Brasil

    Governo Trump diz que guerra comercial terá impacto devastador para o Canadá

    O governo Donald Trump afirmou neste domingo (23) que o Canadá seria insensato se achasse que poderia vencer uma guerra comercial contra os Estados Unidos e previu um impacto devastador sobre seu vizinho do norte. Leia mais (08/23/2026 - 12h50)

    Folha de S.Paulo
    23 de agosto de 2026 às 15:50
    Governo Trump diz que guerra comercial terá impacto devastador para o Canadá
    Dois homens aparecem em retratos lado a lado. O da esquerda tem cabelo loiro claro penteado para trás, veste terno escuro, camisa branca e gravata vermelha, com um broche da bandeira dos EUA na lapela. O da direita tem cabelo grisalho pente — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O governo Donald Trump afirmou neste domingo (23) que o Canadá seria insensato se achasse que poderia vencer uma guerra comercial contra os Estados Unidos e previu um impacto devastador sobre seu vizinho do norte.

    Donald Trump, presidente dos EUA, e Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá (à dir.) - Saul Loeb e Dave Chan/AFP · Saul Loeb e Dave Chan/AFP
    Donald Trump, presidente dos EUA, e Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá (à dir.) - Saul Loeb e Dave Chan/AFP · Saul Loeb e Dave Chan/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As negociações entre Washington e Ottawa fracassaram na noite de sexta-feira (21), levando à entrada em vigor de novas tarifas americanas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 103,2 bilhões) em produtos canadenses, o equivalente a 5,5% das exportações do Canadá para os Estados Unidos.

    Em retaliação, o Canadá afirmou que aplicaria tarifas equivalentes às dos EUA, com novas taxas voltadas sobretudo aos setores siderúrgico e de laticínios americanos, que entrarão em vigor em 8 de setembro.

    Trump rebateu na manhã deste domingo, afirmando: "O Canadá quer os benefícios de ser um estado, sem ser um!!!"

    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, em entrevista coletiva neste sábado (22) em Ottawa - Chris Tanouye/Reuters · Chris Tanouye/Reuters
    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, em entrevista coletiva neste sábado (22) em Ottawa - Chris Tanouye/Reuters · Chris Tanouye/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Eles também cobraram de nossos grandes agricultores, durante muitos anos, tarifas altíssimas. Chega!!!", acrescentou o presidente americano em uma publicação na rede Truth Social.

    A hostilidade ressaltou o aprofundamento da divisão entre os aliados próximos desde que Trump iniciou seu segundo mandato, em janeiro de 2025 —incluindo suas reiteradas ameaças de transformar o Canadá no 51º estado americano.

    O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse que o Canadá ficaria em pior situação ao confrontar Trump em uma guerra comercial. Atualmente, os Estados Unidos respondem por cerca de 70% das exportações canadenses.

    Homem de cabelos grisalhos, vestindo terno escuro e camisa branca, fala gesticulando com a mão direita em púlpito com microfone. Fundo desfocado em ambiente interno.
    Homem de cabelos grisalhos, vestindo terno escuro e camisa branca, fala gesticulando com a mão direita em púlpito com microfone. Fundo desfocado em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Somos grandes parceiros comerciais, certo? Mas o Canadá se beneficia muito mais do comércio com os EUA do que os EUA se beneficiam do comércio com o Canadá", disse ele ao programa de entrevistas "Fox News Sunday".

    "Achar que eles vão entrar em guerra com Donald Trump e realmente vencer essa guerra contra os EUA é, a meu ver, uma insensatez da parte deles."

    Ele previu que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, retomaria as negociações "muito, muito rapidamente, porque isso será devastador para o país dele".

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Carney adotou um tom desafiador no sábado (22) , ao anunciar tarifas retaliatórias contra os EUA depois de abandonar um "mau acordo" comercial, em meio ao aprofundamento da divisão entre os aliados de longa data.

    "Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", afirmou Carney.

    Carney citou exigências americanas de última hora que restringiriam os acordos comerciais do Canadá com outros países e "ameaças" inaceitáveis à língua francesa e à cultura do Quebec.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O primeiro-ministro afirmou que as relações bilaterais mudaram para sempre e que o Canadá precisa reduzir sua dependência dos Estados Unidos. Apesar das consequências econômicas, ele conquistou apoio político interno por sua disposição de enfrentar Washington desde que assumiu o cargo, dois meses depois de Trump retornar à Presidência.

    "Temos um valentão em Washington", disse à agência de notícias AFP no sábado o professor canadense aposentado Stuart Edwards, em Fort Erie, Ontário, à sombra da ponte da Paz, por onde passam bilhões de dólares em comércio anual com os Estados Unidos.

    "Não vamos aceitar isso, o Canadá não vai. Vamos reagir", afirmou.

    Nas recentes negociações em Washington, o Canadá buscava alívio das tarifas de Trump sobre automóveis, aço e alumínio, que abalaram a economia do país, provocaram demissões e tensionaram uma relação comercial antes considerada inabalável.

    Ao anunciar as tarifas, a Casa Branca alegou que o Canadá dava "tratamento discriminatório" a bebidas alcoólicas, automóveis e laticínios dos EUA.

    O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse no sábado ao jornal New York Times que os EUA haviam se oferecido para reduzir suas tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de eliminar uma tarifa recentemente imposta à madeira canadense.

    Greer afirmou que essas medidas teriam dado ao Canadá "o tratamento mais preferencial entre todos os parceiros comerciais", segundo o Times.

    Ele também disse que não estavam previstas novas negociações com os representantes canadenses.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/governo-trump-diz-que-guerra-comercial-tera-impacto-devastador-para-o-canada.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    Donald Trump, presidente dos EUA, e Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá (à dir.) - Saul Loeb e Dave Chan/AFP · Saul Loeb e Dave Chan/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)