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    História centenária por ‘baixo’ de SP poderia diminuir impacto do clima

    Apenas 430 mil consumidores na cidade recebem energia pela distribuição subterrânea; seis mil poços e cinco mil galerias sustentam cabos e transformadores enterrados

    CNN Brasil
    12 de outubro de 2026 às 15:49
    História centenária por ‘baixo’ de SP poderia diminuir impacto do clima
    Foto: CNN Brasil

    Existem passagens subterrâneas em São Paulo há mais de cem anos e a primeira câmara para energia foi inaugurada ainda em 1925 , pela empresa canadense Light and Power Company. Hoje em dia toda a organização é administrada pelo grupo italiano Enel. Os fios enterrados abaixo do solo representam menos exposição aos ventos e chuvas, diminuindo o impacto das mudanças climáticas e os eventos extremos .

    A região central da capital paulista concentra a maior parte da infraestrutura para distribuição de energia por ‘debaixo da terra’ . Nos anos 50, o sistema foi modernizado com a inauguração de uma câmara reticulada Paula Souza. Reticulado é um modelo de mais confiabilidade e com redundância, ou seja, se algo não funcionar, outro cabo liga em algum transformador em outro ponto.

    Somente 5% de todos clientes da empresa, cerca de 430 mil consumidores, recebem a carga de forma subterrânea . Mas é uma fatia com alto consumo (alto poder aquisitivo), além de hospitais e prédios históricos, que representa mais de 20% de toda eletricidade distribuída pela Enel.

    Energia subterrânea, em São Paulo, teve seu auge de crescimento nos anos 70 e 80 • Thiago Félix/CNN Brasil · • Thiago Félix/CNN Brasil
    Energia subterrânea, em São Paulo, teve seu auge de crescimento nos anos 70 e 80 • Thiago Félix/CNN Brasil · • Thiago Félix/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Aneel deve decidir futuro da caducidade da Enel SP antes das eleições | CNN NOVO DIA

    “A importância do subterrâneo é muito grande, principalmente pela robustez e resiliência do circuito, além da demanda. O subterrâneo concentra grande carga em pouco espaço, fora a questão visual e estética da cidade” diz Eliomar Ferreira, engenheiro especialista da Enel.

    A CNN Brasil acompanhou a manutenção de um transformador e a atuação de uma equipe formada por três eletricistas que diariamente tem como parte do trabalho entrar num ‘buraco’ que muitas vezes pode ter baratas e até ratos .

    Novo sistema alertará Enel sobre curto em subestações para evitar apagões
    Novo sistema alertará Enel sobre curto em subestações para evitar apagões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O espaço é pequeno, escuro e úmido. Para iluminar o local são necessárias lanternas e muita habilidade dos profissionais. A equipe precisa checar se há algum acúmulo ou vazamento de algum gás antes de descer. O profissional que carrega este dosímetro é sempre o primeiro a entrar e o último a sair, para garantir que o ar seja respirável.

    O grande aumento do subterrâneo foi nas década de 70 e 80.

    Pode parecer estranho, mas é comum a água estar presente nesses locais, por isso bombas são necessárias caso seja preciso tirar o excesso. Os cabos cabos são submersíveis e o equipamento é completamente vedado para evitar o contato direto. Água e eletricidade não são uma boa mistura.

    Mais de 10 mil imóveis ficam sem luz com apagão na capital paulista
    Mais de 10 mil imóveis ficam sem luz com apagão na capital paulista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ao todo, são 6 mil poços e 5 mil galerias, para que essa pequena faixa subterrânea de São Paulo aconteça abaixo do solo. O processo para distribuir eletricidade é simples. A energia gerada nas usinas chega por meio de torres de transmissão e vai para subestações , onde a tensão é reduzida, para que os cabos subterrâneos e o transformador subterrâneo entreguem a carga para os consumidores.

    Um dos desafios da manutenção de energia nos poços e galerias é o furto de cabos que representa um gargalo na operação . Entre 2021 e 2025, foram registrados mais de 70 quilômetros de cabos furtados. Para tentar evitar o transtorno, uma tecnologia rústica foi adotada: uma tampa acoplada a um bloco de concreto que precisa ser içada por um mini guindaste. Todo esse esforço pode impactar o tempo de conserto, em caso de falhas no sistema.

    A empresa vive uma crise, em meio ao processo de caducidade , após apagões que deixaram milhões de consumidores sem energia durante vendavais em 2024 e 2025. Ainda não há plano concreto para o aumento da rede subterrânea .

    Centro de São Paulo tem apagão após desligamento de circuito da Enel
    Centro de São Paulo tem apagão após desligamento de circuito da Enel — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na última terça-feira (6), durante reunião na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para decisão sobre a antecipação do fim do contrato do grupo em São Paulo, a sessão foi adiada, após um pedido de vista do diretor da agência, Gentil Nogueira.

    A CNN Brasil revelou, em 2024, após um dos apagões, que seriam necessários cerca de R$ 20 bilhões somente para enterrar a fiação elétrica na região central de São Paulo , segundo uma projeção da Prefeitura da capital. Esta solução reduziria a recorrência de apagões na cidade, mas é considerada cara pelos atores envolvidos.

    A responsabilidade por estes investimentos em tese seria a concessionária de distribuição (a Enel, no caso de São Paulo), que tem PPP (Parceria Público-Privada) com o governo federal. Como explica o ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Edvaldo Santana, o problema é que estes custos acabariam repassados à conta de luz , o que não interessa aos envolvidos.

    Medidor para detectar vazamento de gás nas galerias • Thiago Félix/CNN Brasil
    Medidor para detectar vazamento de gás nas galerias • Thiago Félix/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Por volta das 22h, desta quinta-feira (12), o bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo, ficou sem energia elétrica • MARCELO ESTEVÃO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Por volta das 22h, desta quinta-feira (12), o bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo, ficou sem energia elétrica. • MARCELO ESTEVÃO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Vista de apagão na Bela Vista, região central de São Paulo, na altura da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, na madrugada desta sexta-feira, 13 de Setembro de 2024. • LUCIANO FARIAS/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    • Thiago Félix/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Todos esses custos são repassados para a tarifa de energia, o que encarece a conta de luz. Se for necessário investir R$ 20 bilhões, o governo não quer que isso seja integralmente repassado para os consumidores. O problema é tarifário, e há incertezas sobre como resolver isso”, explica.

    Enel afirma que reduziu, em 57%, o tempo de atendimento para emergências . O indicador passou de 733 minutos em 2023 para 684 em 2024, 437 em 2025 e 315 em 2026. O investimento anual passou de R$ 1,6 bilhão, em 2024, para R$ 2,3 bilhões, em 2025.

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    Medidor para detectar vazamento de gás nas galerias • Thiago Félix/CNN Brasil
    Medidor para detectar vazamento de gás nas galerias • Thiago Félix/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Novo sistema alertará Enel sobre curto em subestações para evitar apagões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Centro de São Paulo tem apagão após desligamento de circuito da Enel
    Centro de São Paulo tem apagão após desligamento de circuito da Enel — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Mais de 10 mil imóveis ficam sem luz com apagão na capital paulista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Aneel deve decidir futuro da caducidade da Enel SP antes das eleições | CNN NOVO DIA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/historia-centenaria-por-baixo-de-sp-poderia-diminuir-impacto-do-clima/.

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    Energia subterrânea, em São Paulo, teve seu auge de crescimento nos anos 70 e 80 • Thiago Félix/CNN Brasil · • Thiago Félix/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil

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