Guilherme Kilter, cristão da geração Z, quer modernizar a bancada evangélica
Guilherme Kilter é o candidato de Nikolas Ferreira (PL) no Paraná. Cristão, conservador e de direita, o vereador de Curitiba agora quer se eleger deputado federal pelo partido Novo . Leia mais (09/29/2026 - 14h37)

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Guilherme Kilter é o candidato de Nikolas Ferreira (PL) no Paraná. Cristão, conservador e de direita, o vereador de Curitiba agora quer se eleger deputado federal pelo partido Novo .

Ele é líder de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba. Aos 24 anos, ele soma cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram.
Ele acumula embates gravados. Em março, foi à Assembleia Legislativa confrontar o deputado Renato Freitas (PT) e virou alvo de um pedido de processo por quebra de decoro. Deputados de diferentes partidos também o acusaram de violência de gênero contra Márcia Huçulak (PSD).
A menos de uma semana da eleição, Kilter afirma que, se eleito, quer modernizar a bancada evangélica.

Veja a seguir entrevista que ele concedeu ao Folhateen.
O que você atribui a sua vitória como vereador, aos 21 anos? Sou o primeiro da família a me aventurar na política. Eu estava trabalhando na minha empresa de marketing quando o Deltan Dallagnol estava sendo cassado, em 2023. Eu já fazia conteúdo cristão, minhas redes estavam crescendo, e ele viu e me mandou uma mensagem: "Nós precisamos da juventude conservadora na política".
Achei que era golpe. Mas fui trabalhar com ele um tempo para entender como funcionava a política e decidi me candidatar. No começo, todo mundo me subestimava por causa da idade. Mas nesses dois anos, respondi a essa expectativa ruim com mais trabalho. Virei presidente da Comissão de Educação, criei a Comissão de Superação de Situação de Rua, apresentei mais de 56 projetos de lei e aprovei 8.

Por que trocar a Câmara Municipal por uma candidatura a deputado federal? Porque eu descobri que os grandes problemas da cidade a gente não consegue resolver só aqui. A maioria se resolve em Brasília. É o caso das pessoas em situação de rua, que duplicaram no atual governo. Na educação, que é minha principal área, a grade curricular e o Plano Nacional de Educação só mudam em Brasília.
Por que tantos jovens estão se aproximando das igrejas evangélicas? A mensagem e o propósito falam diretamente com o jovem. Ter uma vida na eternidade, encontrar salvação, uma solução para as dores emocionais.
A Igreja Católica às vezes tem ritos diferentes e uma formalidade muito maior —não estou dizendo que é certo ou errado, são jeitos diferentes. Num culto evangélico , tudo é mais dinâmico, as músicas são mais animadas.O jovem se sente parte de uma tribo,
O senhor acredita que a geração Z é muito diferente das anteriores? A gente está vendo uma geração Z cada vez mais conservadora e cristã. No Brasil todo, as baladas estão fechando. A vida noturna do jovem está cada vez mais curta. Os jovens estão bebendo menos: o consumo de álcool caiu, os de drogas também. A academia disparou entre os jovens, com um estilo de vida e hábitos mais saudáveis. E, nessa crescente, a igreja também se tornou um lugar onde os jovens são bem acolhidos e encontram as respostas que buscam.
Eleito, o senhor pretende integrar a bancada evangélica? Acho que é diferente ser evangélico, e fazer parte da bancada evangélica como está composta hoje na Câmara dos Deputados. Entendo que a bancada parou no tempo. Não consegue mais se comunicar de forma clara, não tem uma análise tão técnica dos projetos. Muitas vezes o posicionamento é meio simplista.
Gostaria de levar uma carga um pouco mais técnica e uma comunicação mais clara para dentro. Não sei exatamente como funciona a atuação da bancada, quem seria o líder, o que daria para fazer, mas com certeza gostaria de colaborar.
O que o senhor acha do Pé-de-Meia? Acho que é um programa com uma ideia boa, executado da forma errada. O que eu mais vejo são jovens que chegam ao ensino médio querendo uma experiência profissional.
É claro que pegar o dinheiro de impostos e devolver ao cidadão é sempre uma ótima ideia. Em tese, é até um programa liberal. Mas, na execução, a gente viu recorde de fraudes, gente que não conseguia receber. Acredito que a melhor forma de educação não é transferir o recurso na ponta, mas ter um programa de formação continuada e técnica.
Lula sabia que estava perdendo intenção de voto entre os jovens e achou uma solução eleitoreira para conquistar esse apoio. Só que deu um tiro no pé, porque junto veio a taxa das blusinhas, que afeta o jovem que está no primeiro emprego. A taxa das blusinhas trouxe muito mais reprovação entre os jovens do que o Pé-de-Meia poderia trazer de aprovação.
Seus aliados mais próximos, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, estão no PL . Por que o senhor está no Novo? Quem me chamou para a política aqui no Paraná foi o Deltan. Ele foi eleito pelo Podemos e, quando tem o mandato cassado, vai para o Novo. E aí começa uma construção de grupo. Aqui no Paraná o meu grupo é o do Deltan.
O Nikolas e o Pavanato eu conheci pelas redes sociais. O Nikolas me chamou para ser um dos cem candidatos a vereador que ele foi treinar em Brasília em 2024. Ali tivemos o primeiro contato pessoal e posso dizer que criamos uma amizade.
No Novo há mais liberdade, regras muito claras para quem quer se candidatar. Então, o melhor cenário foi entrar no Novo. De todo modo, o Deltan também está muito alinhado com o Nikolas. A relação é muito tranquila, mesmo sendo de partidos diferentes.
O senhor pensa em migrar para o PL? Hoje, não. A nossa principal missão dentro do Novo é fazer o partido superar a cláusula de barreira. A gente sabe dessa dificuldade. É claro que o futuro pode mudar. O tempo vai dizer.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhateen/2026/09/guilherme-kilter-cristao-da-geracao-z-quer-modernizar-a-bancada-evangelica.shtml.

Guilherme Kilter (Novo) e Nikolas Ferreira (PL) - Redes Sociais · Redes Sociais — Foto: Folha de S.Paulo
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