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    Governo Trump cobra 'proposta satisfatória' para não punir Brasil em cota de açúcar

    O governo Donald Trump disse que só devolverá ao Brasil uma cota de exportação de açúcar de quase 60 mil toneladas se o país apresentar "propostas comerciais satisfatórias". Caso isso não aconteça, os Estados Unidos ameaçam redistribuir esse montante para outros países. Leia mais (08/07/2026 - 12h18)

    Folha de S.Paulo
    7 de agosto de 2026 às 15:18
    Governo Trump cobra 'proposta satisfatória' para não punir Brasil em cota de açúcar
    O subsecretário de Agricultura Stephen Vaden (d). - Eric Lee - 19.mai.26/Reuters · Eric Lee - 19.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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    O governo Donald Trump disse que só devolverá ao Brasil uma cota de exportação de açúcar de quase 60 mil toneladas se o país apresentar "propostas comerciais satisfatórias". Caso isso não aconteça, os Estados Unidos ameaçam redistribuir esse montante para outros países.

    Agrishow recebe as principais novidades tecnológicas do agronegócio
    Agrishow recebe as principais novidades tecnológicas do agronegócio — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance (Aliança Americana do Açúcar), na segunda-feira (3). As falas de Vaden foram registradas em um comunicado urgente enviado a Brasília pela adida do Ministério da Agricultura na embaixada brasileira em Washington, Ana Lucia Viana. O documento foi obtido pela Folha .

    Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). O que entra no país dentro desse montante paga uma tarifa reduzida, enquanto o que fica de fora é afetado por uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada. Segundo o setor, isso tem forte impacto sobre a competitividade do produto.

    Ao anunciar as cotas para o próximo ciclo, a gestão Trump reduziu a parcela brasileira de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas, uma queda de 35,9%.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o relato da representante do Ministério da Agricultura, durante o evento Vaden disse que o volume antes destinado ao Brasil poderá ser transferido a outros exportadores.

    "Vaden afirmou expressamente que o Brasil poderá recuperar o volume retirado de sua alocação caso apresente aos Estados Unidos propostas comerciais consideradas satisfatórias", diz o relatório.

    "Na ausência de entendimento, as 55.993 MTRV [toneladas métricas em valor bruto, na sigla em inglês] poderão ser redistribuídas a outros países. A coincidência exata entre o volume reduzido da cota brasileira e a quantidade ainda não alocada reforça a percepção de que a medida está sendo utilizada como instrumento de negociação comercial."

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No mesmo documento, a funcionária da Agricultura diz ter procurado o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) para saber se o corte sobre a cota brasileira era permanente ou se havia possibilidade de recomposição, mesmo que parcial.

    Ela argumentou ao USTR que o Brasil preencheu integralmente a atual cota de quase 160 mil toneladas, "demonstrando capacidade de fornecimento, confiabilidade e demanda por parte da indústria norte-americana". Segundo o relato, o lado americano não forneceu detalhes adicionais aos anunciados publicamente.

    O comunicado da adida agrícola não especifica o que seria uma proposta comercial satisfatória na visão dos EUA. Mas Washington pressiona o Brasil há anos a reduzir a tarifa cobrada para a compra de etanol americano, hoje em 18%.

    Diferentes governos brasileiros sinalizaram no passado que aceitariam discutir a redução dessa barreira se os EUA incluíssem nas conversas uma abertura comercial para o açúcar . Nunca houve acordo nesse aspecto.

    Procurados pela Folha , o Ministério da Agricultura e o Departamento de Agricultura dos EUA não responderam até a publicação desta reportagem.

    As novas cotas tarifárias americanas vigorarão a partir de outubro, com duração de um ano.

    O maior valor foi destinado à República Dominicana, que poderá exportar cerca de 189 mil toneladas de açúcar de cana em condições mais vantajosas. Em segundo lugar estão as Filipinas, com 145 mil toneladas. O Brasil tem a terceira maior alocação.

    No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA, de acordo com dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia).

    A cota é preenchida por produtores do Nordeste, enquanto o volume exportado acima dela é fornecido principalmente pelo Sudeste, onde a colheita é mais mecanizada.

    Se a tarifa aplicada às exportações fora da cota já dificultava o acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano, a situação ficou ainda pior com os sucessivos tarifaços impostos por Trump ao Brasil.

    Além dos US$ 340 por tonelada, o produto que entrar no mercado americano fora da cota estará sujeito ainda a sobretaxas cumulativas de 37,5% , aplicadas com base em duas investigações comerciais conduzidas pelo USTR.

    O que está dentro da cota, por sua vez, vai pagar tarifa extra de 25%, referente a uma das apurações do USTR.

    A ameaça de Vaden é mais um capítulo da crise diplomática e comercial entre os governos Lula e Trump, que se agravou ainda mais com a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington , Maria Luiza Viotti.

    Semanas antes, o governo Lula havia negado vistos a funcionários do Departamento de Estado que, segundo auxiliares do petista, tinham a intenção de interferir nas eleições brasileiras. O Itamaraty tampouco emitiu a autorização para que Daniel Perez , embaixador designado por Trump, inicie sua missão em Brasília.

    No campo comercial, o Brasil foi alvo no ano passado de um tarifaço de até 50%, sob justificativa de que o governo Lula e o Judiciário promoviam uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A maior parte dessas sobretaxas foi declarada ilegal pela Suprema Corte dos EUA, mas, em julho, Trump impôs novas sanções (de 25% e 12,5%), agora amparadas no USTR.

    Ao ser questionada sobre o tema, a Unica disse que o Brasil é um parceiro confiável para os EUA, "capaz de assegurar um fornecimento regular e consistente de açúcar de alta qualidade".

    "A entidade espera que as tratativas avancem de forma construtiva, evitando a adoção de medidas que possam criar novas barreiras ao comércio entre os dois países."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/governo-trump-cobra-proposta-satisfatoria-para-nao-punir-brasil-em-cota-de-acucar.shtml.

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