Haddad acusa direita de “apoiar o agressor” sobre tarifaço; Tarcísio rebate com ações
Ministro Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Adriano Machado) – Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/montagem-1120x720-1-1.jpg?fit=1120%2C720&quality=70&strip=all" />Candidatos ao governo de São Paulo divergem sobre resposta às tarifas dos EUA; petista cobra atuação diplomática e pagamento de créditos de ICMS, enquanto governador destaca medidas de apoio aos exportadores The post Haddad acusa direita de “apoiar o agressor” sobre tarifaço; Tarcísio rebate com ações appeared first on InfoMoney .

Ministro Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Adriano Machado) – Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan)
As tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros colocaram Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em confronto neste domingo (9), durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela Band .
Enquanto o petista cobrou uma reação política conjunta contra as medidas de Donald Trump, Tarcísio concentrou sua resposta nas consequências econômicas para as empresas paulistas.

O embate ocorre depois de os Estados Unidos adotarem, em julho, novas sobretaxas sobre parte das exportações brasileiras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas combinadas atingem 23,1% das vendas brasileiras aos EUA. A tarifa de 25% decorrente da investigação comercial americana ameaça entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações, segundo estimativas reunidas pela Reuters .
Haddad afirmou que a resposta brasileira deveria passar pela atuação diplomática do governo federal e criticou políticos que, segundo ele, se aproximaram do governo Trump durante a escalada das tensões.
Campanha do ex-prefeito do Rio alegou ter sido aconselhada pelo jurídico a não participar de embates eleitorais até 16 de agosto

“Estamos em uma situação geopolítica complexa. Os EUA, sem nenhuma justificativa, porque são superavitários contra a gente, resolvem atacar o Brasil. O que se espera dos políticos brasileiros é uma união nacional para defender os interesses domésticos. O que se viu foi um grupo defendendo o agressor. O que é inadmissível”, afirmou.
Em outro momento, o candidato do PT fez uma referência à imagem de Tarcísio usando um boné com o slogan MAGA — Make America Great Again, marca política de Trump — e disse ser necessário “colocar o boné certo na cabeça”.
Para Haddad, a reação ao tarifaço exige fortalecer a diplomacia brasileira, buscar novos destinos para os produtos afetados e construir uma resposta conjunta entre União e estados.

“É preciso união nacional e senso de responsabilidade”, afirmou.
Tarcísio reconheceu o impacto das medidas americanas sobre a economia paulista e direcionou sua resposta às ações adotadas pelo governo estadual para reduzir os efeitos sobre as empresas.
“As tarifas prejudicam em especial o Estado de São Paulo”, afirmou.

Segundo o governador, uma das medidas adotadas foi acelerar a devolução de créditos tributários aos exportadores, numa tentativa de melhorar a liquidez das empresas atingidas pelas novas barreiras comerciais.
“Procuramos antecipar a devolução do crédito para as empresas exportadoras para amenizar e dar fôlego financeiro para as empresas”, disse.
São Paulo está particularmente exposto às medidas americanas por concentrar setores industriais com vendas relevantes para os Estados Unidos. A região de Franca, por exemplo, tem forte dependência do mercado americano para suas exportações de calçados, um dos segmentos atingidos pelas novas tarifas.

Haddad respondeu questionando a situação dos créditos tributários acumulados pelos exportadores paulistas. Segundo o petista, empresas ainda teriam entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em créditos de ICMS aguardando ressarcimento pelo Estado.
O candidato também associou a capacidade de resposta ao tarifaço à decisão do governo paulista sobre a renegociação de sua dívida com a União. São Paulo possui a maior dívida estadual enquadrável no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag): o saldo informado pelo Ministério da Fazenda era de R$ 291,7 bilhões em março de 2025.
“Uma coisa que poderia ter sido feita era a adesão da renegociação da dívida dos estados que foi proposta pelo governo federal. Isso renderia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões em 2025 para o governo do Estado”, afirmou Haddad.

Segundo ele, a folga fiscal poderia ter sido utilizada para acelerar o ressarcimento dos exportadores.
“São Paulo deve de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões de créditos tributários dos exportadores, que aguardam até anos para fazer valer seu crédito. Se tivéssemos uma boa gestão fiscal, que fizesse uma adesão à dívida, hoje estaríamos em uma situação em que as empresas estivessem com caixa e possibilidade de buscar novas praças para seus produtos”, disse.
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Foto: InfoMoney
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