Guia prepara comunidades para eventos climáticos extremos
Não faz muito tempo, a mudança do clima estava no futuro. Tratava-se de algo distante, para os mais otimistas, e poderia inclusive não acontecer. Mas o futuro chegou, bateu à nossa porta, e com ele vieram enchentes como as que vimos no Sul do país, longos períodos de estiagem na Amazônia fazendo secar rios caudalosos, ciclones que arruinaram vidas e ondas de calor cada vez mais intensas. Leia mais (09/14/2026 - 08h00)

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Cofundadora e diretora pedagógica da Formigas-de-Embaúba, vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2025
Ecóloga e coordenadora-geral no departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Não faz muito tempo, a mudança do clima estava no futuro. Tratava-se de algo distante, para os mais otimistas, e poderia inclusive não acontecer. Mas o futuro chegou, bateu à nossa porta, e com ele vieram enchentes como as que vimos no Sul do país, longos períodos de estiagem na Amazônia fazendo secar rios caudalosos, ciclones que arruinaram vidas e ondas de calor cada vez mais intensas.

Não se trata mais de previsão, mas de realidade. Diversos órgãos oficiais indicam que já estamos sob influência do El Niño e, com ele, vem o agravamento de eventos extremos. Não adianta negar, é preciso agir.
Desde 2019, a ONG Formigas-de-Embaúba vem trazendo miniflorestas de volta para regiões periféricas da cidade de São Paulo, onde vive a população mais afetada pela crise climática. É lá onde as pessoas estão mais vulneráveis a ondas de calor, ciclones, deslizamentos e alagamentos, e onde a descontinuidade do fornecimento de água é constante.
As 52 miniflorestas plantadas pela Formigas-de-Embaúba em equipamentos públicos periféricos são como oásis verdes, onde a temperatura é amena, a água penetra o solo alimentando o lençol freático, animais encontram refúgio e as pessoas conforto térmico e bem-estar emocional.

Podem colher frutas no pé, plantar e colher ervas medicinais, observar a vida silvestre voltando ao território, encantar-se. E o plantio das miniflorestas vem sempre acompanhado de um consistente programa de educação ambiental que busca construir sentido para a reconexão com a natureza , além de promover o sentimento de pertencimento a estes espaços.
Ao mesmo tempo, estudantes são motivados a compartilhar conhecimentos sobre a emergência climática com seus familiares, amigos e vizinhos, entendendo que a ampliação de conhecimentos sobre o assunto contribui para que as comunidades mais afetadas possam erguer mais alto suas vozes em defesa da justiça ambiental, em defesa da vida. O conhecimento somado à organização comunitária amplia a resiliência e o poder de transformação das realidades.
Neste sentido, tendo em vista o agravamento da crise climática, o Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento de Alertas e de Desastres Naturais), Cecsa-SP (Centro de Educação e Cooperação Socioambiental Educação), Universidade Zumbi dos Palmares e Instituto Allma Hub elaboraram o guia "Comunidades Preparadas – Protocolos de Educação Ambiental em Cenários de Eventos Extremos" .
O objetivo é oferecer um caminho para que as pessoas possam se preparar para os eventos extremos, construindo territórios mais seguros, resilientes e preparados para os desafios do presente e do futuro.
Cada comunidade ou coletivo conhece sua realidade melhor do que ninguém e pode utilizar a publicação de acordo com seus desafios e capacidades. Construir um protocolo comunitário é firmar um pacto coletivo de cuidado.
É reconhecer que cada território possui conhecimentos valiosos e que a educação ambiental é uma ferramenta de transformação social capaz de mobilizar as pessoas a se organizarem para compreender, proteger e fortalecer o lugar onde vivem.
O guia traz um passo a passo de ações que podem fazer diferença em situações de risco. Entre elas, propõe que sejam identificados problemas encontrados na comunidade, como áreas que alagam, por exemplo, e também as capacidades de resposta, como abrigos e postos de saúde.
Nesse exercício, o documento destaca que devem ser consideradas as pessoas: identificar onde estão as mais vulneráveis e as lideranças locais e empoderar mulheres e meninas nos espaços de tomada de decisões.
Propõe ainda a elaboração de um mapa simples, indicando áreas de risco, recursos existentes, pessoas e grupos prioritários, além de uma lista com especialistas e instituições de fora da comunidade que serão procurados, já identificando quem fará estes contatos.
Plantar miniflorestas nas periferias das cidades e construir protocolos comunitários são formas de transformar preocupação em potência de ação. Não adianta negar, é preciso agir.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/guia-prepara-comunidades-para-eventos-climaticos-extremos.shtml.

No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño incluem mais chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste - Getty Images via BBC · Getty Images via BBC — Foto: Folha de S.Paulo
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