Gravuras de Matisse roubadas na Mário de Andrade são encontradas em São Bernardo do Campo, diz polícia
As oito gravuras de Henri Matisse roubadas em dezembro do ano passado da biblioteca Municipal Mário de Andrade, na Consolação, região central de São Paulo, foram encontradas nesta quinta (13) em São Bernardo do Campo, na região do ABC. A informação foi confirmada à coluna pelo secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. O caso é registrado no 1º Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado). Leia mais (08/13/2026 - 19h30)

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As oito gravuras de Henri Matisse roubadas em dezembro do ano passado da biblioteca Municipal Mário de Andrade, na Consolação, região central de São Paulo, foram encontradas nesta quinta (13) em São Bernardo do Campo, na região do ABC. A informação foi confirmada à coluna pelo secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. O caso é registrado no 1º Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Um homem identificado como João Paulo foi preso. Segundo a advogada do suspeito, Rosângela Oliveira, as obras foram encontradas pela Polícia na casa dele.
O roubo aconteceu no dia 7 de dezembro. Dois homens armados invadiram o espaço cultural. Além dos quadros de Matisse, foram roubadas cinco gravuras de Candido Portinari , da obra "Menino de Engenho", pertencentes à exposição "Do livro ao museu : MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade", segundo informou na época a Prefeitura de São Paulo, responsável pelo local.

Investigação da Polícia Civil apontou como mandante do roubo Laéssio Rodrigues de Oliveira, 53, considerado o maior ladrão de obras de arte e livros raros do país. Ele está preso desde abril após ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, em desdobramento de outro caso. Um segundo suspeito, com participação no roubo à biblioteca, também foi detido pela mesma ação da PF.
Em operação da Polícia Civil realizada em maio, uma mulher também foi presa. A Justiça havia expedido 11 mandados de busca e apreensão a pedido do delegado Ronald Quene, do 1º Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado), responsável pela investigação desde o início.
Na ação na Mário de Andrade, um dos criminosos anunciou o roubo ao mostrar a arma debaixo da blusa para uma das seguranças da biblioteca, que estava desarmada.

Ela foi levada para uma sala onde foi obrigada a entregar o rádio de comunicação e o celular. Enquanto isso, o outro suspeito retirou os oito quadros de Matisse da parede.
A dupla seguiu até um mostruário de vidro, onde estavam as demais gravuras roubadas. Eles usaram uma sacola de lona para guardar as obras de arte antes de fugir pela porta principal.
Segundo a polícia, um casal de idosos que visitava a exposição também foi rendido pelos ladrões.

Os suspeitos fugiram em direção ao metrô Anhangabaú, de acordo com a corporação. Um dos ladrões vestia calça jeans surrada e camisa vermelha. O outro estava de calça jeans, blusa de moletom azul e boné azul.
Vigilantes correram para pedir ajuda a policiais militares que patrulhavam a região, mas os suspeitos não foram localizados.
No momento do roubo, o local estava aberto ao público e era o último dia da mostra que reunia livros raros, obras das décadas de 1940 e 1950 e fotografias que retratam a produção moderna no país.
Os quadros de Matisse roubados estavam logo na entrada da exposição. Na comparação entre a foto e um vídeo postado pela biblioteca nas redes sociais, é possível identificar entre as obras subtraídas estão colagens do álbum "Jazz", publicado em 1947 na França pelo artista francês.
Elas são consideradas um conjunto raríssimo, já que existem apenas 250 exemplares originais espalhados pelo mundo —no Brasil, apenas 2—, explica o crítico de arte e curador Tadeu Chiarelli. "O valor cultural e artístico é incalculável", disse ele à Folha.
A mesma edição do álbum de gravuras "Jazz", de Matisse, já havia sido alvo de furto do acervo municipal. Adquiridas no final da década de 1940, as ilustrações estavam em posse da biblioteca havia dez anos.
A data exata do primeiro furto não é conhecida. As imagens, que deveriam estar com a biblioteca municipal paulistana, foram encontradas no fim de 2006 pela Polícia Federal da Argentina . A obra foi achada em um lote de cerca de 60 livros raros que, segundo o noticiário da época, haviam sido furtados de diversas instituições brasileiras.
Os ladrões estariam tentando cruzar a fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR) quando foram barrados por autoridades da alfândega vizinha. A PF informou, à época, que "Jazz" era, de longe, a peça mais cara do conjunto de obras apreendidas.
A Biblioteca Mário de Andrade passou seis anos com a versão falsa em seu acervo, chegando a emprestá-la para uma mostra em homenagem a Matisse na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2009.
O livro verdadeiro de Matisse só foi devolvido ao acervo paulistano cerca de nove anos após a apreensão. Primeiro, ficou cerca de cinco anos em posse das autoridades argentinas. Apenas em 2011 o lote completo foi retirado do país vizinho pela Polícia Federal.
A biblioteca inicialmente recusou a ideia de que as obras tinham sido furtadas, mas uma perícia demonstrou que as apreendidas eram as originais, e aquelas que ficaram no acervo eram falsas.
De 2011 a 2015, o álbum ficou depositado no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Em agosto de 2015, o então diretor da Mário de Andrade, Luiz Armando Bagolin, foi pessoalmente retirar a obra e trazê-la de volta a São Paulo.
As ilustrações de Matisse eram o grande destaque da exposição que comemorava o centenário da Biblioteca Mário de Andrade. As imagens originais fazem parte de um livro de tamanho A3 (29,7 por 42 cm) encadernadas, que foram emolduradas para exposição.
A série foi concebida pelo artista francês durante a Segunda Guerra Mundial , na sua velhice e durante a recuperação de uma cirurgia para tratar um câncer. Como o artista não podia mexer com tinta devido ao tratamento pós-operatório, ele fez as imagens com recortes de papel colorido e colagem.
Obra fundamental do modernismo mundial, "Jazz" foi um marco no processo de institucionalização desse movimento artístico em São Paulo . A aquisição da obra foi um pontapé inicial para o processo que levou à criação do MAM -SP ( Museu de Arte Moderna de São Paulo). A exposição, inclusive, fazia um resgate da ligação histórica entre as duas instituições.
Segunda maior biblioteca pública do país, atrás apenas da Nacional, a Mário de Andrade guarda quase 1,5 milhão de itens, somando livros, mapas e documentos.
Fundado em 1925 como Biblioteca Municipal de São Paulo e inaugurado em 1926 na Rua 7 de Abril, o patrimônio histórico da cidade foi transferido em 1942 para o prédio atual, projetado por Jacques Pilon.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/08/gravuras-de-matisse-roubadas-na-mario-de-andrade-sao-encontradas-em-sao-bernardo-do-campo-diz-policia.shtml.

Espaço ocupado por obras roubadas na biblioteca Municipal Mario de Andrade - Reprodução /PM · Reprodução /PM — Foto: Folha de S.Paulo
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