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    IA pode ajudar nas pesquisas eleitorais? Especialista explica

    Álvaro Machado explica como a inteligência artificial pode complementar pesquisas eleitorais e mapear preferências humanas

    CNN Brasil
    6 de outubro de 2026 às 17:26
    IA pode ajudar nas pesquisas eleitorais? Especialista explica
    Foto: CNN Brasil

    O Brasil assistiu a um resultado eleitoral que as pesquisas de intenção de voto não haviam antecipado. Para especialistas em inteligência artificial, esse cenário não representa um fracasso, mas sim uma oportunidade para repensar como a tecnologia pode contribuir com o setor de pesquisas.

    Álvaro Machado, neurocientista e especialista em IA, identificou dois caminhos principais pelos quais as ferramentas podem atuar nesse campo. O primeiro envolve a modelagem de cenários e a segmentação de populações.

    “As pessoas hoje em dia estão muito organizadas em nichos, o mundo está muito polarizado e isso significa que a gente tem núcleos de pessoas”, afirmou. Segundo ele, a criação de um “mapa dos humanos”, por meio de segmentação com IA , já está em andamento.

    Cerca de um quinto dos brasileiros não resolvem conflitos sem IA
    Cerca de um quinto dos brasileiros não resolvem conflitos sem IA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O segundo caminho — o uso da IA para calcular probabilidades de resposta e avaliar a confiabilidade das pesquisas — é considerado mais controverso.

    Machado ressaltou que a pesquisa eleitoral não é, em essência, uma ferramenta de previsão. “A pesquisa é uma ferramenta de amostragem de uma população que em determinado momento está declarando um comportamento”, explicou.

    Para ele, as preferências humanas não são fixas e estáveis, e muitas delas acabam sendo definidas no calor do momento — como ocorre com o chamado voto útil, que pode levar o eleitor a escolher um candidato diferente daquele que havia declarado anteriormente.

    Pesquisa mostra que IAs evitam contrariar usuários
    Pesquisa mostra que IAs evitam contrariar usuários — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O especialista também citou a distinção clássica entre preferências reveladas e preferências declaradas, destacando que sempre existe uma discrepância entre o que as pessoas dizem e o que efetivamente fazem. Essa diferença, segundo ele, não é necessariamente um viés, mas um comportamento esperado e natural.

    Nos Estados Unidos, uma startup vem realizando pesquisas sem entrevistar nenhuma pessoa. A metodologia consiste em identificar perfis populacionais e multiplicá-los com base em microdados, criando milhares ou milhões de respondentes simulados.

    Machado foi categórico ao avaliar essa abordagem. “Dá para conhecer um país dessa maneira? A verdade é que não”, afirmou.

    Debate político perde espaço para redes sociais, diz cientista política
    Debate político perde espaço para redes sociais, diz cientista política — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ele citou um estudo da Pew Research que identificou 12 pontos percentuais de diferença entre respostas de pessoas digitais e humanas em um teste com 300 perguntas. Para o especialista, essa metodologia é útil para identificar grandes médias e tendências gerais, mas não substitui a pesquisa tradicional — são abordagens complementares.

    Outra tendência apontada por Machado é o uso de entrevistadores virtuais criados com IA . Ele mencionou uma empresa chamada Tavus, que lançou um entrevistador digital capaz de passar pelo teste de Turing em vídeo — ou seja, o entrevistado não consegue distinguir se está falando com uma pessoa ou com uma IA.

    Segundo ele, além da escala maior de atuação, essa tecnologia pode reduzir a resistência de certos grupos em declarar suas preferências a entrevistadores humanos. “A IA talvez cumpra um papel que faz sentido do ponto de vista da estimulação na revelação da verdade”, disse.

    Cerca de um quinto dos brasileiros não resolvem conflitos sem IA
    Cerca de um quinto dos brasileiros não resolvem conflitos sem IA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Olhando para o futuro, Machado descreveu um cenário em que as pessoas terão seus próprios gêmeos digitais — repositórios privados de comportamentos e preferências acumulados ao longo do tempo. Empresas poderiam pagar para acessar essas memórias digitais e inferir decisões futuras.

    Ele também alertou para um segundo modelo, no qual empresas comprariam dados de usuários para criar gêmeos digitais próprios, sem necessariamente consultar as pessoas. Esse cenário levanta questões sobre privacidade e proteção de dados, especialmente diante de casos já recorrentes de vazamento e comercialização indevida de informações pessoais no Brasil.

    Para o especialista, tecnologias de computação ambiental — como assistentes que captam o comportamento cotidiano dos usuários — representam um terceiro caminho, distinto tanto dos respondentes sintéticos quanto dos entrevistadores digitais. A tendência, na avaliação dele, é que o processo de descobrir o que as pessoas vão fazer se torne cada vez mais computacional e matemático.

    Pesquisa mostra que IAs evitam contrariar usuários
    Pesquisa mostra que IAs evitam contrariar usuários — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Vai ser menos impressão e mais precisão”, concluiu.

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    Debate político perde espaço para redes sociais, diz cientista política
    Debate político perde espaço para redes sociais, diz cientista política — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/ia-pode-ajudar-nas-pesquisas-eleitorais-especialista-explica/.

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