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    Há esperanças de calar as doenças de príon

    Minha mãe é fã do Lito Sousa , mecânico de aviação que conquistou milhões de seguidores no YouTube explicando o encadeamento de desastres aéreos. Consternada com o diagnóstico de Lito com doença de Creutzfeld-Jakob , causada por príons alterados e em evolução rápida, ela me encomendou esta coluna. Leia mais (09/03/2026 - 18h00)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 21:00
    Há esperanças de calar as doenças de príon
    Homem de cabelos grisalhos e barba curta, vestindo camiseta azul, sentado em sofá branco em ambiente interno com várias plantas verdes ao fundo. Ele gesticula com a mão direita próxima ao rosto, usando relógio no pulso esquerdo. Ambiente te — Foto: Folha de S.Paulo

    Bióloga e neurocientista da Universidade Vanderbilt (EUA)

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    O piloto de avião Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas - Reprodução · Reprodução
    O piloto de avião Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Minha mãe é fã do Lito Sousa , mecânico de aviação que conquistou milhões de seguidores no YouTube explicando o encadeamento de desastres aéreos. Consternada com o diagnóstico de Lito com doença de Creutzfeld-Jakob , causada por príons alterados e em evolução rápida, ela me encomendou esta coluna.

    Vou pular para a parte melhor: há esperança para Lito , como ele já descobriu, e ela envolve sensibilizar uma pessoa com uma combinação muito particular de predicados, incluindo um tratamento experimental em mãos .

    Sonia Vallabh era advogada recém-casada quando a mãe morreu em apenas seis meses após o início de uma demência súbita chamada insônia familiar fatal. Como o nome diz, a doença é herdada: basta uma letra alterada no DNA que codifica uma proteína chamada príon. Vallabh respirou fundo, fez o teste —pois tinha 50% de chance de ter herdado a letra alterada da sua mãe— e descobriu que era, sim, portadora da garantia de que a doença vai se manifestar em algum momento da sua vida adulta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vallabh e o marido largaram suas carreiras e entraram para o doutorado, decididos a fazer alguma coisa para poupar Sonia de uma morte demenciada e insone. Pois, 13 anos depois, os dois Vallabh mais a equipe que eles agora lideram no Instituto Broad, parceira do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Harvard, chegaram a um tratamento para doenças de príon que funciona em camundongos.

    Príons são proteínas vira-casaca que normalmente existem na versão do bem, que não se metem na vida umas das outras. Todos nós carregamos esta proteína no sistema nervoso , onde ela participa da regulação do sono e da preservação dos neurônios e da capa de mielina dos nervos.

    Mas basta mudar uma letra no DNA do gene que codifica a proteína príon, o que pode ser herdado ou acontecer do zero, e a nova proteína, assim que nasce, se embola de um jeito diferente. Agora ela é uma influenciadora, e do mal. Assim como existem influenciadores-zumbis que transformam as pessoas inocentes que encontram pela internet em extremistas e negacionistas de todo tipo, que viram também elas influenciadores-zumbis, a proteína príon alterada é capaz de corromper suas compatriotas saudáveis e fazê-las se embolar daquele jeito alterado, sem precisar de novas mudanças no DNA , e irem se espalhando pelo cérebro.

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    O problema é que nesta forma alterada, embolada e contagiosa, príons causam a autodestruição dos neurônios afetados, liberando mais príons alterados e semeando danos de maneira exponencial. Por isso a progressão é tão rápida e catastrófica uma vez que a alteração atinge um nível crítico. O nome da doença depende de onde ela começa e portanto o que ela afeta, mas Creutzfeld-Jakob e insônia familiar fatal começam com a mesma proteína transformada em zumbi.

    Como tratá-la? A maioria dos pesquisadores buscariam atingir a versão zumbi do príon, o equivalente a silenciar os doidões na internet, mas Vallabh sacou que neste caso poderia ser muito mais produtivo eliminar, ao contrário, a versão normal da proteína, impedindo eficientemente o contágio-zumbi. É como deixar o doidão falar, mas só para salas vazias.

    Funciona em camundongos com uma injeção no sangue, e está em fase de teste com humanos . Queria muito saber se Sonia já aplicou seu tratamento nela mesma. Espero que sim, e espero que isso não seja da conta de ninguém. E torço para que ela aceite aplicá-lo no Lito. Referências: Neumann EN et al. (2024) Brainwide silencing of prion protein by AAV-mediated delivery of an engineered compact epigenetic editor. Science 384, eado7082.

    Clinical trial of a prion disease drug candidate begins enrolling participants

    Sonia Vallabh – TED talk: My quest to cure prion disease – before it’s too late .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/suzanaherculanohouzel/2026/09/ha-esperancas-de-calar-as-doencas-de-prion.shtml.

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