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    Hoje se elege um Congresso sem memória

    Na coluna "A última eleição da Nova República" (30/9), publicada nesta Folha , Maria Hermínia Tavares observou que 2026 deve ser o último pleito disputado por Lula ( PT ), Ronaldo Caiado ( PSD ) e Geraldo Alckmin ( PSB ), os últimos políticos de projeção nacional que passaram pela Constituinte, e apontou os desafios que essa transição traz para a democracia. O Congresso Nacional também atravessa uma transição geracional, que muda profundamente a forma de fazer política. Leia mais (10/03/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de outubro de 2026 às 01:00
    Hoje se elege um Congresso sem memória
    Parlamentares e autoridades em pé atrás da mesa principal do plenário do Congresso Nacional, com público em frente registrando o evento. Bandeira do Brasil à esquerda e arranjos florais decoram o espaço. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Plenário da Câmara dos Deputados durante a cerimônia de reabertura dos trabalhos legislativos - Pedro Ladeira - 2.fev.26/Folhapress
    Plenário da Câmara dos Deputados durante a cerimônia de reabertura dos trabalhos legislativos - Pedro Ladeira - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professora de ciência política na Universidade Federal do Paraná e pesquisadora do INCT ReDem (Representação e Legitimidade Democrática)

    Na coluna "A última eleição da Nova República" (30/9), publicada nesta Folha , Maria Hermínia Tavares observou que 2026 deve ser o último pleito disputado por Lula ( PT ), Ronaldo Caiado ( PSD ) e Geraldo Alckmin ( PSB ), os últimos políticos de projeção nacional que passaram pela Constituinte, e apontou os desafios que essa transição traz para a democracia. O Congresso Nacional também atravessa uma transição geracional, que muda profundamente a forma de fazer política.

    As eleições de 2014 foram as últimas com financiamento empresarial, sem fundo eleitoral , com coligações para eleição proporcional e sem cláusula de desempenho.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os deputados eleitos naquele ano, que formaram a 55ª legislatura (2015-jan.2019), foram também os últimos a exercer um mandato inteiro com sessões presenciais no plenário e nas comissões, antes da flexibilização trazida pela pandemia, que se tornou permanente. Foi ainda o último mandato em que cada parlamentar integrava no máximo duas comissões permanentes, antes da explosão de vagas cumulativas e da desinstitucionalização do sistema de comissões.

    A mudança mais profunda, porém, está no Orçamento . Foi essa legislatura que aprovou, em 2015, a emenda constitucional que tornou obrigatória a execução das emendas individuais dos parlamentares .

    Até então, cabia ao Executivo decidir se as pagaria. Vieram depois as emendas de bancada impositivas , as "emendas Pix" e as emendas de relator , derrubadas pelo STF em 2022. Hoje, uma fatia expressiva do Orçamento discricionário é destinada diretamente por deputados e senadores às suas bases. Segundo a Câmara dos Deputados , a renovação foi de 47% em 2018 e de 39% em 2022. Cruzando dados abertos da Casa, 167 dos 513 deputados hoje em exercício já exerceram mandato na 55ª legislatura. Se a renovação de 2026 repetir a de 2022, cerca de cem deles voltarão: só 1 em cada 5 deputados da próxima legislatura. Em outras palavras, 4 em cada 5 deputados nunca terão cumprido um mandato inteiro presencial; não terão conhecido um sistema de comissões permanentes consolidado; nem emendado um Orçamento cuja execução dependesse do aval do Executivo.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com tanto dinheiro distribuído por emendas, seria de esperar que o Congresso ganhasse em popularidade, mas não é isso que vemos nas pesquisas de opinião. Os parlamentares ganharam popularidade local, mas o Legislativo não se fortaleceu como instituição. A história é sempre a mesma: "O Congresso é todo muito ruim, menos a minha deputada/o meu senador, que é excelente". É preciso lembrar que, fora as emendas individuais, não há absolutamente nada que um parlamentar possa aprovar sozinho no Congresso. Ainda assim, do ponto de vista eleitoral, o novo Parlamento tem cada vez mais incentivos para comportamentos localistas e fragmentados. Cabe ao eleitor, mais do que nunca, escolher congressistas com preocupações nacionais, que atuem coletivamente, não escondam seu partido, aceitem debates profundos e se comprometam com projetos claros e exequíveis para o país.

    Este domingo (4) é um dos raros momentos em que a vontade do povo se impõe, mesmo com incentivos tortos e em um momento delicado. Votemos com a consciência de que cabe a nós priorizar projetos e ideias e não personalidades e localismos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/hoje-se-elege-um-congresso-sem-memoria.shtml.

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    Plenário da Câmara dos Deputados durante a cerimônia de reabertura dos trabalhos legislativos - Pedro Ladeira - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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