Homem desenvolve câncer de pulmão depois de anos como fumante passivo
Convivendo com pessoas que fumavam desde a infância, Vanderson desenvolveu câncer de pulmão aos 50 anos e hoje é um militante contra tabaco

Há anos, o cigarro é considerado um dos maiores causadores de diversos tipos de câncer, principalmente o de pulmão. Mas não é preciso colocar o item na boca para desenvolver a doença: o fumante passivo não fuma, mas acaba inalando a fumaça involuntariamente.
Foi o que aconteceu com Vanderson Luiz de Paiva Dias, de 55 anos, natural de Minas Gerais e morador de Brasília.
Apesar ter histórico de outros tumores , o câncer de pulmão surgiu justamente por conta de seu convívio durante anos com pessoas fumantes. “Nunca fumei. Nunca botei um cigarro na boca. Mas a minha família sim, quase toda, com exceção da minha mãe, fuma. Meu pai era fumante e minhas irmãs também”, conta. A oncologista Gabrielle Scattolin, da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), explica que não há níveis seguros de exposição à fumaça do tabaco.

“ O tabaco contém mais de sete mil substâncias químicas que podem ser tóxicas e cancerígenas . No caso de fumantes passivos, há um aumento do risco de desenvolver diversos tipos de cânceres , além de doenças cardiovasculares e respiratórias”, alerta.
O tabagista passivo apresenta de 20 a 30% mais risco para câncer de pulmão do que alguém que não esteja exposto à fumaça do cigarro . Gabrielle acrescenta que, em crianças, as infecções respiratórias, crises de asma e síndrome da morte súbita infantil podem estar relacionadas ao convívio com fumantes.
As incidências de câncer em Dias começaram em 2009, quando ele sentiu um incômodo no olho que não passava . O oftalmologista percebeu que algo não estava normal e o encaminhou para um hematologista.

Por meio de um exame de imagem chamado PET Scan e uma biópsia, veio o primeiro diagnóstico: linfoma de Hodgkin. O tratamento inicial envolveu 12 sessões de quimioterapia ao longo de aproximadamente oito meses, até que ele recebeu a notícia de que estava curado.
Em 2018, porém, um exame de rotina detectou o retorno da doença e um câncer de tireoide. Dias enfrentou mais sessões de quimioterapia e uma cirurgia para a retirada da glândula, alcançando novamente a cura. Nessa época, os médicos identificaram também uma pequena lesão no pulmão direito . Contudo, devido ao tamanho, a orientação foi permanecer fazendo acompanhamento períodico.
Mas, há cinco anos, a lesão cresceu e ele recebeu um novo diagnóstico após uma nova biópsia: carcinoma pulmonar.

Apesar do susto de enfrentar mais um câncer, o tumor foi retirado por meio de uma cirurgia robótica que removeu quase metade de seu pulmão direito. Após o procedimento, ele obteve uma ótima recuperação e não há sinais de novas manifestações da doença.
Dias se tornou um grande militante contra os malefícios que o tabaco pode causar. E, por conta de sua história, seu pai, irmãs e alguns amigos pararam de fumar.
“Fui um fumante passivo. Esse é um dos muitos outros males que o cigarro traz. Ele não só prejudica quem está fumando, ele prejudica quem está em volta também. O quanto eu puder alertar as pessoas próximas sobre o risco do cigarro, vou fazer”, reforça.
Gabrielle esclarece que, no caso de Dias, embora o tabagismo seja um fator de risco para seus outros cânceres, a associação mais forte foi com o de pulmão.
Segundo o Ministério da Saúde, 11,5% dos adultos das capitais brasileiras fumam. No Distrito Federal, o percentual é de 8%, índice inferior à média nacional, mas que ainda representa milhares de pessoas expostas diariamente ao principal fator de risco para o câncer de pulmão.
A oncologista alerta que a principal forma de prevenção contra a doença é não fumar. Quando o indivíduo cessa o tabagismo, o risco de câncer de pulmão cai pela metade após 10 a 15 anos sem o tabaco , embora o ex-fumante ainda mantenha um risco superior ao de quem nunca fumou.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/homem-desenvolve-cancer-de-pulmao-depois-de-anos-como-fumante-passivo.

Arquivo pessoal — Foto: Metrópoles
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