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    Guia prepara comunidades para eventos climáticos extremos

    Não faz muito tempo, a mudança do clima estava no futuro. Tratava-se de algo distante, para os mais otimistas, e poderia inclusive não acontecer. Mas o futuro chegou, bateu à nossa porta, e com ele vieram enchentes como as que vimos no Sul do país, longos períodos de estiagem na Amazônia fazendo secar rios caudalosos, ciclones que arruinaram vidas e ondas de calor cada vez mais intensas. Leia mais (09/14/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de setembro de 2026 às 11:00
    Guia prepara comunidades para eventos climáticos extremos
    Nuvens escuras e densas cobrem o céu acima de prédios altos e casas com telhados vermelhos em uma cidade. A luz do dia está parcialmente bloqueada pela tempestade iminente. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño incluem mais chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste - Getty Images via BBC · Getty Images via BBC
    No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño incluem mais chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste - Getty Images via BBC · Getty Images via BBC — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cofundadora e diretora pedagógica da Formigas-de-Embaúba, vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2025

    Ecóloga e coordenadora-geral no departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

    Não faz muito tempo, a mudança do clima estava no futuro. Tratava-se de algo distante, para os mais otimistas, e poderia inclusive não acontecer. Mas o futuro chegou, bateu à nossa porta, e com ele vieram enchentes como as que vimos no Sul do país, longos períodos de estiagem na Amazônia fazendo secar rios caudalosos, ciclones que arruinaram vidas e ondas de calor cada vez mais intensas.

    ONG Formigas-de-embaúba planta miniflorestas de mata atlântica em escolas de São Paulo
    ONG Formigas-de-embaúba planta miniflorestas de mata atlântica em escolas de São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não se trata mais de previsão, mas de realidade. Diversos órgãos oficiais indicam que já estamos sob influência do El Niño e, com ele, vem o agravamento de eventos extremos. Não adianta negar, é preciso agir.

    Desde 2019, a ONG Formigas-de-Embaúba vem trazendo miniflorestas de volta para regiões periféricas da cidade de São Paulo, onde vive a população mais afetada pela crise climática. É lá onde as pessoas estão mais vulneráveis a ondas de calor, ciclones, deslizamentos e alagamentos, e onde a descontinuidade do fornecimento de água é constante.

    As 52 miniflorestas plantadas pela Formigas-de-Embaúba em equipamentos públicos periféricos são como oásis verdes, onde a temperatura é amena, a água penetra o solo alimentando o lençol freático, animais encontram refúgio e as pessoas conforto térmico e bem-estar emocional.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Podem colher frutas no pé, plantar e colher ervas medicinais, observar a vida silvestre voltando ao território, encantar-se. E o plantio das miniflorestas vem sempre acompanhado de um consistente programa de educação ambiental que busca construir sentido para a reconexão com a natureza , além de promover o sentimento de pertencimento a estes espaços.

    Ao mesmo tempo, estudantes são motivados a compartilhar conhecimentos sobre a emergência climática com seus familiares, amigos e vizinhos, entendendo que a ampliação de conhecimentos sobre o assunto contribui para que as comunidades mais afetadas possam erguer mais alto suas vozes em defesa da justiça ambiental, em defesa da vida. O conhecimento somado à organização comunitária amplia a resiliência e o poder de transformação das realidades.

    Neste sentido, tendo em vista o agravamento da crise climática, o Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento de Alertas e de Desastres Naturais), Cecsa-SP (Centro de Educação e Cooperação Socioambiental Educação), Universidade Zumbi dos Palmares e Instituto Allma Hub elaboraram o guia "Comunidades Preparadas – Protocolos de Educação Ambiental em Cenários de Eventos Extremos" .

    O objetivo é oferecer um caminho para que as pessoas possam se preparar para os eventos extremos, construindo territórios mais seguros, resilientes e preparados para os desafios do presente e do futuro.

    Cada comunidade ou coletivo conhece sua realidade melhor do que ninguém e pode utilizar a publicação de acordo com seus desafios e capacidades. Construir um protocolo comunitário é firmar um pacto coletivo de cuidado.

    É reconhecer que cada território possui conhecimentos valiosos e que a educação ambiental é uma ferramenta de transformação social capaz de mobilizar as pessoas a se organizarem para compreender, proteger e fortalecer o lugar onde vivem.

    O guia traz um passo a passo de ações que podem fazer diferença em situações de risco. Entre elas, propõe que sejam identificados problemas encontrados na comunidade, como áreas que alagam, por exemplo, e também as capacidades de resposta, como abrigos e postos de saúde.

    Nesse exercício, o documento destaca que devem ser consideradas as pessoas: identificar onde estão as mais vulneráveis e as lideranças locais e empoderar mulheres e meninas nos espaços de tomada de decisões.

    Propõe ainda a elaboração de um mapa simples, indicando áreas de risco, recursos existentes, pessoas e grupos prioritários, além de uma lista com especialistas e instituições de fora da comunidade que serão procurados, já identificando quem fará estes contatos.

    Plantar miniflorestas nas periferias das cidades e construir protocolos comunitários são formas de transformar preocupação em potência de ação. Não adianta negar, é preciso agir.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/guia-prepara-comunidades-para-eventos-climaticos-extremos.shtml.

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    No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño incluem mais chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste - Getty Images via BBC · Getty Images via BBC — Foto: Folha de S.Paulo

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