Governo tem alívio em agosto, mas déficit em 2026 é o pior desde 2024
O governo central registrou um déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto , o melhor saldo para o mês desde 2021, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Tesouro Nacional. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o saldo negativo de R$ 94,9 bilhões é o pior desde 2024. Leia mais (09/29/2026 - 10h43)

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O governo central registrou um déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto , o melhor saldo para o mês desde 2021, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Tesouro Nacional. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o saldo negativo de R$ 94,9 bilhões é o pior desde 2024.

O resultado de agosto superou o registrado no mesmo mês em 2025, quando as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social registraram um déficit de R$ 15,54 bilhões, uma variação de 7,1% já descontada a inflação.
O saldo de R$ 13,6 bilhões ficou acima da mediana das expectativas do Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda, que previa um déficit em R$ 16 bilhões.
As receitas líquidas apuradas em agosto foram de R$ 187,8 bilhões, um aumento real de 3,5% em relação a igual período de 2025. Em termos reais, o aumento foi de R$ 6,3 bilhões.

Segundo o Tesouro Nacional, a variação ante a 2025 decorre principalmente da arrecadação de R$ 1,6 bilhão com imposto de importação, outro R$ 1,6 bilhão com IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), puxado pela cobrança sobre a indústria de cigarros , e Cofins, como R$ 1,9 bilhão.
A arrecadação líquida para o RGPS (Regime Geral de Previdência Social) cresceu R$ 3,9 bilhões em agosto de 2026, alta de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, variação atribuída à melhora do mercado de trabalho, com um crescimento real de 2,9% na massa salarial.
Dividendos e participações responderam por R$ 1,4 bilhão, e exploração de recursos naturais, R$ 2,9 bilhões decorrentes da venda de óleo e gás natural para PPSA (Pré-Sal Petróleo SA).

As receitas em agosto também foram abastecidas com R$ 1,9 bilhão de imposto de exportação de petróleo. A cobrança de 12% terminaria em setembro, mas foi prorrogada por meio de decisão da Camex (Câmara de Comércio Exterior). As petroleiras conseguiram liminar para barrar a cobrança , mas o governo reverteu e manteve a alíquota.
Até o fim do ano, a expectativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é arrecadar R$ 21 bilhões com esse imposto.
As despesas totais ficaram 1,9% maiores em termos reais na comparação com agosto de 2025. As principais variações vieram de benefícios previdenciários, com R$ 2,7 bilhões, gastos com pessoal e encargos sociais, com R$ 1,2 bilhão, e créditos extraordinários, a R$ 1,3 bilhão. As despesas discricionárias tiveram redução de R$ 5,6 bilhões.
O déficit acumulado de R$ 94,9 bilhões de janeiro a agosto resulta de receitas líquidas de R$ 90 bilhões e despesas totais de R$ 96,3 bilhões no período. De janeiro a agosto de 2025, o déficit registrado pelo governo central foi de R$ 85,9 bilhões.
As despesas discricionárias tiveram aumento de R$ 35 bilhões de janeiro a agosto, alta real de 31,8% em relação a 2025. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, diz que a expectativa é a de que esse patamar de gastos se estabilize até o fim do ano, passada a antecipação no pagamento de emendas por conta do calendário eleitoral.
Parte das despesas acumuladas em 2026 decorrem de R$ 10,6 bilhões em créditos extraordinários, de onde saem os recursos para as medidas do governo para mitigar os efeitos da guerra entre Irã e Estados Unidos sobre os preços dos combustíveis.
Os reflexos da guerra aparecem também nas receitas acumuladas em 2026, com um aumento de R$ 17,9 bilhões em royalties e venda de petróleo e gás natural, uma alta de 18,9% na comparação com o ano passado.
A alta de 61% em outras receitas administrada pela Receita Federal veio principalmente da arrecadação com o imposto de exportação. Segundo Leal, do Tesouro Nacional, cerca de metade do aumento de R$ 19,1 bilhões registrado neste ano vem dessa cobrança.
No acumulado em 12 meses, o resultado primário é de déficit de R$ 68,7 bilhões, o equivalente a 0,53% do PIB (Produto Interno Bruto). A equipe econômica estimou, na avaliação do 4º bimestre, que o déficit primário seja de R$ 80,9 bilhões em 2026, descontados R$ 67,3 bilhões do cálculo da meta, o que exigirá o contingenciamento de R$ 13,6 bilhões.
Não entram na meta do primário as despesas com precatórios, projetos estratégicos de defesas, gastos com saúde e educação pagos com recursos do Fundo Social e o ressarcimento de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/governo-central-registra-deficit-primario-de-r-136-bilhoes-em-agosto.shtml.

Imagem ilustrativa de moedas de 1 real15/10/2010REUTERS/Bruno Domingos ORG XMIT: RJO104 - Bruno Domingos-28.jul.25/Reuters · Bruno Domingos-28.jul.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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