Homem é preso após companheira pedir socorro por bilhetes enviados pelo filho a escola na Bahia
Um homem de 27 anos foi preso em flagrante na quarta-feira (2) sob suspeita de manter a companheira, de 22, em cárcere privado e de praticar violência doméstica contra ela em Gongogi, no sul da Bahia. Leia mais (09/04/2026 - 21h55)

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Um homem de 27 anos foi preso em flagrante na quarta-feira (2) sob suspeita de manter a companheira, de 22, em cárcere privado e de praticar violência doméstica contra ela em Gongogi, no sul da Bahia.

Segundo a Polícia Civil , a investigação começou depois que a mulher conseguiu enviar pedidos de socorro à escola por meio do filho do casal, de 7 anos.
O menino entregou à escola bilhetes escritos pela mãe, nos quais ela relata que sofria ameaças de morte e agressões e afirma que o companheiro a impedia de sair de casa. A Folha teve acesso às mensagens. Em uma delas, a mulher diz que estava pedindo ajuda "mais uma vez" e que não aguentava mais a situação.
A polícia não informou o que o suspeito declarou em depoimento nem se ele constituiu advogado. O nome dele não foi divulgado.

Na quinta-feira (3), após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva (sem prazo para ser encerrada). O suspeito deve ser encaminhado ao Conjunto Penal de Itabuna. O processo tramita em segredo de Justiça.
A prisão ocorreu em um distrito da cidade durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Conforme a Polícia Civil, após receber o pedido de ajuda, investigadores passaram a monitorar a residência e constataram que a mulher não saía do imóvel .
A corporação afirma que a vítima também relatou aos policiais que vive com o homem desde os 13 anos e que os dois têm dois filhos. Segundo o relato, durante os cerca de oito anos de relacionamento, ela teria sido alvo de ameaças e agressões.

Ainda segundo a investigação, a situação teria se agravado recentemente, quando o homem passou a proibir a companheira de sair de casa e de manter contato com familiares.
Os bilhetes foram uma das formas encontradas pela mulher para tentar conseguir ajuda. Em um deles, ela escreve: "Estou escrevendo para pedir ajuda mais uma vez, porque estou que não aguento mais. Quase todos os dias é uma ameaça de morte. Vocês pediram pra eu esperar a ajuda, mas só que essa ajuda nunca chegou."
A existência de mensagens anteriores ajuda a explicar a referência feita pela mulher à espera por uma ajuda que, segundo ela, havia sido prometida. A Polícia Civil afirma que tomou conhecimento da situação após o pedido encaminhado à escola.

Em outro bilhete, a mulher relata ameaças específicas feitas pelo companheiro. Segundo o texto, ele dizia que poderia matá-la com um facão caso ela fosse embora e que cortaria seu cabelo. Ela também descreve outras ameaças.
Além das mensagens escritas, a mulher fez um desenho de uma pessoa chorando em uma página do caderno do filho.
A Prefeitura de Gongogi informou à TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia na região, que determinou uma apuração interna na unidade escolar para esclarecer quando as mensagens foram recebidas e como foram encaminhadas.
Segundo a administração municipal, os bilhetes entregues pela criança foram repassados à polícia pela diretora da escola.
"Por envolver uma possível vítima de violência e uma criança, o caso exige cautela, sigilo e proteção das pessoas envolvidas", afirmou a prefeitura à emissora.
A gestão disse ainda que as secretarias municipais competentes estão à disposição das autoridades policiais e dos órgãos de proteção para colaborar com as investigações e prestar acompanhamento à família.
A reportagem procurou a Prefeitura de Gongogi na tarde desta sexta-feira, por email disponibilizado no site oficial da gestão municipal, mas não recebeu resposta até esta publicação.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/homem-e-preso-apos-companheira-pedir-socorro-por-bilhetes-enviados-pelo-filho-a-escola-na-bahia.shtml.

Pedido de socorro escrito por mulher de 22 anos e enviado à escola pelo filho, de 7 anos; ela afirma que sofria ameaças de morte e que uma ajuda anteriormente prometida não havia chegado - Acervo pessoal · Acervo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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