Grupo investigado por suicídio de menina de 13 anos incluía amiga e passou por diferentes plataformas
Suspeitos de integrar o grupo investigado na Operação Lívia migraram a transmissão da morte de uma adolescente de 13 anos entre diferentes plataformas na madrugada de 22 de julho, conforme os canais eram derrubados. A transmissão chegou ao Instagram depois de passar pelo Discord , segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Leia mais (09/18/2026 - 15h39)

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Suspeitos de integrar o grupo investigado na Operação Lívia migraram a transmissão da morte de uma adolescente de 13 anos entre diferentes plataformas na madrugada de 22 de julho, conforme os canais eram derrubados. A transmissão chegou ao Instagram depois de passar pelo Discord , segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

A delegada Anne Karine Trevizan afirmou à Folha que os seis adolescentes apreendidos na nova etapa da operação nesta semana poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa . "Durante os depoimentos, eles não demonstraram arrependimento pelos atos", disse.
A morte da adolescente, induzida a se suicidar, causou repercussão e motivou medidas contra o Discord, como a suspensão das transmissões ao vivo e uma ação em que o governo pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos . O pedido está tramitando na Justiça .
Em nota, o Discord afirmou ter compromisso com a segurança dos usuários e disse utilizar tecnologia e equipes especializadas para remover conteúdos que violem suas políticas. A empresa afirmou ter investigado e desativado o servidor privado utilizado pelo grupo antes da morte da adolescente.

A investigação aponta que o grupo supostamente usava perfis falsos em redes abertas para se aproximar de jovens vulneráveis, obter dados pessoais e utilizá-los em ameaças e chantagens.
O grupo virtual, chamado de panela pelos integrantes, existia havia cerca de dois anos. A vítima estava no grupo havia cerca de três meses, período que coincide com seu retorno da Espanha, onde morava com o pai e uma irmã.
No ambiente virtual, a adolescente passou a ser ameaçada e, conforme a investigação, recebeu ordens de integrantes do grupo para praticar automutilação. Imagens analisadas pela perícia mostram marcas no corpo da vítima com referências aos nomes de lideranças da rede.

A investigação aponta a participação de uma adolescente de 13 anos, moradora de uma cidade do interior de São Paulo , que era tida pela vítima como amiga. Ela teria obtido dados pessoais da jovem e repassado as informações aos demais integrantes do grupo, alimentando o ciclo de ameaças e chantagens.
Ao todo, a Operação Lívia soma 12 pessoas apreendidas ou presas: seis adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, nesta nova etapa, além de outros cinco adolescentes e um adulto na primeira fase.
Segundo a dinâmica da madrugada de 22 de julho envolveu o Zangi, Telegram , Discord e Instagram. O Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), do Ministério da Justiça, notificou as empresas, que atuaram na derrubada dos canais. No Discord, o procedimento levou 28 minutos.
Conforme as salas eram encerradas, os envolvidos migravam a transmissão para outras plataformas, até chegar ao Instagram. A Meta , que gere a plataforma, informou cooperar com as autoridades policiais e apoiar investigações em andamento.
A análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos encontrou indícios de que outras adolescentes podem ter sido vítimas da mesma rede. A Polícia Civil continua a extração e a perícia dos dados para identificar novas vítimas e eventuais integrantes do grupo.
"Os adolescentes estão sob custódia à disposição da Justiça, que analisará a aplicação de internação provisória pelo prazo máximo de 45 dias, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Os da primeira fase seguem presos ou internados", afirmou a corporação.
O adulto preso sob suspeita na etapa inicial responde por suspeita de homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais.
O Zangi afirmou manter contato com autoridades brasileiras desde 2022, mas disse não ter recebido denúncias relacionadas ao caso. A empresa afirmou ainda considerar improvável o uso do aplicativo para uma transmissão pública da morte, já que a plataforma não possui canais ou recursos de transmissão aberta.
O serviço, disse a empresa, tem arquitetura fechada voltada à comunicação entre amigos, familiares e colegas e permite localizar apenas contatos já adicionados pelo usuário.
A reportagem também procurou o Telegram pelo canal oficial de comunicação nesta quinta-feira, mas não houve resposta.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/grupo-investigado-por-suicidio-de-menina-de-13-anos-incluia-amiga-e-passou-por-diferentes-plataformas.shtml.

Discord foi alvo de medidas do governo brasileiro após morte de adolescente - Dado Ruvic - 27.out.25/Reuters · Dado Ruvic - 27.out.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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