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    História do orelhão: entenda por que a Geração Alfa não faz ideia de como funcionava o telefone de rua

    Criado pela arquiteta Chu Ming Silveira em 1971, o telefone público combatia o barulho urbano e hoje intriga os nativos digitais

    CNN Brasil
    4 de outubro de 2026 às 11:06
    História do orelhão: entenda por que a Geração Alfa não faz ideia de como funcionava o telefone de rua
    Foto: CNN Brasil

    O orelhão , nome popular do protetor para telefones públicos , foi desenvolvido em 1971 para resolver a falta de privacidade e o ruído excessivo nas chamadas em áreas urbanas. Batizado tecnicamente como Chu II pela CTB ( Companhia Telefônica Brasileira) , o equipamento permitia falar ao telefone no meio da rua sem a interferência do trânsito, tornando-se um ícone do design industrial reconhecido mundialmente.

    Inaugurado para a população em janeiro de 1972 , nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo , o protetor democratizou a comunicação de massa muito antes da existência das telas sensíveis ao toque. Para a Geração Alfa , formada por quem nasceu a partir de 2010 e cresceu em um mundo 100% conectado por smartphones , inteligência artificial e redes sem fio , a estrutura em fibra de vidro e as antigas fichas metálicas parecem relíquias de um passado incompreensível.

    No início dos anos 1970, a CTB enfrentava o desafio de oferecer telefonia pública sem construir cabines fechadas, que eram dispendiosas, ocupavam muito espaço nas calçadas e esquentavam no clima tropical. A resposta veio do departamento de projetos da empresa, liderado pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira .

    O orelhão, nome popular do protetor para telefones públicos, foi desenvolvido em 1971 para resolver a falta de privacidade e o ruído excessivo nas chamadas em áreas urbanas. Batizado tecnicamente como Chu II pela Companhia Telefônica Brasil
    O orelhão, nome popular do protetor para telefones públicos, foi desenvolvido em 1971 para resolver a falta de privacidade e o ruído excessivo nas chamadas em áreas urbanas. Batizado tecnicamente como Chu II pela Companhia Telefônica Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Chu Ming inspirou-se na geometria do ovo para criar uma cúpula em fibra de vidro leve, resistente e capaz de refletir as ondas sonoras externas. O formato oval canalizava a voz do usuário e bloqueava o ruído do tráfego ao redor, garantindo isolamento acústico sem a necessidade de portas ou paredes.

    O projeto estreou em duas versões: o Orelhinha (Chu I) , modelo menor em acrílico para ambientes fechados, e o Orelhão (Chu II) , instalado nas calçadas. Em 1975 , chegaram as cúpulas na cor azul, voltadas para chamadas interurbanas . A inovação permitiu contatos rápidos e acessíveis para toda a população.

    A operação começou com fichas metálicas vendidas em bancas e farmácias. Em 1992 , esses itens foram substituídos pelos cartões telefônicos magnéticos e indutivos. Com a privatização da Telebrás em 1998 , momento em que a Telesp foi adquirida pela espanhola Telefônica , os aparelhos ganharam a cor verde limão . O sucesso do formato fez com que o design e a tecnologia fossem exportados para diversos países da América Latina.

    Na batalha das redes, governo e oposição dividem vitórias em setembro
    Na batalha das redes, governo e oposição dividem vitórias em setembro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para quem nasceu imerso na era dos aplicativos de mensagem e das chamadas de vídeo , a própria mecânica de um telefone de rua é desconhecida. Conceitos como comprar um cartão magnético com limite de créditos, inserir o papelão na ranhura e digitar um número de memória, sem uma lista de contatos salva no aparelho, soam quase como ficção científica para a Geração Alfa .

    Com o avanço das redes móveis e do acesso universal aos aparelhos celulares, o uso dessas estruturas urbanas despencou nas últimas décadas. O que antes era o ponto central de encontro e emergência nas calçadas virou um objeto curioso que os nativos digitais frequentemente só conhecem por meio de fotos, vídeos de arquivo ou passeios por centros históricos.

    Dados da Anatel ( Agência Nacional de Telecomunicações) e acervos da Fundação Telefônica indicam que os aparelhos remanescentes mantêm papel de acessibilidade social em comunidades rurais e regiões isoladas que apresentam pouca cobertura de sinal móvel .

    Itens de "O Agente Secreto" são vendidos pela distribuidora do filme
    Itens de "O Agente Secreto" são vendidos pela distribuidora do filme — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar da redução na utilidade diária, o orelhão consolidou-se como um marco do urbanismo moderno . O projeto integrou a Bienal de Arquitetura de São Paulo em 1973 e fez parte de exibições no Masp ( Museu de Arte de São Paulo) , no Museu da Casa Brasileira e na Faap .

    Em 2012 , a exposição urbana Call Parade celebrou os 40 anos da invenção com cem orelhões customizados por artistas nas ruas paulistas. Enquanto para a Geração Alfa o aparelho é uma estrutura enigmática das calçadas, para as gerações anteriores a cúpula guarda a memória afetiva de um tempo em que se comunicar exigia moedas no bolso, fichas de metal e paciência nas filas da rua.

    Orelhões estão desaparecendo e podem ser retirados a partir de janeiro
    Orelhões estão desaparecendo e podem ser retirados a partir de janeiro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Itens de
    Itens de — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Orelhões estão desaparecendo e podem ser retirados a partir de janeiro
    Orelhões estão desaparecendo e podem ser retirados a partir de janeiro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Na batalha das redes, governo e oposição dividem vitórias em setembro
    Na batalha das redes, governo e oposição dividem vitórias em setembro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/historia-do-orelhao-entenda-por-que-a-geracao-alfa-nao-faz-ideia-de-como-funcionava-o-telefone-de-rua/.

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    O orelhão, nome popular do protetor para telefones públicos, foi desenvolvido em 1971 para resolver a falta de privacidade e o ruído excessivo nas chamadas em áreas urbanas. Batizado tecnicamente como Chu II pela Companhia Telefônica Brasil — Foto: CNN Brasil

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