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    Governo Trump diz que 'domíno dos EUA' nas Américas não será questionado

    O Departamento de Estado americano, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos , publicou nesta terça-feira (11) um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, princípio político que estabelece a hegemonia de Washington nas Américas. A doutrina foi utilizada por Donald Trump para justificar a invasão da Venezuela que terminou na captura do ditador Nicolás Maduro , levado à força para os EUA sob acusações de tráfico de drogas. Leia mais (08/11/2026 - 16h48)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 19:48
    Governo Trump diz que 'domíno dos EUA' nas Américas não será questionado
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O Departamento de Estado americano, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos , publicou nesta terça-feira (11) um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, princípio político que estabelece a hegemonia de Washington nas Américas. A doutrina foi utilizada por Donald Trump para justificar a invasão da Venezuela que terminou na captura do ditador Nicolás Maduro , levado à força para os EUA sob acusações de tráfico de drogas.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com empresários de mineração em evento no Departamento de Estado, em Washington, ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP
    O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com empresários de mineração em evento no Departamento de Estado, em Washington, ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No vídeo, o embaixador americano no Panamá , Kevin Marino Cabrera, detalha o surgimento da doutrina em 1823, quando Washington decide apoiar formalmente a independência dos países latino-americanos da Espanha e do Brasil de Portugal . O governo americano, naquele momento, promete manter as Américas livres de influência europeia.

    Entretanto, como a marinha dos EUA não tinha força para fazer valer a doutrina, tratou-se de uma declaração simbólica nas suas primeiras décadas de existência. Isso mudou na segunda metade do século 19, quando os Estados Unidos vivem um grande crescimento econômico proporcionado pela industrialização, imigração massiva e expansão ao oeste.

    Ao longo de cinco minutos, Cabrera defende o histórico imperialista dos EUA na América Latina , relembrando a guerra contra a Espanha que levou à independência de Cuba , que passou a fazer parte da esfera de influência de Washington. O diplomata é cubano-americano de segunda geração, nascido na Flórida. Apoiador de Trump, Cabrera foi vereador de Miami de 2022 a 2025.

    Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro
    Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A peça foi postada no X pelo Departamento de Estado com a frase "o domínio americano no hemisfério ocidental jamais será questionado novamente". Trata-se de uma fala feita por Trump em seu primeiro pronunciamento após a captura de Maduro, em janeiro de 2026. O ditador era próximo da Rússia e da China .

    O vídeo, entretanto, contém imprecisões históricas e omissões importantes. Cabrera diz, por exemplo, que foi graças aos EUA que a França foi expulsa do México depois de tentar instalar uma monarquia no país latino-americano, liderada por Maximiliano de Habsburgo, irmão mais novo do imperador da Áustria .

    Na verdade, Maximiliano e as tropas francesas de Napoleão 3º foram derrotadas pelo presidente do México, Benito Juárez, que organizou a resistência à invasão europeia a partir de sua base de apoiadores liberais no norte do país.

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    Os EUA, envolvidos na época com a Guerra Civil americana, só apoiaram Juárez financeiramente a partir de 1865 e ameaçaram ações militares contra a França em 1867, quando o governo republicano já estava novamente em controle de quase todo o México.

    O vídeo, embora mencione a intervenção americana na Nicarágua a favor do ditador Anastasio Somoza, não fala de outras ocasiões em que Washington apoiou ditaduras na América Latina, como no Chile , Argentina , Uruguai , Paraguai e Brasil. Também omite tentativas fracassadas de intervenção, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba em 1961.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/governo-trump-diz-que-domino-dos-eua-nas-americas-nao-sera-questionado.shtml.

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    O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com empresários de mineração em evento no Departamento de Estado, em Washington, ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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