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    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho

    Avaliação é que operação com a Lynas reúne investimento, tecnologia e agregação de valor no Brasil e pode servir de parâmetro para outros projetos

    CNN Brasil
    1 de outubro de 2026 às 09:00
    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho
    Foto: CNN Brasil

    O governo avalia que a compra da Meteoric Resources pela Lynas Rare Earths deve passar sem grandes dificuldades pelo novo conselho de minerais críticos e enxerga a operação como uma referência do tipo de investimento que a nova política para o setor pretende atrair ao Brasil.

    Segundo interlocutores do governo ouvidos pela CNN , o negócio reúne alguns dos principais objetivos defendidos pelo Planalto na nova política: entrada de capital estrangeiro, processamento no país, agregação de valor e incorporação de tecnologia.

    A avaliação é que, diante de um projeto desse porte, não faria sentido o novo CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos) criar obstáculos relevantes à operação.

    Fachada do Palácio do Planalto, sede de Poder Executivo • Divulgação · • Divulgação
    Fachada do Palácio do Planalto, sede de Poder Executivo • Divulgação · • Divulgação — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O colegiado tem entre suas atribuições homologar mudanças de controle de empresas que detenham direitos minerários sobre minerais críticos e estratégicos.

    A aquisição da Meteoric pela Lynas, avaliada em cerca de R$ 3,5 bilhões, depende dessa autorização. Os próprios documentos da transação citam expressamente a aprovação brasileira para a mudança de controle como uma das condições para a conclusão do negócio.

    Na leitura de integrantes do governo, porém, o caso está próximo do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou estimular ao sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O objetivo é usar o potencial mineral brasileiro para desenvolver mais etapas da cadeia dentro do país, em vez de limitar a produção à extração e à exportação da matéria-prima.

    Lynas compra Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões
    Lynas compra Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Meteoric já havia levado o projeto ao governo antes mesmo da sanção da nova política.

    Executivos da companhia se reuniram com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em 16 de setembro, antes do evento no Palácio do Planalto que marcou a sanção da lei.

    Segundo interlocutores, naquela ocasião o governo foi informado sobre a operação envolvendo a Lynas.

    Petrobras recebe novos pagamentos de subvenção aos combustíveis
    Petrobras recebe novos pagamentos de subvenção aos combustíveis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para integrantes do governo, a chegada da Lynas muda de patamar o projeto Caldeira, em Minas Gerais.

    A empresa australiana é uma das poucas companhias fora da China com experiência comercial em separação de terras raras, uma das etapas mais complexas e de maior valor da cadeia.

    Interlocutores ouvidos pela CNN afirmam ainda que, nas conversas com o governo, foi apresentada a perspectiva de uma planta de óxidos de terras raras que poderá estar entre as maiores unidades de separação fora da China.

    Lei dos minerais é “meio-termo” e conselho não vai burocratizar, diz Jardim
    Lei dos minerais é “meio-termo” e conselho não vai burocratizar, diz Jardim — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Os documentos divulgados pelas empresas ao mercado, no entanto, são mais cautelosos.

    A Lynas afirma que vai estudar o potencial para ampliar o processamento de terras raras no Brasil, sem assumir até agora um compromisso público definitivo sobre a construção da planta.

    A avaliação dentro do governo é que o caso Meteoric também pode acabar elevando a referência usada para analisar outros projetos.

    Lynas compra Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões
    Lynas compra Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Isso porque, ao colocar na mesa a possibilidade de separação de terras raras no país, a operação tende a aumentar a pressão para que outras empresas expliquem por que não conseguem assumir compromissos semelhantes de agregação de valor.

    A leitura é que isso não significa exigir de todos os projetos uma estrutura industrial do mesmo tamanho, mas que ficará mais difícil justificar modelos baseados apenas na extração e exportação do mineral quando houver condições econômicas e tecnológicas para avançar na cadeia. A cobrança, porém, não deve ser uniforme: cada mineral e cada projeto têm uma vocação diferente e serão analisados de acordo com suas características.

    A nova lei permite justamente a adoção de parâmetros, requisitos técnicos e compromissos de agregação de valor ligados à exportação, além de prever tratamento prioritário para projetos que internalizem etapas relevantes da cadeia mineral.

    Petrobras recebe novos pagamentos de subvenção aos combustíveis
    Petrobras recebe novos pagamentos de subvenção aos combustíveis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O projeto também pode ganhar dimensão regional.

    Segundo fontes ouvidas pela CNN, o governo avalia a possibilidade de apoiar financeiramente a futura planta de separação, inclusive por meio de instrumentos operados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento).

    A unidade também poderá, em tese, processar matéria-prima de outros projetos da região de Poços de Caldas, onde há uma concentração crescente de empreendimentos de terras raras. Nesse cenário, a planta deixaria de atender apenas ao projeto Caldeira e poderia funcionar como uma estrutura de processamento para um polo mais amplo no Sul de Minas.

    Lei dos minerais é “meio-termo” e conselho não vai burocratizar, diz Jardim
    Lei dos minerais é “meio-termo” e conselho não vai burocratizar, diz Jardim — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ainda não há data definida para a primeira reunião do novo conselho. Antes de analisar operações como a da Meteoric, o colegiado ainda terá de avançar na definição das regras e dos parâmetros que orientarão sua atuação.

    A Lynas fechou acordo para comprar 100% da Meteoric Resources em uma operação integralmente em ações, avaliada em A$ 968 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões).

    A Meteoric é dona do projeto Caldeira, em Minas Gerais, considerado pelas empresas o maior recurso conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/governo-ve-caso-meteoric-como-referencia-e-sinaliza-aval-no-conselho/.

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