Hospitais no Iêmen enfrentam escassez em meio a escalada do conflito
Bloqueios de estradas e confrontos em Taiz impedem transporte de mantimentos e insumos de saúde essenciais

Na cidade de Taiz, no Iêmen, pacientes enfrentam dificuldades para chegar aos centros de tratamento, uma vez que combates e bloqueios de estradas interrompem o acesso a hospitais que já lidam com a escassez de combustível e suprimentos médicos, segundo autoridades.
No Hospital Al Thawra, Maamun Abdulwahad Naaman, um paciente renal de 35 anos, disse não conseguir retornar ao seu vilarejo devido aos confrontos ao longo da estrada principal que liga a cidade de Taiz a Al-Turbah.
“Tenho medo dos tiros; a estrada não é segura devido aos confrontos armados entre os dois lados, por isso não podemos voltar para casa”, disse Naaman, que sofre de insuficiência renal e precisa de diálise duas vezes por semana.

Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen , tornou-se um importante palco do conflito entre os Houthis e o governo apoiado pela Arábia Saudita, após a guerra ter sido reacendida no mês passado pelo confronto entre EUA e Irã no Golfo.
Na semana passada, os Houthis bloquearam uma estrada principal que liga Taiz a Aden, deixando as forças governamentais cercadas.
O chefe do centro de nefrologia do Hospital Al Thawra, Yussef al-Zakari, afirmou que os suprimentos de diálise da unidade durariam apenas 14 dias.

O vice-governador de Taiz para assuntos de saúde, Ilan Abdul-Khaliq, também alertou que mais de 650 pacientes com insuficiência renal corriam riscos, assim como bebês em incubadoras e pacientes em unidades de terapia intensiva.
Hospitais em todo o Iêmen lutam para lidar com um aumento acentuado no número de vítimas da guerra, enquanto a intensificação dos combates em várias frentes interrompeu a ajuda a cerca de 800 mil pessoas, informaram agências humanitárias na quarta-feira (14 de outubro).
A intensificação dos combates em diferentes frentes no Iêmen interrompeu o acesso à ajuda humanitária para cerca de 800 mil pessoas, alertou o PMA (Programa Mundial de Alimentos) nesta quarta-feira (14).

Mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde o início de uma nova onda de confrontos no país nas últimas semanas. Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações), da ONU (Organização das Nações Unidas), os combates envolvem os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e forças do governo iemenita , apoiadas pela Arábia Saudita.
Os serviços de saúde do Iêmen, debilitados por mais de uma década de conflito, crise econômica, deslocamentos populacionais e surtos de doenças, podem ter capacidade limitada para atender a um novo aumento no número de vítimas caso os confrontos se intensifiquem ainda mais, alertou o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha).
Segundo o PMA, os combates também interromperam o acesso à assistência humanitária essencial para cerca de 800 mil pessoas em Taiz, a terceira maior cidade do país , que atualmente recebe o maior número de pessoas que fogem da violência, e em outras áreas afetadas pelo conflito.

Alguns distritos estão inacessíveis devido aos confrontos e ao fechamento de estradas. O PMA alertou ainda que os estoques de farinha de trigo estão quase esgotados e que os alimentos restantes nos mercados locais podem durar pouco tempo.
Quem são os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã?



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/hospitais-no-iemen-enfrentam-escassez-em-meio-a-escalada-do-conflito/.

Hospitais em Taiz, no Iêmen, enfrentam escassez; pacientes sofrem para chegar aos centros de tratamento • REUTERS · • REUTERS — Foto: CNN Brasil
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