Governo Trump quer enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, diz jornal britânico
O governo de Donald Trump , presidente dos Estados Unidos , planeja destinar US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) em dinheiro público a grupos contrários ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de que a Corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian . Leia mais (10/01/2026 - 13h23)

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O governo de Donald Trump , presidente dos Estados Unidos , planeja destinar US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) em dinheiro público a grupos contrários ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de que a Corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian .

O valor sairia do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado em um pacote de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 916,4 milhões) para fortalecer iniciativas voltadas à direita e ao conservadorismo em diversos países.
A lei que autoriza o fundo determina que a verba seja destinada até 30 de setembro, e o governo Trump pressionou para fazer os repasses a poucas horas do fim do prazo.
No documento ao qual o veículo teve acesso, o projeto é chamado de "combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil". Há 43 subsídios previstos do plano de Washington, incluindo US$ 2 milhões (R$ 10,4 milhões) a um programa supostamente destinado a proteger cristãos na Nigéria —Trump acusa a nação de perseguir o grupo e ordenou um ataque a Abuja em dezembro do ano passado.

Outros US$ 2 milhões seriam destinados ao combate ao que o governo americano classifica de "ideologia de gênero" na Polônia , na Eslováquia , na República Tcheca , na Hungria e nos Bálcãs. Há ações contrárias à imigração na Europa , projetos de combate a um suposto racismo contra brancos na África do Sul e iniciativas cujo objetivo é contestar a credibilidade de veículos de imprensa .
A Victims of Communism Memorial Foundation ("Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo", em tradução livre), organização americana anticomunista ligada a um ex-funcionário da Casa Branca, receberia US$ 40 milhões (R$ 207,2 milhões).
"As propostas do governo Trump usariam dinheiro dos contribuintes para promover organizações e programas de extrema-direita em democracias consolidadas. Isso é um desperdício de recursos e enfraquece os valores dos EUA e suas relações com parceiros democráticos, inclusive aliados na Europa ", disse ao Guardian a democrata Jeanne Shaheen, da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

A senadora manteve dez bloqueios impostos sobre os subsídios voltados ao Brasil, à África do Sul , à Nigéria e à Europa, mas o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio , assinou um memorando ordenando que as restrições fossem desconsideradas e os recursos, empenhados, segundo um assessor do Congresso americano.
Questionado pelo jornal britânico, o Departamento de Estado não respondeu se realmente ignorou os entraves. O órgão também não comentou os subsídios de forma individual, mas afirmou que os programas ainda estão em "deliberação ativa", que os beneficiários atendem às diretrizes americanas para verbas federais e que as iniciativas passariam por um "processo rigoroso de verificação".
A reportagem do Guardian aponta que os subsídios listados demonstram que o governo Trump busca redefinir o que é considerado como ação de direitos humanos e o que deve receber auxílio dos EUA. Segundo fonte ouvida pelo jornal britânico e envolvida nas discussões sobre as verbas, os projetos listados recebem atenção dos mais altos escalões do governo americano e têm aval da Casa Branca.

A reportagem é publicada em meio ao temor de que os Estados Unidos interfiram nas eleições , marcadas para domingo (4), a favor do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ( PL ) —cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro , foi condenado e está preso por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Autoridades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontaram supostas intervenções dos EUA e da Rússia antes das eleições durante uma visita das delegações da França e da Alemanha a Brasília em setembro, segundo fontes e documentos consultados pela agência de notícias Reuters.
Conforme um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, membros da Abin teriam afirmado que a ingerência americana iria "da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente ". Não há detalhes sobre a suposta interferência russa.
A questão foi abordada também no discurso do presidente Lula ( PT ), que concorre à reeleição, na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) . Sem citar Washington, o petista mencionou interferências praticadas pela "maior potência militar do mundo".
"Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse o mandatário. "Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para integração entre vizinhos. A democracia está em xeque."
Em sua fala, Lula fez também uma referência indireta à relação da família Bolsonaro com Trump: "Sabemos que alguns abusam dessa liberdade [de expressão dos candidatos durante o pleito] para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país".
Flávio se encontrou com Trump em maio , ocasião em que disse ter pedido ao presidente americano para que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV ( Comando Vermelho ) fossem classificadas de organizações terroristas pelos EUA.
Na época, a campanha do candidato do PL lidava com o auge do desgaste provocado pela revelação de que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master , para financiar o filme " Dark Horse ", sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Em julho, ao lado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador participou de uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio dos EUA, na qual defendeu que Trump adiasse a taxação de produtos brasileiros para depois das eleições .
Eduardo foi condenado em junho deste ano no STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação durante o processo em que era réu por ter atuado nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. Seu mandato foi cassado pela Câmara em dezembro de 2025.
Como a Folha mostrou em setembro , uma série de contas estrangeiras ligadas ao ecossistema de Trump têm, publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávionas apostas da empresa americana Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil.
A lei eleitoral veda o impulsionamento de propaganda para qualquer candidato por terceiros e proíbe doações (em dinheiro ou estimáveis) de entidades estrangeiras. Questionada, a campanha de Flávio respondeu que não tem conhecimento sobre os anúncios.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/governo-trump-quer-enviar-us-1-milhao-para-financiar-grupos-contrarios-ao-stf-diz-jornal-britanico.shtml.

Estátua 'A Justiça', do escultor Alfredo Ceschiatti, em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), na Praça dos Três Poderes, em Brasília - Mateus Bonomi/Folhapress · Mateus Bonomi/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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