HC da Unicamp chega a 10 mil transplantes, mas falta de leitos e doadores atrasa fila
O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), atingiu a marca de 10 mil transplantes realizados, mas enfrenta a falta de leitos e a baixa captação de doadores para acelerar a fila. A unidade médica está entre as que mais realizam esses procedimentos no país, mas esbarra na concorrência por vagas de internação para conseguir atender a demanda atual. Os transplantes na instituição começaram em 1984 e, desde então, as cirurgias renais lideram o ranking de procedimentos. A aposentada Antônia Smanazzo, que dependia de sessões de hemodiálise, é a paciente que simboliza a marca de número
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/9/f/GvBBNDQs6xLuF1YMC0SQ/vlcsnap-2026-03-25-19h30m28s538.png)
O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp , em Campinas (SP), atingiu a marca de 10 mil transplantes realizados , mas enfrenta a falta de leitos e a baixa captação de doadores para acelerar a fila.
A unidade médica está entre as que mais realizam esses procedimentos no país, mas esbarra na concorrência por vagas de internação para conseguir atender a demanda atual.
Os transplantes na instituição começaram em 1984 e, desde então, as cirurgias renais lideram o ranking de procedimentos.
A aposentada Antônia Smanazzo, que dependia de sessões de hemodiálise, é a paciente que simboliza a marca de número 10 mil e comemora a mudança na rotina.
"Nossa, mudou tudo. Só de sair da máquina, porque a gente tinha que fazer a hemodiálise, a alimentação, que é muito complicado", conta.
O principal obstáculo estrutural apontado pela administração do hospital é a pressão no setor de urgência e emergência.
De acordo com o superintendente do HC da Unicamp, Maurício Etchebehere, o grande fluxo de pacientes graves impacta diretamente a disponibilidade de vagas.
"Hoje, no estado de São Paulo, a região de Campinas é a que tem a proporção leito por habitante menor do estado", afirma.
Além da estrutura, o andamento da fila depende da captação de órgãos viáveis e da conscientização familiar, fator destacado por Ilja Boim, chefe de transplante de fígado do HC.
"A gente sempre fala assim, avisa sua família. Então, isso faz uma diferença e faz com que os transplantes aumentem", diz.
Já na área cardíaca, o cirurgião cardiovascular Carlos Lavagnolli explica que apenas 7% dos doadores se tornam viáveis, pois o coração tem um limite de isquemia de cerca de quatro horas.
"Se a gente vai buscar captar esse órgão em territórios muito distantes do nosso centro, com uma logística muito complexa, ele acaba perdendo a sua viabilidade", relata.
A maior demanda atual é por rins, e quem aguarda depende de terapias alternativas restritivas. O pintor Antônio Costa Filho, que enfrentou a hemodiálise por oito anos antes de receber um novo órgão, compartilha o alívio após a cirurgia.
"Nem trabalhar eu podia quando eu fazia hemodiálise. Então o transplante devolveu a liberdade", celebra.
Atualmente, o estado de São Paulo contabiliza 29.635 pacientes na fila por um órgão , sendo 20.417 apenas à espera de um rim, segundo a Central Estadual de Transplantes.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou que o estado é o que mais realiza transplantes no país. De acordo com a pasta, no primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 15% nos procedimentos em comparação ao mesmo período de 2022.
Para dar agilidade à logística de captação e tentar reduzir a fila, o governo estadual destacou que mantém o programa TransplantAR, que utiliza aeronaves privadas para o transporte gratuito de órgãos.
A secretaria também ressaltou que ampliou em 80% os valores pagos pela Tabela SUS Paulista às instituições filantrópicas para procedimentos de captação, além de realizar campanhas permanentes de conscientização sobre o tema.
Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/09/17/hc-da-unicamp-chega-a-10-mil-transplantes-mas-falta-de-leitos-e-doadores-atrasa-fila.ghtml.
Compartilhe
Espalhe essa notícia

