Grupos do setor de defesa alertam que estoque de minerais críticos dos EUA pode elevar preços
Empresas do setor de defesa alertaram que uma iniciativa dos Estados Unidos para formar estoques de minerais críticos pode elevar os preços e aumentar a concorrência com compradores industriais por materiais escassos. Leia mais (10/08/2026 - 16h53)

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Londres | Financial Times Empresas do setor de defesa alertaram que uma iniciativa dos Estados Unidos para formar estoques de minerais críticos pode elevar os preços e aumentar a concorrência com compradores industriais por materiais escassos.

O governo americano deveria "agir com cautela" para evitar distorções nos mercados, afirmou a AIA (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil) em um relatório divulgado na quinta-feira (8) com as opiniões de seus membros.
O Export-Import Bank dos EUA anunciou neste ano um plano de US$ 12 bilhões (R$ 60,1 bilhões), chamado Project Vault, para criar uma reserva estratégica doméstica de metais que possa ser utilizada por indústrias civis em períodos de escassez.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação da disputa internacional por recursos e à guerra comercial entre EUA e China , que levou Pequim a restringir o acesso a uma série de metais essenciais para tecnologias modernas.

Os membros da AIA demonstraram preocupação com a possibilidade de o Project Vault "competir" com compradores corporativos por minerais críticos "em um cenário de oferta global já restrita, o que poderia resultar em aumento dos preços e da volatilidade do mercado para as empresas", afirmou a entidade.
O grupo, que tem entre seus membros a Palantir Technologies e a BAE Systems, disse querer que o Vault responda a essas preocupações antes de realizar qualquer compra e explique melhor como a iniciativa funcionará.
O Ex-Im Bank defendeu o projeto. "O Project Vault é um amortecedor contra choques para os fabricantes americanos", afirmou a instituição em comunicado. "O Project Vault foi criado para proteger as linhas de produção americanas contra choques de oferta, e não para competir com as empresas que atende." O Pentágono se recusou a comentar.

Metais como o tungstênio, valorizado por sua dureza, e elementos de terras raras, utilizados na fabricação de ímãs, são essenciais para as cadeias de fornecimento do setor de defesa. Os preços, porém, dispararam nos últimos dois anos à medida que a oferta foi restringida por Pequim, que domina a produção desses materiais.
Os EUA e outros países agora correm para criar fontes alternativas e formar estoques de emergência, esforços que podem aumentar a competição entre países e setores.
A Abenojar Tungsten, da Espanha, afirmou ao Financial Times que vendeu todo o metal que sua mina produzirá durante os dez primeiros anos de operação para a trading Traxys, que fornecerá material ao Project Vault, entre outros clientes.

A AIA também alertou que seus membros precisarão de mais tempo para cumprir um prazo estabelecido pelos EUA em 1º de janeiro, que proibirá empresas de defesa de adquirir da China ímãs de terras raras destinados às Forças Armadas.
Os componentes de alta tecnologia são utilizados em produtos que vão de veículos elétricos a caças e sistemas de armas, e apenas um pequeno número de empresas fora da China os fabrica em escala.
Isenções para itens que não cumpram as regras serão "necessárias após 1º de janeiro", e o volume de pedidos em todo o setor provavelmente será "significativo", afirmou a AIA.
Isso criaria um "gargalo administrativo" para o governo caso não seja estabelecido um processo claro para lidar com os pedidos de isenção, disse a entidade. Também não está claro em quais circunstâncias uma isenção seria aprovada, acrescentou.
"Seria muito difícil para o setor suportar a ausência total de isenções e, ousaria dizer, seria impossível", afirmou Dak Hardwick, vice-presidente de assuntos internacionais da AIA. O presidente dos EUA, Donald Trump , assinou uma ordem executiva em julho restringindo a concessão de futuras isenções.
O setor de defesa é um dos principais consumidores de minerais críticos e ímãs, embora as indústrias automotiva e de semicondutores normalmente utilizem volumes maiores. Empresas de defesa e aeroespaciais, porém, costumam exigir materiais de alta pureza e peças específicas, produzidos em menor escala.
Mesmo quando existem fontes fora da China, os fornecedores de materiais e componentes frequentemente precisam passar por um longo processo de testes e aprovação junto aos potenciais compradores antes que seus produtos possam substituir os atuais em uma cadeia de fornecimento.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/10/grupos-do-setor-de-defesa-alertam-que-estoque-de-minerais-criticos-dos-eua-pode-elevar-precos.shtml.

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