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    IA cria bots ultra-realistas para enganar golpistas em chamadas

    Robôs da Apate simulam vítimas, ocupam golpistas por horas e coletam dados que podem ajudar a identificar operações fraudulentas O post IA cria bots ultra-realistas para enganar golpistas em chamadas apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    12 de outubro de 2026 às 18:19
    IA cria bots ultra-realistas para enganar golpistas em chamadas
    Foto: Olhar Digital

    Uma empresa australiana está usando inteligência artificial para fazer golpistas perderem tempo com vítimas que não existem. A Apate desenvolveu robôs que conversam com criminosos por telefone e pela internet para reunir informações sobre fraude e dificultar novas abordagens.

    A tecnologia também está sendo aplicada em armadilhas digitais que atraem hackers . A proposta é aproveitar a capacidade da IA de imitar comportamentos humanos para tornar essas estratégias de defesa mais eficazes.

    A Apate desenvolve a plataforma há dois anos. Segundo Dali Kaafar, fundador e CEO da empresa, o sistema reúne cerca de 350 mil robôs e é utilizado por bancos, com apoio de companhias de telecomunicações.

    Mudar a dinâmica do cibercrime exige ir além da defesa tradicional e explorar as vulnerabilidades dos próprios criminosos. – Imagem criada por inteligência artificial
    Mudar a dinâmica do cibercrime exige ir além da defesa tradicional e explorar as vulnerabilidades dos próprios criminosos. – Imagem criada por inteligência artificial — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os programas atendem ligações, respondem a mensagens de texto e participam de grupos on-line usados para aplicar golpes. Durante as conversas, podem reunir informações sobre as atividades criminosas. A empresa afirma ter coletado mais de 250 mil registros em tempo real, incluindo endereços de sites fraudulentos, dados bancários e contas usadas para movimentar dinheiro ilegal.

    Para não levantar suspeitas, os robôs assumem diferentes perfis e comportamentos. Alguns usam WhatsApp ; outros não. Há os que atendem o telefone e os que encerram a conversa, dizendo que retornarão mais tarde.

    Gostamos de pensar que estamos construindo as vítimas perfeitas para os golpistas.

    Algumas chamadas com os robôs da Apate passam de duas horas, segundo o CEO da companhia. Imagem: berdiyandriy/Shutterstock
    Algumas chamadas com os robôs da Apate passam de duas horas, segundo o CEO da companhia. Imagem: berdiyandriy/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Segundo ele, cada minuto gasto por um criminoso conversando com um robô pode evitar que centenas ou até milhares de pessoas sejam abordadas pelo mesmo fraudador, que pode utilizar sistemas de discagem automática.

    O funcionamento da plataforma foi colocado à prova por jornalistas do site Kernel Panic, que tentaram convencer uma vítima artificial a investir em criptomoedas. Apesar de a conversa ter fluído naturalmente, a tentativa fracassou: após seis minutos, o sistema continuava sem aceitar a proposta.

    Segundo Kaafar, algumas chamadas passam de duas horas. Enquanto tentam convencer uma vítima que não existe, os criminosos deixam de abordar outras pessoas.

    Inteligência artificial
    Inteligência artificial — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O alcance dessa estratégia, porém, tem limites. Criminosos realizam bilhões de chamadas e enviam bilhões de mensagens por ano, e algumas operações funcionam em instalações físicas organizadas em grande escala.

    A atuação dos robôs combina diferentes recursos:

    A mesma lógica é usada nos chamados honeypots , sistemas que imitam computadores e serviços reais para atrair invasores e observar suas técnicas. Pesquisadores vêm incorporando modelos de linguagem de grande porte (LLMs) a essas armadilhas para torná-las mais convincentes.

    sistema avançado de inteligência artificial analisando fluxos de dados digitais e filtrando redes de golpes
    sistema avançado de inteligência artificial analisando fluxos de dados digitais e filtrando redes de golpes — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em um estudo recente, Mark Vero, pesquisador de doutorado em ciência da computação na ETH Zurich, e seus colegas constataram que armadilhas equipadas com LLMs mantiveram agentes de IA usados em ataques ocupados por mais tempo do que sistemas com comportamento previsível.

    “Os agentes atacantes ficam muito mais convencidos pelos honeypots simulados por LLMs e os identificam como armadilhas com uma frequência muito menor”, afirma Vero. Para o pesquisador, sistemas bem construídos podem oferecer uma vantagem aos responsáveis pela defesa.

    O combate ao crime digital também depende da colaboração entre autoridades policiais, bancos, empresas de telecomunicações e redes sociais. O compartilhamento de informações pode ajudar a identificar padrões e interromper operações, mas a IA ainda não impede que os criminosos tentem enganar novas vítimas.

    Botão de atender chamada em um celular
    Botão de atender chamada em um celular — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

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    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Mudar a dinâmica do cibercrime exige ir além da defesa tradicional e explorar as vulnerabilidades dos próprios criminosos. – Imagem criada por inteligência artificial
    Mudar a dinâmica do cibercrime exige ir além da defesa tradicional e explorar as vulnerabilidades dos próprios criminosos. – Imagem criada por inteligência artificial — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Algumas chamadas com os robôs da Apate passam de duas horas, segundo o CEO da companhia. Imagem: berdiyandriy/Shutterstock
    Algumas chamadas com os robôs da Apate passam de duas horas, segundo o CEO da companhia. Imagem: berdiyandriy/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/10/12/seguranca/ia-cria-bots-ultra-realistas-para-enganar-golpistas-em-chamadas/.

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    Mudar a dinâmica do cibercrime exige ir além da defesa tradicional e explorar as vulnerabilidades dos próprios criminosos. – Imagem criada por inteligência artificial — Foto: Olhar Digital

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