IA abre túnel do tempo e mostra a São Paulo do passado
Milhões de pessoas já viram alguns vídeos históricos feitos com inteligência artificial que estão viralizando no Instagram e no TikTok . São filmes que mostram o passado com uma precisão surpreendente e colocam o espectador numa espécie de túnel do tempo. Neles, um influenciador explora cenários e fatos históricos, períodos antigos e locais famosos do Brasil e do mundo. Também narra o cotidiano de cidades, entra em lojas e casas e dialoga com seus moradores. Parece mágica. Leia mais (08/13/2026 - 18h13)

As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga
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Milhões de pessoas já viram alguns vídeos históricos feitos com inteligência artificial que estão viralizando no Instagram e no TikTok . São filmes que mostram o passado com uma precisão surpreendente e colocam o espectador numa espécie de túnel do tempo. Neles, um influenciador explora cenários e fatos históricos, períodos antigos e locais famosos do Brasil e do mundo. Também narra o cotidiano de cidades, entra em lojas e casas e dialoga com seus moradores. Parece mágica.
Há alguns desses vídeos, feitos pela empresa Runestone.IA, que mostram situações e lugares de São Paulo nos últimos dois séculos e impressionam pela verossimilhança. Um deles se chama "São Paulo 1800" e exibe a vida na cidade, então com 10 mil habitantes. Começa no Pátio do Colégio , na sua versão colonial, mostra uma bela vista aérea do perímetro urbano do município e percorre alguns pontos históricos cheios de pessoas circulando ou trabalhando com trajes da época.
Aparece também o vale do Anhangabaú , onde funcionava a chácara de chá do Barão de Itapetininga. O narrador explica que o dono era o Barão de Tatuí, que só assumiu a propriedade depois de 1860. Mulheres lavam roupas na beira do rio. Dezenas de escravizados fazem a colheita do chá. O passeio com IA, guiado pelo influenciador Rodrigão (@rodrigao.viaja), segue para a rua Direita, principal centro de negócios em 1800, onde um comerciante é entrevistado e conta que vende roupas de couro e peças para montaria.

As lojas ficavam na parte de baixo dos sobrados e as residências na parte de cima. Rodrigo entra numa moradia e mostra o mobiliário, muito mais sofisticado do que, de fato, era naqueles tempos. Mas a pesquisa histórica parece bem razoável para vídeos que têm finalidade lúdica. A rua Tabatinguera, via residencial e rústica, é apresentada com suas casas de taipa de pilão . Há um grande movimento no largo da Sé, em torno da antiga igreja matriz. Muitas das pessoas que andam pelas ruas são escravizadas. Esses habitantes representavam 30% da população local.
Entre os vídeos do canal que simulam o passado de São Paulo há também um sobre o rio Tietê e outro sobre a avenida Paulista e o Centro Histórico, ambos ambientados no começo do século 20. O primeiro trata o rio como uma importante área de lazer da cidade no passado. O segundo resgata a belle époque paulistana . Os canais da Runestone.IA e vários outros nacionais, como Lander Catrinck (@landerpelahistoria) e Laís no Tempo (@laisnotempo), e internacionais vêm se destacando nas mídias sociais nos últimos meses e já começam a se tornar lugar-comum.
Para recriar o visual histórico de cidades e acontecimentos do passado são usadas várias ferramentas. O primeiro passo é a pesquisa e a roteirização. Vídeos desse tipo devem ter prompts complexos, com detalhes sobre cores, iluminação e vestimentas. São utilizadas fotografias, gravuras e mapas antigos para alimentar os modelos de IA generativa. Cores, texturas e movimentos são definidos por algoritmos e pelos autores, já que o material original é em preto e branco e estático.

Não se pode esperar que esses vídeos sejam documentos históricos oficiais com total exatidão arquitetônica, embora as imagens sejam fidedignas como recriações visuais. O passo a passo para fazê-los inclui, por exemplo, o uso de filtros neurais do Photoshop para remover imperfeições e colorir automaticamente, além de ferramentas como Remini ou Krea AI para recriar rostos nítidos nos filmes. Utilizam-se geradores cinematográficos, como o Runway , para definir como carroças, por exemplo, devem se mexer. Para simular movimentos rápidos de câmera e profundidade tridimensional, um bom recurso é o Luma Dream Machine. Para criar uma transição entre duas fotos, existe o Kling AI.
Outros recursos úteis são os animadores faciais, como o MyHeritage (Deep Nostalgia) , que faz os personagens piscarem o olho, girarem a cabeça ou sorrirem sutilmente, e o D-ID, que sincroniza os lábios da pessoa da imagem com um arquivo de voz. Com essas e outras ferramentas similares é possível resgatar o passado mais longínquo de uma maneira ilustrativa e divertida.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/08/ia-abre-tunel-do-tempo-e-mostra-a-sao-paulo-do-passado.shtml.

Vista de São Paulo em 1800 criada por inteligência artificial - Reprodução/Instagram @rodrigao.viaja · Reprodução/Instagram @rodrigao.viaja — Foto: Folha de S.Paulo
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