Haddad apresenta plano de segurança com agência antifacção
Programa de Segurança Pública inclui uso de inteligência artificial e divulgação trimestral dos índices de crimes

Programa de Segurança Pública inclui uso de inteligência artificial e divulgação trimestral dos índices de crimes
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) apresentou nesta 2ª feira (10.ago.2026) seu plano para a segurança pública. Entre as propostas estão a criação de uma Agência Estadual Antifacção e de um Placar da Segurança, além do uso de inteligência artificial na prevenção e investigação de crimes.
O programa SP Que Protege, lançado nesta tarde na capital paulista, também propõe a integração de polícias, guardas municipais e órgãos de controle. As medidas são divididas em ações nas ruas, nas casas e no combate ao crime organizado.

Estiveram com ele no evento o candidato a vice, Márcio França (PSB), as candidatas ao senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), e o deputado estadual Emidio de Souza (PT-SP), que coordena o programa de governo.
O programa tem como principal eixo o “Impunidade Zero”. A proposta é aumentar a quantidade de crimes esclarecidos em São Paulo. Para isso, o Placar da Segurança deverá divulgar a cada 3 meses os índices de resolução de roubos, furtos, homicídios e feminicídios.
Os dados serão apresentados por região e acompanhados de metas públicas. O documento cita que São Paulo esclareceu 31% dos homicídios registrados em 2023, menor percentual da série histórica. A taxa ficou abaixo da média nacional, de 36%, enquanto alguns Estados alcançaram índices superiores a 70%.
Uma das metas do programa é também reduzir a posição de São Paulo entre as capitais com maior número de roubos de celulares no país. O Estado ocupa atualmente a terceira colocação nesse indicador, de acordo com o documento.
A campanha também propõe ampliar o uso de inteligência artificial pelas forças de segurança. A tecnologia deverá cruzar imagens de câmeras, boletins de ocorrência e chamadas para o 190 para identificar regiões e horários com maior concentração de crimes e produzir mapas de calor. A partir dessas informações, o governo poderá orientar o patrulhamento e o deslocamento das viaturas.
O sistema também deverá cruzar as chamadas ao 190 em tempo real com imagens de câmeras para localizar ocorrências e permitir o acionamento da viatura mais próxima.
A mesma tecnologia seria utilizada nas investigações. O cruzamento de diferentes bases de dados poderá ajudar a estabelecer relações entre ocorrências, identificar suspeitos e concentrar informações e provas de diferentes crimes em uma mesma investigação. A proposta é reunir ocorrências que hoje são tratadas separadamente e formar investigações mais amplas.
O combate à violência contra a mulher é outro eixo do plano. Haddad propõe fortalecer a atuação das Delegacias da Mulher, melhorar a categorização dos casos e facilitar o acionamento da polícia.
Uma plataforma de inteligência artificial deverá cruzar dados e alertas de diferentes áreas para classificar situações de maior risco. O objetivo é permitir que as policias atuem antes que a violência se agrave.
O programa registra que São Paulo teve 270 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica. Para crianças e adolescentes vítimas de violência, a proposta é oferecer atendimento especializado e realizar perícias em até 48 horas. Para idosos, Haddad quer um canal de denúncias com acompanhamento dos casos.
Para enfrentar as facções criminosas, a campanha quer criar uma estrutura permanente de inteligência e investigação com orientação estratégica do governador. A Agência Estadual Antifacção reuniria Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle.
A estrutura teria como foco o bloqueio de patrimônio das organizações criminosas e a identificação de mecanismos utilizados para inserir recursos do crime organizado na economia formal. O programa também projeta a retirada desses mecanismos e a destinação social de bens confiscados.
A Ooperação Carbono Oculto é citada como um exemplo positivo da atuação contra o crime organizado. A equipe da Haddad afirma que as fintechs usadas pelo esquema movimentaram R$ 52 bilhões ligados ao PCC entre 2020 e 2024, com cerca de 1.000 postos de combustíveis envolvidos.
No interior, o programa propõe patrulhamento permanente dos principais corredores logísticos. A medida teria como foco roubos de cargas e furtos de gado, máquinas, defensivos e insumos agrícolas.
A proposta também inclui o combate à receptação que financia esses crimes, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com Estados vizinhos nas regiões de divisa.
Para o Porto de Santos, a proposta é criar uma força-tarefa permanente com participação das forças de segurança, Receita Federal, Polícia Federal, autoridade portuária e Marinha.
A estrutura teria mandato e orçamento próprios e seria voltada ao combate ao tráfico transnacional e a outros crimes que utilizem o porto como porta de saída.
Haddad também promete um plano de carreira estruturado para os policiais, com valorização salarial e promoções baseadas em critérios profissionais, sem interferência política. O programa afirma que o salário médio dos policiais de São Paulo está abaixo da média nacional.
O candidato ainda propõe que as câmeras corporais voltem a gravar de forma contínua durante todo o período de serviço dos agentes, sem depender do acionamento individual. A medida, segundo o programa, teria como objetivo proteger tanto a população durante as ocorrências quanto os policiais contra acusações injustas.
O documento afirma que as mortes de agentes em serviço caíram 62,7% entre 2019 e 2022, período associado à gravação contínua das câmeras. Nos anos seguintes, com o fim desse modelo de gravação, o número de mortes voltou a crescer.
Sociólogo e mestre em ciências sociais e coordenador do núcleo de segurança pública na democracia do IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa). Foi ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo.
Professor e militante do movimento negro. Foi ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo e atua nas áreas de segurança pública, direitos humanos, juventude e periferia.
Deputado estadual e coordenador do programa de governo de Fernando Haddad. Foi prefeito de Osasco.
Engenheiro, empreendedor e conselheiro em tecnologia. Atua nas áreas de inteligência artificial, políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Economista, mestre e doutor em ciência olítica. É professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/haddad-apresenta-plano-de-seguranca-com-agencia-antifaccao/.

A Agência Estadual Antifacção proposta por Haddad reuniria Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle; na imagem, da esquerda para a direita, a candidata ao Senado Marina Silva (Rede); o candidato a vice-governador, — Foto: Poder360
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