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    HC da Unicamp chega a 10 mil transplantes, mas falta de leitos e doadores atrasa fila

    O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), atingiu a marca de 10 mil transplantes realizados, mas enfrenta a falta de leitos e a baixa captação de doadores para acelerar a fila. A unidade médica está entre as que mais realizam esses procedimentos no país, mas esbarra na concorrência por vagas de internação para conseguir atender a demanda atual. Os transplantes na instituição começaram em 1984 e, desde então, as cirurgias renais lideram o ranking de procedimentos. A aposentada Antônia Smanazzo, que dependia de sessões de hemodiálise, é a paciente que simboliza a marca de número

    G1
    17 de setembro de 2026 às 16:11
    HC da Unicamp chega a 10 mil transplantes, mas falta de leitos e doadores atrasa fila
    Foto: G1

    O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp , em Campinas (SP), atingiu a marca de 10 mil transplantes realizados , mas enfrenta a falta de leitos e a baixa captação de doadores para acelerar a fila.

    A unidade médica está entre as que mais realizam esses procedimentos no país, mas esbarra na concorrência por vagas de internação para conseguir atender a demanda atual.

    Os transplantes na instituição começaram em 1984 e, desde então, as cirurgias renais lideram o ranking de procedimentos.

    A aposentada Antônia Smanazzo, que dependia de sessões de hemodiálise, é a paciente que simboliza a marca de número 10 mil e comemora a mudança na rotina.

    "Nossa, mudou tudo. Só de sair da máquina, porque a gente tinha que fazer a hemodiálise, a alimentação, que é muito complicado", conta.

    O principal obstáculo estrutural apontado pela administração do hospital é a pressão no setor de urgência e emergência.

    De acordo com o superintendente do HC da Unicamp, Maurício Etchebehere, o grande fluxo de pacientes graves impacta diretamente a disponibilidade de vagas.

    "Hoje, no estado de São Paulo, a região de Campinas é a que tem a proporção leito por habitante menor do estado", afirma.

    Além da estrutura, o andamento da fila depende da captação de órgãos viáveis e da conscientização familiar, fator destacado por Ilja Boim, chefe de transplante de fígado do HC.

    "A gente sempre fala assim, avisa sua família. Então, isso faz uma diferença e faz com que os transplantes aumentem", diz.

    Já na área cardíaca, o cirurgião cardiovascular Carlos Lavagnolli explica que apenas 7% dos doadores se tornam viáveis, pois o coração tem um limite de isquemia de cerca de quatro horas.

    "Se a gente vai buscar captar esse órgão em territórios muito distantes do nosso centro, com uma logística muito complexa, ele acaba perdendo a sua viabilidade", relata.

    A maior demanda atual é por rins, e quem aguarda depende de terapias alternativas restritivas. O pintor Antônio Costa Filho, que enfrentou a hemodiálise por oito anos antes de receber um novo órgão, compartilha o alívio após a cirurgia.

    "Nem trabalhar eu podia quando eu fazia hemodiálise. Então o transplante devolveu a liberdade", celebra.

    Atualmente, o estado de São Paulo contabiliza 29.635 pacientes na fila por um órgão , sendo 20.417 apenas à espera de um rim, segundo a Central Estadual de Transplantes.

    Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou que o estado é o que mais realiza transplantes no país. De acordo com a pasta, no primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 15% nos procedimentos em comparação ao mesmo período de 2022.

    Para dar agilidade à logística de captação e tentar reduzir a fila, o governo estadual destacou que mantém o programa TransplantAR, que utiliza aeronaves privadas para o transporte gratuito de órgãos.

    A secretaria também ressaltou que ampliou em 80% os valores pagos pela Tabela SUS Paulista às instituições filantrópicas para procedimentos de captação, além de realizar campanhas permanentes de conscientização sobre o tema.

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    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/09/17/hc-da-unicamp-chega-a-10-mil-transplantes-mas-falta-de-leitos-e-doadores-atrasa-fila.ghtml.

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