$ 2,10 trilhões) em 2025, alta de 9% no primeiro semestre.

    ★ Pequim "acompanha a reivindicação argentina de soberania sobre as Malvinas". A declaração foi do embaixador chinês em Buenos Aires, Wang Wei, na recepção pelos 77 anos da República Popular, com a presença do chanceler Pablo Quirno e do presidente do Banco Central, Santiago Bausili. Horas antes, Quirno disse que o governo Mile i está acertando os últimos detalhes de uma visita oficial à China. O gesto veio depois de Trump dizer que a posição americana sobre as ilhas está em revisão e chamar um conflito no arquipélago de "desastre potencial".

    A China inaugurou na quarta o canal Pinglu, uma via de 134 quilômetros no sul do país que liga o interior ao mar.

    Barragem extensa com reservatório de água verde-acinzentada em região montanhosa. Estradas e taludes com vegetação e estruturas de contenção visíveis ao redor. Céu parcialmente nublado ao fundo.
    Barragem extensa com reservatório de água verde-acinzentada em região montanhosa. Estradas e taludes com vegetação e estruturas de contenção visíveis ao redor. Céu parcialmente nublado ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É o primeiro canal do tipo planejado pelo governo central desde a fundação da República Popular, em 1949 e visa encurtar em mais de 560 quilômetros o escoamento de produtos vindos das províncias de Yunnan e Guizhou, no sudoeste do país. O governo estima que o frete dessas regiões será barateado em até 30%.

    O primeiro navio a cruzar a estrutura completou a viagem na sexta, chegando a um porto na ilha de Hainan. A inauguração coincidiu com a feira anual entre China e Sudeste Asiático em Nanning, capital da província de Guangxi.

    Por que importa: o canal aponta para o Sudeste Asiático, que já é o maior parceiro comercial da China, num momento em que EUA e Europa fecham portas aos produtos chineses. Pequim quer que as províncias do interior, mais pobres e longe do litoral, vendam direto para vizinhos como Vietnã e Malásia. A aposta precisa se provar, porque navios desse porte não atravessam oceanos e a carga depende de transbordo no porto de Qinzhou para seguir viagem.

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    A Ópera Nacional da China vai se apresentar no domingo (27) no Sesc Pinheiros de São Paulo. Parte do projeto "Ano da Cultura Brasil-China 2026: Uma História de Amizade", o espetáculo começa às 12h e contará com nomes como o famoso pianista Qiu Lanxi. A entrada é gratuita. O Consulado da China e a Secretaria da Cultura e Indústria Criativa do Estado de São Paulo vão realizar na quarta (30) uma apresentação dos famosos shows de drone. O espetáculo vai celebrar elementos culturais do Brasil e da China e acontecerá a partir das 20:00 no Monumento às Bandeiras (próximo ao Parque Ibirapuera). A entrada é gratuita. O Instituto CPFL recebe até o dia 20 de outubro a exposição imersiva "A Grande Muralha da China". A experiência combina cenografia, projeções, instalações artísticas e recursos interativos para contar a trajetória do monumento desde suas origens até os dias atuais. Interessados podem visitar a sede do instituto em Campinas de segunda a sexta, das 8h às 17h; sábados, das 10h às 16h.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/ia-soja-e-terras-raras-o-que-xi-e-trump-devem-negociar-nos-eua.shtml.

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